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segunda-feira, 13 de agosto de 2012

¨¨¨Landisvalth Blog: Será que foi censura?

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domingo, 12 de agosto de 2012

¨¨¨Landisvalth Blog: Uma ótima ideia: Programa incentiva bons alunos da...

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quinta-feira, 9 de agosto de 2012

Aleijadinho e o Barroco

Aleijadinho


A arte barroca de Aleijadinho
Antônio Francisco Lisboa, nosso Aleijadinho, tinha esse apelido devido a uma doença degenerativa que provoca a perda dos membros – discute-se se sífilis, lepra, tromboangeíte obliterante ou ulceração gangrenosa das mãos e dos pés. Nasceu na antiga Vila Rica (atual Ouro Preto), Minas Gerais, filho de um arquiteto português, Manuel Francisco Lisboa, e de uma escrava de quem se sabe apenas o primeiro nome: Isabel.
Aleijadinho foi arquiteto e escultor do Período Colonial, sendo considerado o artista mais importante do estilo Barroco no Brasil. Apesar de, formalmente, só ter recebido a educação primária, cresceu entre obras de arte, já que, além de seu pai, um dos primeiros arquitetos de Minas Gerais, conviveu muito com o tio Antônio Francisco Pombal, conhecido entalhador das principais cidades históricas mineiras.
Aleijadinho deixou mostras de seu talento em Ouro Preto, Sabará, Caeté, Catas Altas, Santa Rita Durão, São João del-Rei, Tiradentes e Nova Lima, cidades de Minas Gerais, onde desenhou e esculpiu para dezenas de igrejas. Em Mariana, assinou o chafariz da Samaritana e, a Congonhas do Campo, legou suas obras-primas: as estátuas em pedra-sabão dos 12 profetas (1800-1805) e as 66 figuras em cedro (1796) que compõem a Via-Sacra.
Ocupado com encomendas que chegavam de toda a província, Aleijadinho tinha mais de 60 anos quando começou a esculpir as famosas imagens de Congonhas do Campo. Nessa época, já deformado pela doença que lhe inutilizara as mãos e os pés, trabalhava com o martelo e o cinzel amarrados aos punhos pelos ajudantes. Apesar de ter sido respeitado em sua época, Aleijadinho, após sua morte, foi relegado a um quase esquecimento. O reconhecimento de que sua obra – o Barroco reconstruído dentro de uma concepção rigorosamente brasileira – havia sido a expressão máxima desse movimento no Brasil foi uma conseqüência da Semana de Arte Moderna de 1922.
ALEIJADINHO E O BARROCO MINEIRO
Nasceu em 1730, em Vila Rica (hoje Ouro Preto, Minas Gerais). O pai, que desenhava fachadas de igrejas e entalhava altares, fez o filho estudar e levou-o, já adolescente, a trabalhar em sua oficina. Em pouco tempo, António Francisco já demonstrava seu inimitável talento.
Impossibilitado de andar, era carregado às costas de escravos, da casa para a oficina. Ali, seus ajudantes amarravam-lhe o cinzel às mãos deformadas e ele trabalhava febrilmente, criando as mais belas estátuas do Novo Mundo. Foi depois da doença que sua obra começou a tomar-se realmente grandiosa: suas esculturas, caracterizando-se pêlos rostos emagrecidos, que deixam entrever os ossos sob a pele,e pelo exagero dos pés e mãos, impressionam pela originalidade. Os seus grandes grupos estatuários são desse período (1796 a 1799): Os Passos da Paixão em madeira, e os Doze Profetas, em pedra-sabão, que se encontram no Santuário de Bom Jesus de Matozinhos, em Congonhas do Campo.
Aleijadinho faleceu em 18 de novembro de 1814, com 84 anos, tendo passado os dois últimos anos de sua vida sem sair do leito, quase cego e paralítico. O Museu da Inconfidência, que se encontra em Ouro Preto, possui diversas estátuas de sua autoria, como as de São Jorge. Nossa Senhora e a do Senhor da Coluna. Igrejas de Sabará, Tiradentes, Nova Lima e outras têm imagens ou trabalhos de entalhe feitos em altares, púlpitos etc., que constituem atração turística.
ALEIJADINHO E A ARTE BARROCA
O profeta Daniel, por Aleijadinho

O artista produziu muito, mesmo doente.









O barroco foi o estilo que se manifestou em várias formas de arte na Europa ocidental e na América Latina, da metade do século XVI ao final do século XVII. A arte barroca é monumental, plena de detalhes dramáticos, dando origem, no século XVIII, a um estilo menos elaborado, chamado Rococó.
Contribuíram para a formação do estilo barroco três elementos da vida cultural da Europa ocidental. Primeiro, os artistas, a partir da segunda metade do século XVI, rebelaram-se contra a arte renascentista, que era contida e primava pela harmonia, simplicidade e equilíbrio simétrico. Os pintores, arquitetos e escultores barrocos conseguiram estabilizar-se em formas mais dramáticas e rebuscadas. Por exemplo, um arquiteto renascentista devia recorrer a elementos retangulares para alcançar perfeição e beleza. Os arquitetos barrocos, mais dramáticos, substituíram os elementos retangulares pelos curvos.
Em segundo lugar, muitos soberanos europeus pretendiam um estilo artístico que exaltasse seus reinos. Magníficos palácios barrocos, como Versalhes, na França, e o Zwinger, na Alemanha, expressaram o poder e a autoridade do chefe de Estado. O terceiro elemento foi a Contra-Reforma nos séculos XVI (últimos anos) e XVII, que provocou um sentimento de exaltação religiosa em diversas partes da Europa. As igrejas barrocas representam o drama e a emoção desse movimento religioso.
Costuma-se definir o barroco europeu como a arte do esplendor. Há uma estreita relação entre o desenvolvimento desta e as riquezas (pedras e metais preciosos) das colônias recém-descobertas. Uma pequena minoria de pessoas abastadas da Itália, França, Inglaterra, Espanha e Países Baixos procurou apoiar artistas que refletissem em suas obras a opulência das grandes fortunas. No Brasil do século XVIII, a adoção do estilo barroco vincula-se certamente com o descobrimento de minas e a conseqüente riqueza de algumas camadas da população. O barroco brasileiro coincidiu com o nascimento da consciência nacional, ao mesmo tempo que a favoreceu. Contando com o apoio dos protetores das artes - paróquias, confrarias e associações religiosas - tornou-se a primeira possibilidade de expressão artística do país.
Fonte: biografias.netsaber.com.br

Chico Buarque lança sexto álbum ao vivo com canções de sua primeira turnê


Gabriel de Sá – do Correio Braziliense  
Não é segredo para ninguém que o arredio Chico Buarque não é muito afeito a apresentações ao vivo. Qualquer admirador mais assíduo sabe que um show do compositor carioca, de 68 anos, deve ser visto como um grande acontecimento — tanto pela raridade quanto pela qualidade. À plateia brasiliense, por exemplo, ele ficou devendo um concerto de seu aguardado álbum Chico, de 2011. Para amenizar o anseio dos que não o viram frente a frente, Chico colocou na praça, esta semana, o disco duplo Na carreira, gravado a partir do último trabalho de inéditas.
De sua vasta obra fonográfica, com mais de 40 CDs, apenas cinco fazem parte de formato ao vivo. Este é o sexto. Na carreira foi gravado em fevereiro deste ano, no Rio de Janeiro, e é um registro da turnê que percorreu nove cidades brasileiras e já foi vista por 150 mil pessoas. Nele, estão todas as 10 canções de Chico, como Querido diário, Essa pequena e Sinhá.

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quarta-feira, 8 de agosto de 2012

¨¨¨Landisvalth Blog: Foz do Iguaçu: da Casa Verde às Cataratas

¨¨¨Landisvalth Blog: Foz do Iguaçu: da Casa Verde às Cataratas: Avenida Brasil em Foz do Iguaçu                         Landisvalth Lima Eu a as Cataratas do Iguaçu Foz do Iguaçu é uma cidade c...

terça-feira, 7 de agosto de 2012

Caetano 70 Veloso


Do portal Terra  
Caetano Veloso fez aniversário nesta terça-feira
Caetano Veloso em três fases da vida. (foto: divulgação portal oficial)
com o eterno amigo Gilberto Gil

Com Maria Gadu
Quinto de um "grupo" de sete filhos, Caetano Emanuel Vianna Telles Velloso nasceu no dia 7 de agosto de 1942, em Santo Amaro da Purificação, pequena cidade do Recôncavo Baiano, próxima de Salvador. Ele é filho de José Telles Velloso e Claudionor Vianna Telles Velloso, que ficou conhecida como Dona Canô. Nesta terça-feira (7), Caestano Veloso, um dos mais importantes nomes da Música Popular Brasileira e um dos pais do Tropicalismo, completa 70 anos de sucesso tanto na vida pessoal, quanto profissional.
Em 1947, começou a demonstrar seu gosto pela música, desenho e pintura. Adorava ouvir rádio e se encantava com as músicas de Luiz Gonzaga. Em 1952, fez uma gravação de Feitiço Da Vila, de Vadico e Noel Rosa, e Mãezinha Querida, de Getúlio Macedo e Lourival Faissal, para que a família ouvisse.
Fez show com Chico Buarque
no TCA, em 1972

Com Gal Costa, sua melhor intérprete.
Em 1961, aflorou ainda mais seu gosto por música e cinema. Escreveu críticas para o Diário de Notícias, que tinha a seção cultural dirigida por Glauber Rocha. No mesmo ano, aprendeu violão e começou a cantar com Maria Bethânia em bares de Salvador. Parceiros desde sempre, Caetano só conheceu Gilberto Gil, a quem já admirava antes mesmo de conhecer, em 1963. Foram apresentados pelo produtor Roberto Santana. No mesmo período, conhece Gal Costa e Tom Zé. Ainda em 63, decide se tornar cantor e compositor, após compor para as peças O Boca de Ouro, e A Exceção E A Regra.
Ainda na década de 60, se mudou para o Rio de Janeiro, lançou seu primeiro compacto simples. Em junho de 1966, estreia nos festivais e concorre no Festival Nacional da Música Popular, da TV Excelsior, com Boa Palavra, que fica em quinto lugar. No mesmo ano, Um Dia, recebe o prêmio de melhor letra, no 2º Festival de Música Popular Brasileira, da TV Record.
Tropicália e Ditatura
Em 1967, cantou Alegria Alegria, em conjunto com as guitarras elétricas dos argentinos dos Beat Boys. No 3º Festival de Música Popular, Gilberto Gil também apresentou Domingo no Parque. No mesmo ano, entra em curso o Tropicalismo, movimento organizado por Caetano, que propôs uma criação de um arte brasileria original e faz uma ponte entre o rural e o urbano. Nessa época, Caetano surpreendia ao aparecer no palco com brincos de argola, tamancos e batom.
Fina Estampa. Trabalho em espanhol

Qualquer coisa. Um dos mais queridos
Em parceira com Nara Leão, Os Mutantes, Torquato Neto, Rogério Duprat, Capinam, Tom Zé, Gil e Gal Costa, lançou Tropicália ou Panis et Circensis em 1968. Foi eliminado do Festival Internacional da Canção (TV Globo), com Proibido Proibii, e protagonizou uma cena inesquecível ao gritar para o público e aos jurados: "Vocês não estão entendendo nada!". Após lançar o compacto duplo que tinha A Voz do Morto, foi censurado e teve o disco recolhido. No mesmo ano, Veloso e Gil são presos, acusados de terem desrespeitado o hino nacional e a bandeira brasileira. Em 1969, são soltos e seguem para Salvador, em regime de confinamento. Em julho, partem para o exílio na Inglaterra.
De volta ao Brasil
Em 1972, Caetano Veloso voltou ao Brasil. Dois anos depois, lançou Temporada de Verão, ao lado de Gil e Gal Costa. Em 1979, apresentou-se em um festival na TV Tupi defendendo a canção Dona culpa ficou solteira, de Jorge Ben, onde foi vaiado e desclassificado. Nesse período, compôs canções como A Tua presença morena, Tigresa, Cajuína e London London. Ainda nos anos 70, lançou o disco Doces Bárbaros, com Gil, Gal e sua irmã, Maria Bethânia.
Na década de 80, lançou os discos Totalmente demais, que vendeu mais de 250 mil cópias, Outras Palavras, que lhe deu o primeiro Disco de Ouro de sua carreira, e Caetano Veloso, que trouxe regravações acústicas de seus sucessos. Participou do filme Tabu, em que viveu o personagem Lamartine Babo, e Os Sermões - A História de Antônio Vieira, como Gregório de Matos.
Transa, gravado em Londres.
Apostam que é seu melhor trabalho

Disco Uns. Com Dona Canô,
o pai e Dedé (1ª esposa)
Em 1993, retomou o Tropicalismo em Tropicália 2, que também comemorou os 30 anos de amizade de Gil e Caetano, com destaques para as músicas, Rap popcreto, Aboio, Dada e As coisas. Entre seus discos mais recentes, o destaque vai para Cê, de 2006.
Caetano Veloso foi casado com a atriz Dedé Veloso, com quem teve Moreno. Em 1986, se apaixonou por Paula Lavigne, com quem ficou por 19 anos. Ele ainda é pai de Zeca e Tom.
Discografia
1965 - Cavaleiro/Samba em Paz
1967 - Domingo
1968 - Caetano Veloso
1969 - Tropicália
1969 - Caetano Veloso
1971 - Caetano Veloso
1972 - Transa
1972 - Barra 69
1972 - Caetano e Chico Juntos e Ao Vivo
1973 - Araçá Azul
1974 - Temporada de Verão
1975 - Joia
1975 - Qualquer Coisa
1976 - Doces Bárbaros
1977 - Bicho
1977 - Muitos Carnavais
1978 - Muito - Dentro da Estrela Azulada
1978 - Maria Bethânia e Caetano Veloso ao Vivo
1979 - Cinema Transcendental
1981 - Outras Palavras
1982 - Cores, Nomes
1983 - Uns
1984 - Velô
1986 - Totalmente Demais
1986 - Caetano Veloso
1986 - Caetano Veloso
1987 - Caetano Veloso
1989 - Estrangeiro
1990 - Sem Lenço Sem Documento - O Melhor de Caetano Veloso
1991 - Circuladô
1992 - Circuladô Ao vivo
1993 - Tropicália 2
1994 - Fina Estampa
1995 - Fina Estampa ao Vivo
1997 - Livro
1998 - Preda Minha
1999 - Omaggio a Federico e Giulieta ao Vivo
2000 - Noites do Norte
2000 - A Bossa de Caetano
2001 - Noites do Norte ao Vivo
2002 - Eu Não Peço Desculpa
2004 - A Foreign Sound
2006 - Cê
2007 - Cê Ao Vivo
2008 - Roberto Carlos e Caetano Veloso e a música de Tom Jobim
2009 - Zii e Zie
2011 - MTV Ao Vivo - Zii e Zie
2011 - Caetano Veloso E Maria Gadú - Multishow Ao Vivo

domingo, 5 de agosto de 2012

Ensaio: A práxis social e a ética aparente na educação


                       Landisvalth Lima
O alicerce básico deste ensaio é o artigo Ètica e ontologia em Lukács e o complexo social da educação, assinado por Mônica Mota Tassigny e publicado na Revista Brasileira de Educação, nº 25. Lá, a autora mostra as nuances da natureza da relação do processo educacional do homem com a realidade material e social, tendo como norteadores as ideias do pensador húngaro. Aqui, pretende-se ampliar o debate chamando para o centro das discussões dois contos de Machado de Assis: O espelho e Teoria do Medalhão, ambos integrantes da coletânea Papéis avulsos, publicada inicialmente em 1882.
Citando Lukács, Mônica afirma que o filósofo vê a história da humanidade focada na tensão entre dois polos: o gênero humano e as ações dos indivíduos. No primeiro caso há dois formatos reveladores do ser: o em-si – que pode ser confundido com uma espécie de negação do eu, recolhimento do ego - e o para-si – tradução do pensar no ser como produto de transformação e libertação. O nível de conflito do gênero humano com as ações dos indivíduos determinará o nível da nossa práxis social. Mais claramente, é o que mostrará se agiremos como produto da História ou como agente dela, como ser alienado às imposições do capitalismo ou como ser impulsionador de liberdade e de autonomia.
Machado de Assis
Chega a ser um sacrilégio a não adoção da obra de Machado de Assis no meio acadêmico como forma de dissecar o mundo complexo da alma humana, inclusive como forma de fazer entender as teorias filosóficas. É verdade que seus livros são muito bem divulgados e adotados nas escolas de ensino médio, muito mais como leitura obrigatória da disciplina de Língua Portuguesa do que como mecanismo de compreensão da História, da Filosofia e da Sociologia. Aqui, como recurso argumentativo, vão os dois preciosos contos. Primeiro, O espelho, um esboço da alma humana.
Trata-se da história de Jacobina, um homem que evitava expor as suas opiniões para seus amigos. Ele não queria discutir ou debater. Polemizar era um ato que entendia como uma perda de tempo. Mas a narrativa se inicia porque o protagonista havia sido obrigado a expressar sua opinião sobre a existência da alma. Expõe, então, uma curiosa teoria sobre a existência de duas almas. Uma fala de dentro para fora e a outra de fora para dentro. Uma se impõe sobre a outra. Para provar sua teoria, conta uma história passada em sua juventude, quando havia recebido o título de Alferes da Guarda Nacional. Era apenas um título e uma farda, mas isso trouxe à personagem notoriedade tamanha. Tanto que sua tia Marcolina pede para que ele passe uns dias em seu sítio, só para ter a honra de receber em suas terras um parente Alferes e poder exibi-lo. Ele é ovacionado o tempo todo.
Antes de se retirar para uma viagem urgente em cuidado de uma filha, Marcolina deixa no quarto do Alferes Jacobina um espelho, o móvel melhor da casa. Era uma homenagem. Com a partida da tia, Jacobina fica só com os escravos, mas estes fogem no dia seguinte. O protagonista entra em contato com a solidão, sem ninguém para elogiar seu cargo e sua farda. Chega a uma crise tal que pensa em praticar suicídio. Seu único momento de alívio era quando dormia e em seus sonhos via as pessoas elogiarem sua farda. Certa hora, acidentalmente se olha no espelho e percebe a sua imagem muito difusa, pouco nítida. Supera, no entanto, o desespero e tem uma ideia salvadora: veste a farda e se coloca diante do espelho. Espantosamente, sua imagem está nítida. Passa, então, a dedicar uma determinada hora do dia para olhar-se no espelho e admirar a sua vestimenta, o que lhe garante a sobrevivência sem solidão no final do período de 14 dias em que ficou sozinho.

                                    — O alferes eliminou o homem. Durante alguns dias as duas naturezas equilibraram-se; mas não tardou que a primitiva cedesse à outra; ficou-me uma parte mínima de humanidade. Aconteceu então que a alma exterior, que era dantes o sol, o ar, o campo, os olhos das moças, mudou de natureza, e passou a ser a cortesia e os rapapés da casa, tudo o que me falava do posto, nada do que me falava do homem. A única parte do cidadão que ficou comigo foi aquela que entendia com o exercício da patente; a outra dispersou-se no ar e no passado. Custa-lhes acreditar, não?

O conto revela a visão de mundo de Machado de Assis parelha à de Lukács. A alma externa, que fala de fora para dentro, é o status social, o prestígio, o glamour e impõe domínio sobre o eu do ser. Anula o livre arbítrio e joga o ego ao lixo, gerando servilismo e práticas sociais alienadoras. Ou seja, o ser aceita o que está posto e vira vassalo do status quo. Em troca, a alma fica sendo massageada. É o gênero humano em-si lukacseano. Ou seja, o ser vira produto da história e de suas vontades determinadas pelo meio social.
O outro conto é o diálogo Teoria do Medalhão
O enredo revela um pai em conversa com seu filho, que faria 22 anos no dia seguinte e, consequentemente adquiriria sua plena independência. Após o jantar, respondendo pergunta do filho sobre qual profissão seguir, aconselha que seu pupilo cultive o ofício de medalhão. O que era então ser medalhão? Moderar os impulsos da mocidade e saber que, aos quarenta e cinco anos, seria a idade em que o medalhão normalmente se manifesta. Alguns um pouco mais velhos, outros, ainda mais jovens, sendo estes últimos verdadeiros prodígios. Outra era abster-se de ter ideias. Com a idade pode ser que elas viessem, mas deve preveni-las fazendo atividades que não permitam seu surgimento: jogar bilhar, ter retóricas, passear na rua – desde que seja acompanhado, para que a solidão não dê margem às ideias - ir a uma livraria, mas para contar uma piada, um caso, um assassinato, e não para outro fim, pois a solidão não convém ao fim do ofício. Com isso, em até dois anos pode reduzir-se bastante o intelecto.
O filho reclama que não pode enfeitar muito aquilo que fala ou escreve, ao que o pai diz que pode empregar figuras, sempre a carregar citações, máximas, discursos prontos, até mesmo frases feitas, procurando poupar problemas e discussões. Mas convém saber das descobertas e interesses das ciências do momento com o tempo, pois seus significados e terminologia, sendo aprendidos sem a interferência de professores e mestres, não oferecem o perigo de formular ideias. Também é mencionado pelo pai ainda os benefícios da publicidade. Em vez de escrever um tratado sobre os carneiros, é melhor servi-lo num jantar aos amigos e revelar o evento aos quatro cantos.  Deve-se também fazer festas, ter figuras da imprensa nelas para que se torne público seu acontecimento. Com o tempo, por tornar-se conhecido, passará a ser chamado para festas como figura indispensável.  
Pode-se virar político também, usar a tribuna para chamar à atenção pública, mas sem adotar ideia de partido nenhum, muito menos ideias novas.  O filho indaga se não deve ter nenhuma imaginação ou filosofia. O pai responde que não, mas deve falar sobre "filosofia da história", mas sem sabê-la, devendo fugir de tudo que leve à reflexão. Vendo que já é meia noite, o pai pede ao filho que vá dormir e pense bem no que foi conversado. Ou seja, o pai ensinou ao filho como manipular o jogo da convivência social em benefício próprio.  O medalhão é o profissional oportunista.

                             — Nem eu te digo outra coisa. É difícil, come tempo, muito tempo, leva anos, paciência, trabalho, e felizes os que chegam a entrar na terra prometida! Os que lá não penetram, engole-os a obscuridade. Mas os que triunfam! E tu triunfarás, crê-me. Verás cair as muralhas de Jericó ao som das trompas sagradas. Só então poderás dizer que estás fixado. Começa nesse dia a tua fase de ornamento indispensável, de figura obrigada, de rótulo. Acabou-se a necessidade de farejar ocasiões, comissões, irmandades; elas virão ter contigo, com o seu ar pesadão e cru de substantivos desadjetivados, e tu serás o adjetivo dessas orações opacas, o odorífero das flores, o anilado dos céus, o prestimoso dos cidadãos, o noticioso e suculento dos relatórios. E ser isso é o principal, porque o adjetivo é a alma do idioma, a sua porção idealista e metafísica. O substantivo é a realidade nua e crua, é o naturalismo do vocabulário.

Observe-se que em Teoria do Medalhão há um ser que tem consciência de que pode manipular vícios e comportamentos sociais em benefício próprio. Não se trata de um ser preocupado com o status, mas com a manipulação deste status para um dia usufruir dele. É a alma que fala de dentro para fora, que tem consciência do seu posicionamento social e que se vê como agente da História. Malgrado o uso deste poder da alma para um certame estritamente individualista, não deixa de ser o gênero humano do para-si de Lukács. Aqui o exterior não anula o interior. O ego não se submete, não se anula. Adapta-se para transformar em seu benefício, como poderia fazer isso em benefício do conjunto da sociedade.
Podemos aplicar esta visão ontológica do ser de Lukács à prática do professor como profissional. Há dois caminhos da práxis do educador que não ferem nenhuma ética. Ser um Jacobina ou ser um Medalhão do bem. Para isso leva-se em consideração a educação como um processo ideológico de manutenção de um sistema ou da transformação dele. Não se trata de algo inerente ao ser biológico. Não é o instinto que nos garante a reprodução da espécie determinado pela força ou pelo medo. Trata-se de um processo, de uma autorregulamentação da práxis social e alicerce de sobrevivência de sistemas sociais. Ou seja, a sobrevivência dos regimes, socialismo e capitalismo por exemplo, mantidos por um status quo está siamesamente atrelada à evolução ou à decadência da educação.
E recai sobre o profissional ter esta consciência. Sua atitude ética ante o mundo em que vive passa pela adoção do em-si ou do para-si. Como pode um professor agir diante de uma educação que está revelando o seu país ou sua comunidade para o mundo? Como um professor na Coreia do Sul ou no Canadá deve agir, vendo seus alunos no topo da lista dos mais desenvolvidos? Aceitar o que está posto, conformar-se com o sucesso e cuidar para manter o que está dando certo. E aqui no nosso mundo Brasil? Como deveremos agir? Se adotarmos o comportamento aconselhado pelo pai do conto Teoria do Medalhão, conseguiremos facilmente passar pelos 30 anos de profissão, numa postura perfeitamente ética e irrepreensível. É a prática do para-si individualista.
Este professor medalhão tem consciência dos labirintos das estruturas sociais e as manipula para seu proveito. Fará vistas grossas à corrupção, ao mandonismo, aos projetos mirabolantes que não dão em nada, ao exercício de cargos inúteis, aos colegas que defendem a escola pública com unhas e dentes, mas seus filhos estão matriculados numa escola particular. Este é o profissional que adota a profissão como meio de ascensão social e não está nenhum pouco preocupado com o desempenho do todo, mas da parte – ele.
Precisamos de medalhões do bem. Um exército deles, na verdade. Não cabem aqui professores como os da Coreia e do Canadá. Só há duas formas de chegarmos ao topo: ou pela força econômica ou pela força da inteligência. Japão e Coreia do Sul chegaram pela inteligência. A China chega pela força da economia. Já temos força econômica. Resta-nos a inteligência. Por quê? Aqui a educação sempre foi mais discurso e menos prática. Aqui a educação é para beneficiar poucos. Os agentes educacionais não são medalhões do bem.
Tudo isto se se pensar na consolidação de um capitalismo mais humano, caso seja possível, ou, pelo menos, numa social democracia capitalista. E mesmo que caminhemos para um socialismo democrático, este só será mais justo se tivermos uma sociedade educada no sentido mais completo possível da palavra. Não se pode pensar hoje numa sociedade civil moderna, sob qualquer regime, onde os professores não ensinam, mas cumprem horário; os alunos não estudam, mas cumprem tarefas e o governo não administra, mas manipula orçamentos.
Mas o ato da prática do gênero humano do para-si é do indivíduo. É ele, o professor, que terá como meta o desejo de manipulação das peças do jogo social em benefício da melhoria da própria sociedade. Ele tem que trazer dentro dele esta coisa abstrata do ver o errado e não concordar, querer meter o bedelho para transformar. É o ser que não se distancia jamais da capacidade de se indignar. Esta predisposição para a rebeldia é fruto de uma boa educação. Não é na escola que ela nasce, mas é a escola que rega estas sementes já predispostas.
E quando se fala em rebeldia, vem logo a relação com os movimentos sociais, os sindicatos, os partidos da linha esquerdista. É claro que eles representam a luta pela correção das injustiças históricas, aqui no Brasil e em vários países, praticadas contra várias classes sociais, dentre elas a dos trabalhadores da educação. Mas não é só isso. Os médicos ganham um pouco mais que os professores, e a saúde é um caos. Os desembargadores ganham altos salários, e a Justiça é também um caos. O problema é muito mais complexo e passa pela questão cultural. Não é segredo que as distorções ocorridas nestas áreas têm grande contribuição do fracasso da escola pública brasileira, fruto de discursos históricos e práticas desastrosas. 

quarta-feira, 25 de julho de 2012

¨¨¨Landisvalth Blog: Retratos da Ditadura

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