Lomadee, uma nova espécie na web. A maior plataforma de afiliados da América Latina.

quinta-feira, 7 de novembro de 2013

¨¨¨Landisvalth Blog: Antônio Torres: um baiano de Sátiro Dias na Academ...

¨¨¨Landisvalth Blog: Antônio Torres: um baiano de Sátiro Dias na Academ...: Antonio Torres - de Sátiro Dias O romancista baiano Antônio Torres, 73, foi eleito na tarde desta quinta-feira (7) como o novo ocupante...

quarta-feira, 6 de novembro de 2013

Os cultos também erram?

Por Ataliba T. de Castilho – da revista Língua Portuguesa

Pesquisas mostram que norma culta é variável. Que as línguas naturais não são homogêneas todo mundo sabe. 
Professor Ataliba no Programa do Jô, da Rede Globo
Elas variam segundo parâmetros bem conhecidos: variam no tempo (donde o português arcaico, médio, moderno e contemporâneo), no espaço geográfico (donde o português europeu, africano, brasileiro), no espaço social (donde o português padrão, ou culto, e o português vernacular), e até no espaço individual (donde o português espontâneo e o formal, o de idosos e o dos jovens). A pesquisa tem mostrado que qualquer um desses parâmetros pode ser detalhado. A dimensão geográfica do português brasileiro, por exemplo, compreende o português do Norte, do Nordeste e do Sul. Os pesquisadores ligados ao Projeto do Atlas Linguístico do Brasil têm comprovado isso. Basta consultar o sítio www.alib.ufba.br/. Isto quer dizer que qualquer manifestação linguística vem sempre marcada pelo fenômeno da variação, mais acentuada em línguas como o italiano, menos acentuada em línguas como a portuguesa. Fatos sócio-históricos explicam isso. Curiosamente, persiste entre nós a ideia de que a variedade padrão, a norma culta, escapa a essa heterogeneidade. Não é o que as pesquisas têm demonstrado. Desde os anos 1970, maiormente depois de 1978, os pesquisadores do Projeto de Estudo da Norma Urbana Linguística Culta passaram a constatar que a norma do português brasileiro é heterogênea.  Depois disso, o projeto Gramática do Português Culto Falado no Brasil procedeu a uma descrição minuciosa da norma, com base nos materiais levantados pelo projeto anterior, identificando diferenças por toda parte. Elas não impedem a intercompreensão, mas existem. Impossível resumir aqui a enorme bibliografia gerada pelos dois projetos. Pena, aliás, que a mídia brasileira não a conheça, e siga repetindo lições aceitáveis até os anos 1970. Mesmo assim, peço a atenção do leitor para o que Dinah Callou, João Antônio de Moraes de Yonne Leite descobriram no capítulo "Mapeamento dos processos", em Maria Bernadete M. Abaurre (org.) A Construção Fonológica da Palavra, São Paulo: Contexto, 2013, que é o volume VII da série Gramática do Português Culto Falado no Brasil. Eles observaram a realização de seis processos: palatalização do /s/ em final de sílaba (meninos ou meninosh?), fricativização e posteriorização do /r/ antes e depois de vogal (comer ou comeR?), palatalização do /t/ e do /d/ diante de /i/ (dia ou djia?), vocalização do /l/ em final de sílaba (anil ou aniu?), nasalação da vogal pretônica antes de consoante nasal (bànana, ou bãnana?), elevação da vogal média pretônica [e] à [i] e [o] à [u] (pequeno ou piqueno? moleque ou muleque?).  Esses linguistas concluíram que esses processos "não evidenciam, como em princípio seria de esperar, uma coincidência entre o comportamento linguístico dos vários falares e as áreas geográficas correspondentes". Eles recolhem num mapa suas conclusões, evidenciando assim que também a norma culta é variável. O leitor pode colecionar outras evidências folheando os 8 volumes de ensaios desse projeto, e os 7 volumes da fase de consolidação, de que se publicaram 4 até aqui. Não é por falta de pesquisas que hoje se conhece a norma culta do português brasileiro. E ainda bem que é assim! As línguas são muito complexas e variadas, apesar do senso comum em contrário. Uma língua homogênea seria inteiramente disfuncional. 

terça-feira, 5 de novembro de 2013

Mentes comprometidas “Em transe”

Último filme do premiado diretor Danny Boyle, 'Em transe', levanta aspectos da psiquê para compreender até que ponto a ação das pessoas é fruto de decisões individuais
Carolina Ferro – da Revista de História
James McAvoy faz o segurança Simon [Foto: Divulgação]
Todos os dias, inúmeras pessoas sofrem influência direta ou indireta para tomar suas decisões cotidianas, seja através de uma propaganda, da conversa com os amigos, com a família, na escola ou no trabalho. Os mais autocríticos (ou com maior autoconhecimento) conseguem perceber melhor essas nuances, mas mesmo eles se surpreendem ao ver que agiram por influência de outrem.  Em transe faz o espectador questionar o tempo inteiro: até que ponto as decisões de uma pessoa correspondem aos seus anseios? E que segredos nós queremos revelar?
A história começa com a tentativa de roubo da tela “Voo das bruxas”, de Goya (1746-1828), quando estava sendo leiloada, na Inglaterra. O responsável pela equipe de segurança, Simon (James McAvoy) consegue fugir com a obra de arte, mas o chefe da gangue de ladrões, Franck (Vincent Cassel) o encontra e dá um golpe em sua cabeça. Simon cai desmaiado e Franck foge com a pasta que deveria conter a tela. Como a pasta estava vazia, Franck sequestra Simon para que ele fale onde escondeu o objeto do furto, mas, devido ao golpe na cabeça, ele não consegue se lembrar.
Após algumas tentativas frustradas de “arrancar” informações sobre a localização da tela, Franck decide que a melhor opção é contratar um especialista em hipnose para “resgatar” a informação perdida na mente do homem que a guardou. É permitido a Simon que ele escolha seu terapeuta através de uma lista de hipnotizadores encontrados na internet. Ele olha todas as fotos, mas paralisa na imagem de Elizabeth (Rosario Dawson) e a trama começa a ganhar corpo.
A princípio, Elizabeth parece tentar ajudar o segurança a escapar da gangue de ladrões. Descoberta, ela se insere no cotidiano da gangue e se envolve amorosamente com os dois protagonistas. Uma rede de intrigas e violências se estabelece em torno das seções de hipnose. A cada momento, Simon começa a descobrir mais detalhes de sua vida que estavam obscuros e os personagens passam por provações constantes de amor, ódio, companheirismo, lealdade e obsessão.
Elizabeth é a grande personagem da película. De traços simples (mas muito fortes), rosto limpo, cabelos longos sem corte e personalidade aparentemente frágil, ela se transforma numa mulher fatal quando demonstra mexer com a mente dos dois personagens como quem brinca como fantoches. Se antes eles eram opositores apenas por conta do quadro perdido, tornam-se inimigos mortais na disputa pelo amor da terapeuta.
  Trance - Dir. Danny Boyle, 2013, Reino Unido
As imagens de câmeras paradas e focos de luz intensos de apenas uma cor, típicos dos filmes de Danny Boyle também estão presentes e fornecem uma aura de participação de quem aparentemente apenas observa. Não há um só momento em que o espectador se desligue e tal como os personagens masculinos da história, ele se sente enganado pela trama.
O tema da hipnose já apareceu em várias obras cinematográficas de gêneros distintos. Na comédia romântica, destaca-se O amor é cego (2001), dirigido por Peter e Bobby Farrelly, onde o personagem Hal (Jack Black) é hipnotizado para que ele veja apenas a beleza interior das pessoas. O protagonista acaba se apaixonando pela bela e generosa gordinha Rosemary (Gwyneth Paltrow) e com o fim da hipnose começa a enxergar as pessoas de outra forma, promovendo uma mudança comportamental estrutural, bem diferente das convenções sociais e estéticas predominantes que tanto influenciam na hora da escolha de um par amoroso. Outro suspense, mais próximo do filme analisado é o que leva o nome da prática terapêutica: Hipnose (2002). Nele, uma policial (Shirley Henderson) que pretende parar de fumar procura um terapeuta (Goran Visnjic) que utiliza do método para acabar com o vício. A hipnose praticada pelo psicólogo passa a ser vista como um dom, pois a policial começa a desvendar crimes através da prática. Mas, além disso, segredos que jamais seriam revelados com o paciente consciente aparecem desvendados nas seções. Daí vem um dos problemas mais sérios. A questão da viabilidade da prática, tendo em vista revelações do subconsciente que o indivíduo prefere manter escondidas.
O termo "hipnose" foi cunhado em 1842, por James Braid (1795-1860), mas foi com Jean Charcot (1825-1893) e com Sigmund Freud (1856-1939) que a hipnose tornou-se amplamente conhecida. Enquanto para Charcot, apenas os histéricos eram hipnotizáveis, Freud dedicou-se profundamente à prática no início de sua carreira. Acabou por abandoná-la, pois acreditava que ela trazia apenas memórias reprimidas. Aos poucos, os sonhos foram tomando uma importância muito maior para o médico e criador da psicanálise.
Posteriormente, vários personagens, de médicos a terapeutas e mesmo ilusionistas, se utilizaram da hipnose com certo sucesso, mas com finalidades distintas. No Brasil, quase todos já viram apresentações televisivas do hipnólogo Fábio Puentes, conhecido por entortar talheres e fazer com que as pessoas comam cebolas como se fossem maçãs.
De fato, a prática da hipnose pode ser considerada uma forma de poder. Enquanto o indivíduo estiver sob efeito do transe, a mente fica sob controle de outra pessoa e o melhor e o pior de um ser humano podem ser descobertos. É o que acontece com Simon e Franck. Estragando o suspense (mas nem tanto), Simon (o bom moço da segurança) mostra-se um monstro para os padrões sociais contemporâneos, Franck (o líder dos ladrões) demonstra-se uma pessoa confiável e gentil e Elizabeth (a terapeuta) consegue justificar a dominação da mente dos dois homens.

O filme não ficou muito tempo em cartaz, mesmo nos cinemas mais restritos. Trata-se de uma obra bem diferente de Quem quer ser um milionário (2008), ou Trainspotting (1996) - grandes sucessos de Danny Boyle. Não se trata de um grande blockbuster, mas faz pensar se todas as nossas sugestões são fruto de fortes influências que nossa mente sofre. Até a escolha deste filme para a seção pode ser parte de um jogo feito pelo diretor para promovê-lo. Quem sabe?

domingo, 27 de outubro de 2013

terça-feira, 22 de outubro de 2013

Artigo científico: A EDUCAÇÃO E A RESSOCIALIZAÇÃO DO HOMEM COMO PRESO: A MURALHA DE FERRO QUE ANULA A CIDADANIA


A muralha de ferro que anula a cidadania (foto: Mídia News)
                                                                             Ivana Silva de Santana1
                                       Jose Alexandre de Souza Menezes2.

           Lembrem-se dos presos como se vocês estivessem na prisão com eles. Lembrem-se dos que são torturados, pois vocês também têm um corpo.

Paulo de Tarso
Carta aos Hebreus 13,3

INTRODUÇÃO
     
      O tema deste artigo é baseado em minha tese de doutorado, explicitado no título em metáfora, trata da muralha de ferro que anula a cidadania do homem como preso através de processos sócio educativos enquadra-se no âmbito do direito penal, na execução da pena de prisão, numa visão específica de privação de cidadania como forma de ressocialização do encarcerado. De acordo com o Relatório Global 2002 do Human Rights, as execuções, maus tratos e tortura continuaram sendo os mais graves problemas relacionados às questões de direitos humanos no Brasil, sendo a própria força policial e os oficiais de carceragem os principais agentes perpetuadores dos abusos cometidos.
Vem sendo denunciado que o  Sistema Prisional Brasileiro é mais criminoso que o crime cometido pelo preso, em uma sociedade onde as pessoas querem que alguns sejam excluídos por violarem os mecanismos pré-estabelecidos.As prisões, em geral, são incapazes de ressocializar o apenado por processos sócio educativos .
A Justiça Penal no Brasil, de acordo com Edmundo Oliveira (2007) tem o retrato peculiar de anulação da cidadania do preso.  Em primeiro lugar, acostumou-se a mandar para trás das grades os miseráveis que formam a maioria absoluta nas prisões.  “É a força secular da alternativa de exclusão, sempre galgada no argumento da neutralização, amontoando pessoas em números superiores aos padrões recomendados pela Organização das Nações Unidas”.
Na desordem penitenciária, em termos de proteção aos direitos humanos, o Brasil não atende ao pacto Internacional dos Direitos Civis e Políticos, ditado pela Organização das Nações Unidas (ONU), em 1966, nem à Convenção Americana. sobre Direitos Humanos, conhecida com Pacto de San José da Costa Rica, aprovada pela Organização dos Estados Americanos (OEA), em 1969.
De acordo com o Relatório da II Caravana Nacional que analisou o Sistema Prisional Brasileiro, da Comissão de Direitos Humanos da Câmara de Deputados Federal, em setembro de 2000, foram relatados fatos  sobre a violência do sistema penitenciário, quanto aos direitos humanos , desrespeitos à condição humana nas prisões brasileiras.
A questão básica que se tornou o  fio-condutor ou leitmotiv deste estudo é: Quais são as significações construídas pelos presidiários em suas experiências de direitos humanos expressas nas vivências dos lugares, tempos e cenas dos Institutos Penais?
Como objetivo geral buscou-se evidenciar as significações construídas pelos presidiários em suas experiências de direitos humanos, expressas nas vivências dos lugares, tempos e cenas da Instituição Penal.
      FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA
Löic Wacquant (2007), em seu livro “Punir os Pobres[1], argumenta que a prisão, de um modo geral, funciona como um aspirador social para limpar as escoridetritos produzidos pelas transformações econômicas em curso e remover os rejeitos da sociedade de mercado do espaço público.Wacquant (2007, p.455) argumenta que a prisão tem servido como “aspirador da escoria social”, baseando-se no seu artigo “A Aberração Carcerária à Moda
a)      A criminologia comparada estabelece, de forma incontestável, que não existe nenhuma correlação – em nenhum país e em nenhuma época – entre a taxa de aprisionamento e o nível de criminalidade;( CHRISTIE,2001).
b)     Todos os estudos mais rigorosos concluem o oposto, ou seja, a estratégia de policiamento da “Tolerância zero”, levada a efeito em Nova Iorque e a quadruplicação em 25 anos, do número de presos nos Estados Unidos da América desempenharam um papel não importante na queda vertical da criminalidade que resultou de uma incomum conjunção de fatores econômicos, demográficos e culturais; ( CHRISTIE,2001).
c)      A história penal mostra que, em nenhum momento e em nenhuma sociedade, a prisão soube cumprir a sua suposta missão de recuperação e de reintegração social, na perspectiva da redução da reincidência.
d)     Não é prisão que promove a reinserção. Ai já é tarde demais. Para integrar as pessoas é preciso dar trabalho, igualdade de oportunidade no começo, na escola. Medidas de cunho social podem ser integradas, mas ai já é tarde demais (CHAUVENET, ORTIC E BENGUIGUI, 1994, p.38)
e)      Contrário as supostas “virtudes pedagógicas” das sanções penais e mesmo do encarceramento, daqueles que invocam o ideal da justiça social para justificar a intensificação da repressão penal.
f)      Dentro das prisões, as trajetórias e as condições de vida dos presidiários são marcadas por desigualdades de classe muito profundas. Do registro de entrada e da destinação, passando pelas transferências, pelo acesso aos recursos internos e ao direito de progressão, no cumprimento da pena, cada etapa do percurso carcerário contribui para o empobrecimento cumulativo dos presos mais carentes em virtude da absoluta prioridade concedida, na gestão quotidiana, ao imperativo da segurança (WACQUANT, 2007, p.461).
g)     Os danos e perdas em razão do encarceramento se projetam não somente nos presos, mas também de forma injusta e inaceitável sobre seus familiares, especificamente sobre suas esposas. Desconstrói suas relações de amizade, de vizinhança, suas relações financeiras, projeta problemas de escolaridade nos filhos (“filhos de pai preso”); exclusões; enfim, pesado ônus e fardo.
h)     A prisão apresenta-se como uma “bomba social” que regurgita quase todos aqueles que são “engolidos” por ela; eventualmente “expelidos” de volta à sociedade. Devolve à sociedade um cidadão “piorado”, mais propenso a cometer delitos e crimes. Ele está interditado, incapacitado e portando outras desvantagens derivadas do fato de ter sido fichado e estado na penitenciária.
João Faria Junior (1996) sugere que os principais fatores que indicam a crise no sistema penitenciário brasileiro são: a ociosidade dos presos do Brasil: apenas 5% trabalha; irrisória remuneração, não obstante o mínimo de ¾ determinada pela Lei de Execuções Penais;a superlotação, a falta de vagas, ultrapassa a marca dos 50 mil, sem contar os mais de 300 mil mandados de prisão não cumpridos. A superlotação é a principal causa das rebeliões nas prisões; a promiscuidade é a conseqüência da superlotação, por se reunirem numa mesma cela um amontoado de pessoas das mais variadas espécies; a formação de grupos mafiosos que são comandados por lideres que exercem poder de dominação sobre, os demais presos, com o objetivo de adquirir armas; bancar o jogo de azar; tráfico de drogas, tabaco e álcool; cobrar por proteção e violentar sexualmente outros presos; fugas, motins, greves, violência, privilégios de certos presos e discriminação de outros, corrupção dos funcionários, falta de capacidade administrativa para gerenciar o estabelecimento prisional, falta de verbas, etc..

O sistema de Justiça no Brasil contemporâneo vem se qualificando como ineficiente, em termos de desempenho de suas três funções básicas: a instrumental, a política e a simbólica, conforme Boaventura Santos et al. (1996):
a)      instrumental – o judiciário e o Ministério Público são o principal loci de resolução de conflitos;
b)      política – eles exercem um papel decisivo como mecanismo de controle social, fazendo cumprir direitos e obrigações contratuais, reforçando as estruturas vigentes de poder e assegurando a integração da sociedade;
c)      simbólica – eles disseminam um sentido de equidade e justiça na vida social, socializam as expectativas dos atores na interpretação da ordem jurídica e calibram os padrões vigentes de legitimidade na vida política.

Assim, o sistema de Justiça no Brasil contemporâneo vem se qualificando como ineficiente, em termos de desempenho de suas três funções básicas: a instrumental, a política e a simbólica, conforme Boaventura Santos et al. (1996).

A Figura 1 apresenta a sinopse do Consensualismo Penitenciário, conforme Edmundo Oliveira (2005). Trata-se de um tratamento consensual necessário a um processo sócio educativo de ressocialização..

Figura 1 - Consensualismo Penitenciário. 
Fonte: Oliveira (2005).


De acordo com Edmundo Oliveira (1995), a Justiça Penal no Brasil tem o retrato peculiar da seletividade na punição. Acostumou-se a mandar para trás das grades os miseráveis que formam maioria absoluta nas prisões. É a força secular das “alternativas de exclusão”, sempre galgada no “argumento da neutralização”, amontoando pessoas em números superiores aos padrões recomendados pela Organização das Nações Unidas.
        Conclusivamente, segundo Wacquant, o estado Brasileiro é o incubador e reprodutor do movimento globalizante e seus resultados nefastos com repúdio, melhor dizendo da classe dominante, pelos miseráveis, o que ocasiona uma política de isolamento e repressão destes indesejados. Ainda, contextualizando para a atual sociedade da estética, que tem no narcisismo sua característica mais forte, o individualismo surge próspero neste meio, atitude que promove o distanciamento entre os indivíduos. O eu ocupa o lugar do nós – peculiaridade de grupos sociais arcaicos – conduta responsável por causar, também, uma competição ferrenha pelo “sucesso”, afinal de contas, o relevante na contemporaneidade é a aparência "limpa" e o espetáculo.

O PERCURSO METODOLÓGICO

Dada a questão básica e tendo como objeto desvelar as significações construídas pelos presidiários sobre suas experiências, na situação de cárcere, no relato de suas experiências em termos de direitos humanos, utilizou-se da Teoria da  Representação Social  método que ajudou  a perceber, buscar, apreender e refletir sobre o sujeito, objeto da investigação como representação social do apenado;  dando-se especial atenção às suas narrativas,e história de vida; experiências e vivências, Segundo Laville e Dionne, (1999) a historia de vida, as experiências e vivências, podem ser configuradas como uma narração autobiográfica “uma vez que é a própria personagem que a constrói e a produz, estimulada, influenciada ou orientada pelo pesquisador, que deve se mostrar discreto” (Laville & Dione, 1999, p.158).
Optou-se pelo método das representações sociais, e a utilização da técnica de entrevista semiestruturada (além das histórias de vida, que já se mencionou), como sugerido por Chizzoti (1998) e Laville e Dionne (1999).  Essa técnica de entrevista é um meio de colher informações baseado no discurso livre.  Dessa forma, presume-se que quanto mais livre se sentir o investigado, quanto mais confiar no pesquisador, mais irá emergir o conteúdo e o discurso, com bastante riqueza.
Compreender e desvelar as representações sociais (mediante falas) e identificar as condições em que se situam os sujeitos ao emitirem-nas seria partir do dito e desvelar o não dito. Na análise, a escolha de categorias é fundamental, pois elas dão forma concreta às escolhas teóricas e metodológicas do processo de investigação. Como diz Moscovici, as Representações Sociais são uma maneira particular de conhecimento presente no senso comum, tendo como função à orientação para a ação, no cotidiano, ao mesmo tempo em que é diretriz na interação entre os indivíduos (1978).
Entre as técnicas de pesquisa qualitativa utilizadas, optou-se pelas entrevistas semi-estruturadas, com os indivíduos; por considerar mais livremente o relato das histórias de vida dos presidiários, e narrativas de suas vivencias e experiências. Com esses procedimentos de investigação passou-se a desvelar o contexto do cárcere, na perspectiva dos detentos.
A pesquisa tem como cenários diversos presídios no Brasil, em Estados da Bahia, do Rio de Janeiro, da Paraíba, de São Paulo, do Pará e de Minas Gerais.A população eleita para a presente pesquisa qualitativa é composta por presos, por escolha intencional, capazes de permitir adentrar, sob mútua confiança, na pesquisa das representações sociais, sobre as experiências que estavam vivenciando no cárcere.  Buscou-se detentos dos quais se conhecia a gravidade das delações, das problemáticas de violências e coações a que estavam envolvidos; bem como de possíveis redes dentro e fora dos presídios.

RESULTADOS
                                         ...preso bom é preso morto”,

A analise de discurso dos entrevistados, apenados e agentes presidiários, através das falas nas entrevistas, dos ditos e não ditos  desvelou as condições  em que se encontram os detentos, jogados e esquecidos “nas masmorras” do desrespeito, esquecendo-se eles próprios de que são seres humanos. Ao invés de se reabilitar, o detido passa a nutrir um ódio cada vez maior pela sociedade que o colocou ali. Em sua mente, movido pela força natural de seu raciocínio, a sociedade não lhe deu emprego, educação ou qualquer condição que lhe garantisse a subsistência.
Observa-se que dentro das instituições pesquisadas em vários estados do Brasil,inclusive em Serrinha-Bahia; tomado como amostra , o ser humano sofre um processo de deformação e desconstrução pessoal, é “desprogramado” por um processo desumano, que começa com sua acolhida ou recepção, por meios de rituais, conhecidos como “boas vindas”, onde a equipe de supervisão, o grupo de internados, ou ambos, procuram deixar de forma bem clara a sua situação inferior no grupo em que estão adentrando. Ao ser “admitido” no presídio, após passar pelo seletivo processo de recrutamento do sistema penal,  o indivíduo é despido de sua aparência usual, ele é identificado, “recebe um número”, é tirada a sua fotografia, impressões digitais, distribuídas roupas da instituição, resumindo, um verdadeiro processo de “despersonalização”. Um indivíduo não é mais um indivíduo, ele passa a ser uma engrenagem no sistema da instituição, devendo obedecer a todas as regras da mesma, e, caso não o faça, será “reeducado” pelos próprios companheiros ou pela equipe de supervisão. A máquina da instituição total não pode nunca é parar...
Além da deformação e desconstrução pessoal que decorre do fato de a pessoa perder seu conjunto de identidade, existe a desfiguração pessoal que decorre de mutilações diretas e permanentes do corpo – por exemplo, marcas ou perda de membros. O importante é deixar claro, ao indivíduo, que o mesmo está num ambiente que não garante sua própria integridade física. Entretanto, seguindo o sistema, poderá não lhe ocorrer nada.( CALHAU ,1999).
Às falas dos apenados, a seguir transcritas, foram adicionadas observações da pesquisadora, nos contextos onde se deram o aprofundamento da questão: Quais são as significações construídas pelos presidiários em suas experiências de Direitos Humanos expressas nas vivências dos lugares, tempos e cenas da Instituição Penal? Entre os vários depoimentos tomados em varias instituições brasileira  escolhemos o Presídio Estadual de Segurança Máxima de Serrinha (BA).
Os seguintes depoimentos  foram  prestados à pesquisadora em Serrinha,por apenados e agentes de segurança ,sob garantia de privacidade dos informantes:
[...]A visita ao preso começa com a esposa que ao chegar ao presídio vai ser revistada. Agachamento: as mulheres têm que ficar nua, e geralmente é introduzido um objeto na vagina e no anu para verificação.
...Sob suspeita, 400 homens tiveram que ficar nus simultaneamente para revista, situação que humilhava não só os internos, mas também os próprios agentes. A revista individual implicava em posicionamento, disposição de partes intima. A ida diária à escola, em condições de trabalho ou ao banheiro implica em revista íntima o que é constrangedor.
...Os católicos transgridem as normas internas do presídio, dando acesso a noticia aos parentes, denunciado nos meios de telecomunicações as irregularidades internas.
...Os bens de consumo que são fabricados internamente, se consumidos antes do prazo de 30 dias, o interno vai ficar sem fazer a higiene completa.
...Para o ex - agente, o ambiente o piorava, porque ele convivia com muitas barbaridades, então ele se tornava também perverso. O ex- agente achava uma diversão, um passa tempo, bater no preso, colocava em posições não corretas as algemas de forma desconfortável, tratava os internos de viado, bicha, descarado.
...O preso, ao fazer qualquer reivindicação era torturado: espancamento com artefatos que não deixavam sequelas, porque estas eram internas, entre estes artefatos estavam cassetes fabricados de fibra especial; amedrontava com Pitbul próximo ao rosto do interno, fazia tortura mental dizendo que ele ia ser estuprado na cela.
...O interno, ao chegar ao presídio, sofre a pratica de ato libidinoso; todos os internos novatos servem de mulherzinha para os outros internos. O interno pede para morrer, e praticam suicídio.
...Caso do negão que estuprou os avôs e matou, foi condenado a 40 anos de reclusão. Um cara desses que está acostumado à pratica de estupro, dentro do presídio vai persistir na prática de estupro com os outros internos.
...O interno, quando não obedece às ordens da frente da cadeia, é espancado por vários outros internos, e o agente faz de conta que não vê.
...Após os espancamentos, os internos jogam o interno espancado no saguão, e somente ali é que os agentes percebem e conduz o preso à enfermaria. Caso o interno fique em estado grave, e se não tiver viatura, ele terá que ficar aguardando até a disponibilidade da viatura.
...Os espancamentos não são registrados. ...Os professores, o diretor, a assistente social, o psicólogo, médico, enfermeira, psiquiatra, cozinheiros, etc., tomam conhecimento dos espancamentos e outras violações sofridas pelo interno, e tudo que acontece “morre ali”. O próprio diretor do presídio orienta os profissionais que ali trabalham para não divulgar.
...O professor que ministra aulas no presídio não pode conversar com o interno. O contato entre o preso e o professor é proibido.
...O interno que comete alguma irregularidade é enviado para o castigo – o interno não é liberado para nada.Exemplo: o interno comete um ato irregular, reúnem todos os internos daquele pavilhão e os agentes pressionam aqueles internos a denunciar quem praticou o ato irregular, sendo que enquanto os internos não caguetar quem praticou a irregularidade, ficam os internos presos numa cela, sem direito a nada, não tomam banho, não tomam banho de sol, não se alimentam, não tem liberdade para ir ao sanitário, ficam todos juntos em isolamento num solarium.
...Os agentes sabem que ao se reunir os internos para um deles fazer a delação, os internos geralmente vão delatar o interno mais fraco, ou então, ao não aguentar mais o sofrimento, o tratamento desumano, a fome, a implicação de não direito à visita, um interno assume o erro, e vai ser levado para a triagem e ser espancado pelos agentes por ter assumido o ato considerado irregular.
...Um interno chegou por prática de estupro numa menor, e ao chegar ao presídio o diretor deu a ordem para conduzir o interno estuprador para uma cela individual, mas o agente fez de conta que não entendeu a ordem e conduziu o interno estuprador para uma cela com 16 homens e deu a alerta de que o interno era estuprador, menina, e o interno foi violentado pelos 16 que ali se encontravam.
....A senha indicando que o interno é estuprador ou pedófilo é o agente desmunhecar...O agente se delicia com todas as torturas e humilhações praticadas contra os internos.
..Num dia de domingo, sem a presença do diretor, o agente não tinha o que fazer, resolveu se divertir com um interno retirou: o interno da cela, e ao entrevistar o interno mandou ele dizer por que se encontrava preso, qual o seu crime, sendo que este procedimento é contrario à determinação do presídio.
...Este procedimento tinha a intenção de tornar o agente com mais raiva do interno para assim poder aplicar com mais raiva uma agressão capaz de satisfazê-lo.
...O interno a contar o que havia feito, mutilou uma criança todinha, desmembrando-a para se vingar da mulher dele que tinha traído ele. O agente chegou ao ápice da raiva, do ódio e começou a torturar espancar, o interno, batendo no ouvido, batendo nos rins. O interno reagiu e para se livrar se  jogou na parede tendo aberto o supercílio e sangrando. O agente, ao ver o ato do interno, continuou a dar pontapés nos rins, chute na cabeça. Toda essa cena foi assistida por mais 03 agentes que pediram para o agente agressor parar com aquela sessão de espancamento....O agente, por este ato pediu demissão e não foi punido. O agente se encontra hoje arrependido e passou por tratamento psicológico, mas ainda continua com ódio de internos.

Portanto, a grande maioria dos indivíduos presos não tiveram melhores oportunidades ao longo de suas vidas, principalmente a chance de estudar, para garantir um futuro melhor. Nesse sentido, o tempo que despenderá atrás das grades pode e deve ser utilizado para lhe garantir estas oportunidades que nunca teve, por meio de estudo e, paralelamente, de trabalho profissionalizante. Além de ajeitar as celas, lavar corredores, limpar banheiros etc., os detentos precisam ter a chance de demonstrarem valores que, muitas vezes, encontram-se obscurecidos pelo estigma do crime.

CONCLUSÃO

Tentei desnudar fatos, dores e revoltas. Fiquei então prisioneira dessas existências humanas, de voz amordaçada; do interior da “muralha de ferro”. Esta  pesquisa mostrou-se também como uma minha travessia para o campo expressivo do “outro”. Ali, nós aprendemos a apiedar-nos e a apiedar-nos dos outros, desvelar a realidade do cárcere à partir da construção humanística, do vínculo que construímos ao tecer, ponto a ponto, passo a passo, na escuta do próximo – a teia de significados. Ali, como advogada, aprendi a lidar com saudades,  frustrações,  medos,  angústias, revoltas, a partilha da dor. Mesmo para uma pesquisadora, especialista em Direito, não é nada fácil!
A principal conclusão deste artigo é que o Sistema Prisional Brasileiro é falido e mal organizado que pune o criminoso muito além da pena, a ele imposta e que aquele sistema  ainda é mais criminoso que o próprio criminoso. Sistema que fere gravemente a própria legislação brasileira, pois a pena vai muito além do crime em si cometido;e que não ressocializa o criminoso .
Diferentemente do que ocorre, o preso aprende outras modalidades de crimes e ainda em local promíscuo e sem qualquer interferência do Estado. Para que o preso possa melhorar sua conduta, vai sendo instruído por criminosos e facções criminosas onde passa a fazer parte integrante de grupos que vão muito além dos crimes que ele cometeu.
Conclui-se que o sistema carcerário no Brasil, hoje, está falido;requer mudanças paradigmáticas e institucionais.. Mudanças paradigmáticas porque neste sistema as penitenciárias se transformaram em verdadeiras “usinas de revolta humana”, uma bomba-relógio que o judiciário brasileiro criou no passado a partir de uma legislação que hoje não pode mais ser vista como modelo primordial para a carceragem no país.
Assim, ocorre a necessidade de modernização da arquitetura penitenciária, a sua descentralização com a construção de novas cadeias pelos municípios, ampla assistência jurídica, melhoria de assistência médica, psicológica e social, ampliação dos projetos visando ao trabalho do preso e à ocupação de sua mente-espírito, separação entre presos primários e reincidentes, acompanhamento na sua reintegração à vida social, bem como oferecimento de garantias de seu retorno ao mercado de trabalho, entre outras, são algumas boas medidas para desarmar esta bomba.
A grande maioria dos indivíduos presos não tiveram melhores oportunidades ao longo de suas vidas, principalmente a chance de estudar, para garantir um futuro melhor. Nesse sentido, o tempo que despenderá atrás das grades pode e deve ser utilizado para lhe garantir estas oportunidades que nunca teve, por meio de estudo e, paralelamente, de trabalho profissionalizante. Além de ajeitar as celas, lavar corredores, limpar banheiros etc., os detentos precisam ter a chance de demonstrarem valores que, muitas vezes, encontram-se obscurecidos pelo estigma do crime.
A conclusão final a que se chegou, nesta tese, é a de que dignidade não é algo que se vê com freqüência dentro dos presídios brasileiros. Muitas prisões não têm mais a oferecer aos seus detentos do que condições subumanas, o que constitui a violação dos Direitos Humanos. A realidade nua e crua é que os presidiários, no Brasil, são maltratados, humilhados e desrespeitados em sua dignidade, contribuindo para que a esperança de seu reajuste desapareça, justamente por causa do ambiente hostil que se lhe apresenta quando cruzam os portões da penitenciária.
Enfim, á semelhança de Dante, no Inferno, fui até o fundo das verdades encobertas e ouvi a voz e a fala daqueles que a “Muralha de Ferro” amordaça. Sai de lá com o dever cumprido e a honra de denunciar, neste artigo, às Organizações de Direitos Humanos, minha voz que jamais será amordaçada.

1 Advogada, Consultora jurídica; sakyamune@hotmail.com.
2. PhD em Economia pela Cornell University;; Professor Titular aposentado da UFBA; jasmmenezes@gmail.com.

*Tese apresentada à Universidade Autônoma de Lisboa, no Doutorado em Direito, como requisito parcial para obtenção do Título de Doutorado em Direito.

Referências

CALHAU, Lélio Braga. Presídios como instituições totais: uma leitura em Erwing Goffman. Jus Navigandi, Teresina, ano 3, n. 35, out. 1999. Disponível em: . Acesso em: 28 setembro  2013.
WACQUANT “A Aberração Carcerária à Moda Francesa, publicado em “Dados – Revista de Ciências Sociais”. Rio de Janeiro: Estrela Abreu, vol. 2, 2004, pp.215-232: (2007, p.455).
WACQUANT, L. (2007). Punir os Pobres: a nova gestão da miséria nos Estados Unidos. 3ª ed. Rio de Janeiro: Revan.
WACQUANt, L. (2001). As Prisões da Miséria. Rio de Janeiro: Zahar Editora.
OLIVEIRA, E. (2005). Vitimologia e Direito Penal: o crime precipitado ou programado pela vítima. Rio de Janeiro: Forense.
OLIVEIRA, E. A prisão contemporânea. A prisão dos primórdios. Perfil. Microsoft Power Point. Disponível em: www.esmape.com.br/dowloodsgeral/Globalização>. Acesso em 14.04.2007
Organização das Nações Unidas, ONU. (2001). Relatório Sobre Tortura no Brasil, Produzido pelo Relator Especial da Comissão de Direitos Humanos da ONU Sobre Tortura. Genebra, 11 abr. 2001 (anime). Disponível em: . Acesso em: 21 mai. 2001.
OLIVEIRA, E. (1997). Política criminal e alternativas à prisão. Rio de Janeiro. Forense
OLIVEIRA, E. (1993). “O Censo Penitenciário e a Crueza Existencial das Prisões no Brasil”. Ministério da Justiça/ Conselho Nacional de Política Criminal e Penitenciária, p.13.
Ministério da Justiça. (2000). Secretaria Nacional de Justiça. Departamento Penitenciário Nacional. Dados Consolidados - Total Brasil. Dezembro de 2000 (on line). Disponível em: http://depen.com. Acesso em: 07 fev. 2001.
MOSCOVICI, S. (2004). Representações sociais: investigações em psicologia. (2ª ed.). Petrópolis, RJ: Vozes.
Ministério da Justiça. (1994). Censo Penitenciário Nacional.
Ministério da Justiça. (s.d). Censo Penitenciário e a Crueza Existencial das Prisões no Brasil.
Ministério da Justiça. (s.d). Regras mínimas para o tratamento do preso no Brasil.
Ministério da Justiça. (s.d). Revista do Conselho Nacional de Política Criminal e Penitenciária, v. 1, n. 1. 
LUDKE, M.; ANDRÉ, M. E. D. (1986). A pesquisa em educação: abordagens qualitativas. São Paulo: EPU.
LAVILLE, C.; DIONNE, J. (1999). A construção do saber: manual de metodologia da pesquisa em ciências humanas. Porto Alegre: Artes Médicas; Editora UFMG.
JODELET, D. (1984). Representações sociais: fenômeno, conceito e teoria. Paris: Presses Universitaires de France.
Human Rights Watch, Hrw. (1998). Relatório: o Brasil Atrás das Grades (on line). Disponível em: <http://hrw.com>. Acesso em: 09 fev 2001.
GIDDENS, A. (2002). Modernidade e identidade. Trad. Plínio Dentzien. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editora.
SANTOS, Boaventura; Marques, Maria Manuel L.; Pedroso, João; Ferreira, Pedro L. Os tribunais nas sociedades contemporâneas. Porto, Afrontamento, 1996.
FOUCAULT, M. (1972). História da loucura. São Paulo: Perspectiva.
FREIRE, P. (1992). Pedagogia da esperança: um reencontro com uma pedagogia do oprimido. (3ª ed.). Rio de janeiro: Paz e Terra.
FREIRE, P. (1983). Pedagogia do oprimido. (13ª ed.). Rio de Janeiro: Paz e Terra.
FREIRE, P. (2001). Pedagogia dos sonhos possíveis. São Paulo: Editora Unesp.
FARIA JÚNIOR, J. (1996). Manual de criminologia. Curitiba, (2ª ed.) Juruá.
FOUCAULT, M. (1977). Vigiar e Punir: o nascimento da prisão. Petrópolis: Vozes, p.277.
DROPA, R. F.  Direitos Humanos no Brasil: a exclusão dos detentos. “Brasil 500 anos de Exclusão .2003.
COMPARATO, F. K. (2004). A afirmação histórica dos direitos humanos. (3ª ed.). São Paulo. Saraiva.
BECCARIA, C. (2003). Dos delitos e das penas. São Paulo: Martins Claret, (Coleção A obra prima de cada autor)
AZEVEDO, R. (2007, 28 Março). Crime e castigo dentro de nós. Revista Época.
Azevedo, J. E. (1997). A Penitenciária do Estado - As relações de poder na prisão. Dissertação de Mestrado. Universidade Estadual de Campinas.
Apap, Georges et. al., (2002). Restituir ao cidadão a consciência de suas potencialidades. In. A construção dos saberes e da cidadania: da escola à cidade. Porto Alegre: Artmed.
SALIBA, Marcelo G. e Saliba, Mauricio G. O bagaço não reciclável. Jus Navigandi, Teresina, ano 10, n° 1083, jun 2006.
FOUCAULT; Michel. Trad. Vassalo; Ligia M. Ponde. Vigiar e Punir: nascimento da prisão. Rio de janeiro. Vozes, 1984.
FARIAS.José Eduardo O sistema brasileiro de justiça: experiência recente e futuros desafios. Estudos Avançados, 18 (51), 2004.
CHRISTIE.Nils Crime Control as Industry: Towards Gulags, Western Style, 3ª ed. Londres: Taylon and Francis, 2001. Robert Weiss. Comparing Prison Systems: Toward a Comparative and International Penology. Nova Iorque: Gordon and Breach, 1999.
RAND Michael. Criminal victimization in the United States, 1994. Washington: Bureau of Justice Statistics, 1997. FBI – Uniform Crime Report, 1995. Washington: Government Printing Office, 1997.
CHAUVENET,Antoinette Françoise Ortic e BENGUIGUI.George Le Monde dês surveillantes de prison. Paris: PUF, 1994.
OLIVEIRA, Edmundo. Política criminal e alternativas à prisão. Rio de Janeiro: Forense, 1997.
FARIA JUNIOR, João. Manual de criminologia. 2ª ed. Curitiba: Juruá, 1996.
[1] Ministério da Justiça, Departamento Penitenciário Nacional (www.mj.gov.br/snj/depen/sipen/).
[1] Folha de S.Paulo, 16/10/2001, p. C3, "Seria Necessário Construir um Presídio por Mês".
[1] Ministério da Justiça, Secretaria de Estado dos Direitos Humanos. Disponível em:   .
[1] Allen J. Beck e Jennifer C. Karberg, Prison and Jail Inmates at Midyear 2000. Washington: Bureau of Justice Statistics Bulletin, U.S. Department of Justice, March 2001 (www.ojp.usdoj.gov/bjs/).
[1] O Estado de S. Paulo, 24/11/2001, p. C10, "Juiz Quer Indulto Para Presos em Fase Terminal". Jornal do Advogado (OAB/SP), novembro 2001, p. 9, "Doenças Graves e Contagiosas nas Carceragens".
[1] O Globo, 4/1/2002, p. 8, "Governo Vai Apurar Rebelião em Rondônia". Na véspera, a imprensa chegou a noticiar a morte de 46 detentos.
[1] O Globo, 5/1/2002, p. 5, "Diretor de Presídio Já Tinha Sido Condenado






sexta-feira, 20 de setembro de 2013

'O Som ao Redor' é indicado para tentar concorrer ao Oscar

O Ministério da Cultura anunciou nesta sexta-feira (20) a escolha do longa-metragem "O Som ao Redor", de Kleber Mendonça Filho, para concorrer a uma indicação ao Oscar de melhor filme estrangeiro.
Cena do filme "O Som ao Redor", dirigido pelo pernambucano Kleber Mendonça Filho
O longa - premiado na Mostra Internacional de Cinema de São Paulo de 2012, no Festival de Nova York em 2013 e no Festival de Roterdã de 2012, entre outros-- venceu os concorrentes "Colegas", "Faroeste Caboclo", "Gonzaga - De Pai Para Filho", "Uma História de Amor e Fúria" e "Meu Pé de Laranja Lima". "O Som ao Redor" também foi apontado pelo crítico do jornal "The New York Times" A. O. Scott com um dos dez melhores filmes do mundo em 2012. Com a indicação do país, o filme será apresentado à Academia de Artes e Ciências Cinematográficas dos EUA, que irá analisar sugestões de países de todo o mundo e irá escolher cinco finalistas no dia 16 de janeiro.
BELEZA
"Essa indicação sempre traz mais visibilidade ao filme. É muito cedo para dizer se vai ganhar ou se chegará a ser escolhido [como um dos finalistas da categoria de melhor filme de língua estrangeira]. Eu nunca fico esperando um prêmio, mas muita coisa boa aconteceu com esse filme. Eu não descartaria essa possibilidade [de vencer o Oscar]", disse à Folha o diretor pernambucano Kleber Mendonça Filho. "Acho que 'O Som ao Redor' é um filme muito pessoal, relativamente pequeno, que teve uma repercussão muito grande aqui e também fora do Brasil, então eu fico tranquilo. Se acontecer, beleza." "Eu achava que fosse um filme quase paroquial, local, mas foi a partir de Roterdã [o filme ganhou o prêmio da crítica internacional no festival, em 2012] que entendi que o filme parecia ter um caráter universal."
HISTÓRICO
A última vez que uma produção nacional foi indicada na categoria de melhor filme estrangeiro foi em 1999, com o longa "Central do Brasil". Também foram indicados "O Que é Isso Companheiro", em 1998, "O Quatrilho", em 1994, e "O Pagador de Promessas", em 1963. Outras obras relacionadas com o país também receberam nomeações, mas em outras categorias. As mais notáveis foram "Cidade de Deus", cujo diretor, Fernando Meirelles, concorreu ao prêmio de melhor direção em 2004; "Diários de Motocicleta", de Walter Salles Jr., que disputou o prêmio de melhor roteiro adaptado em 2005; e "O Beijo da Mulher Aranha", do argentino radicado no Brasil Hector Babenco, que concorreu ao prêmio de melhor filme em 1986 --mas era uma produção estrangeira. Outra produção lembrada pela Academia foi "Lixo Extraordinário", que concorreu ao prêmio de melhor documentário em 2010.
Um dos dez melhores filmes do ano, segundo o 'New York Times'
Homens fazem rondas com apito e colete preto e mudam por completo a rotina de uma vizinhança. A história é contada no filme pernambucano "O Som Ao Redor", de Kleber Mendonça Filho, que foi incluído na lista de dez melhores do ano do crítico A. O. Scott, que escreve para o "New York Times". No ranking, publicado na última sexta-feira (14), "O som ao redor" ficou na nona posição. A lista é liderada por "Amor", do austríaco Michael Haneke. Também foram incluídos "Lincoln", de Steven Spielberg, em segundo, e "Indomável Sonhadora", de Benh Zeitlin, em terceiro. "Em seu primeiro lançamento, 'Mr. Mendonça', um ex-crítico de cinema, faz crônica do ritmo diário de vida em um próspero condomínio de apartamentos na cidade litorânea brasileira do Recife. O que surge é um retrato sutil de uma sociedade em meio a uma rápida transformação social, ainda assombrada pela crueldade do passado feudal", descreveu A. O Scott no "New York Times". "O Som ao Redor" mostra um grupo de moradores de classe média no Recife que têm suas vidas mudadas com a chegada de seguranças particulares que oferecem serviço de proteção. O filme foi premiado nos festivais do Rio (Filme e Roteiro), Gramado (Som, Filme da Crítica, Filme do Público e Diretor) e na Mostra Internacional de Cinema de São Paulo (Filme), além de festivais internacionais como o de Copenhague e o de Roterdã.
Veja a lista dos dez melhores filmes de 2012, segundo o "New York Times":
1º - "Amor", de Michael Haneke - Um dia, Anne sofre um princípio de enfarte que a deixa paralisada. O marido terá que cuidar dela agora
2º - "Lincoln", Steven Spielberg - O filme é centrado na condução do Norte dos Estados Unidos à vitória na Guerra de Secessão (1861-1865)
3º - "Indomável Sonhadora", de Benh Zeitlin - Conta a história de uma menina de seis anos que vive com o pai, doente terminal, numa pequena comunidade
4º - "Nota de Rodapé", de Joseph Cedar - Eliezer é um professor que nunca ganhou reconhecimento. Tudo muda quando é indicado a um prêmio
5º - "O Mestre", de Paul Thomas Anderson - Homem carismático e inteligente cria uma organização baseada na fé que se torna popular nos anos 1950
6º - "A Hora Mais Escura", de Kathryn Bigelow - Aborda a caçada a Osama bin Laden, terrorista internacional morto durante uma operação militar no Paquistão
7º - "Django Livre", de Quentin Tarantino - Django é um escravo livre que parte para salvar sua mulher do inescrupuloso fazendeiro Calvin Candie
8º - "Adeus, Primeiro Amor", de Mia Hansen-Love - Camille e Sullivan se apaixonam no verão. Anos mais tarde, quando Camille se casa, Sullivan reaparece
9º - "O Som ao Redor", de Kleber Mendonça Filho - A rotina de uma vizinhança de classe-média muda após a chegada de um grupo de seguranças particulares
10º - "A Perseguição", de Joe Carnahan - Um caçador trabalha para uma empresa petrolífera. Seu desafio é manter a segurança dos demais funcionários.

Informações da Folha de São Paulo.