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domingo, 10 de março de 2013

O Professor do Futuro


Na dianteira da evolução digital que move o mundo do conhecimento na internet, o norte-americano Salman Khan propõe uma revolução: ensinar a todos, gratuitamente e em qualquer lugar.
Por Camilo Gomide – da revista PLANETA
Salman Khan - o desafio de levar educação para todos
Em 2012, o site da Khan Academy, do norte-americano de ascendência indiana Salman Khan, batia recordes. Além de crescer 400% ao ano, mais de seis milhões de pessoas o acessavam por mês, não em busca de entretenimento, mas de aulas, em sua maioria, de ciências exatas. Seus vídeos tiveram mais de 140 milhões de visualizações. Mais de meio bilhão de exercícios escolares foram feitos. Nessa audiênca cativa estão os computadores da família de Bill Gates, o dono da Microsoft, que assiste, entusiasmado, às aulas com os fi lhos.
O modelo de ensino digital do professor Khan não difere muito de outras iniciativas encontradas na internet. Cursos e plataformas de ensino digitais coexistem com a Khan Academy há certo tempo e estão em crescente expansão. Um bom exemplo são os vídeos de aulas de universidades internacionais de renome como o Massachusetts Institute of Technology (MIT) – na qual o próprio Khan se graduou em matemática e engenharia elétrica – e a Universidade Stanford, na Califórnia. Mas, apesar da tradição, as duas instituições juntas jamais somaram tantas visitas quanto o site tocado apenas por Khan antes de se profi ssionalizar, em 2010.
Suas aulas são simples. Na tela, imagens, desenhos e rascunhos de próprio punho vão surgindo para ilustrar o raciocínio do professor de 36 anos. Os vídeos são curtos, com duração média de 15 minutos, para evitar a dispersão do aluno. O criador do método parte da tese de que a capacidade de concentração de um aluno num mesmo assunto não passa de 18 minutos. Por motivos similares, Khan também nunca aparece nos vídeos, pois acredita que a figura do professor é fonte de distração. Mestre em ciência da computação, o professor indiano-americano, na verdade, criou um software simples com exercícios e respostas para os problemas escolares.
O que poderia, então, justificar tamanho sucesso? “O que eu acho que realmente cativou as pessoas nos vídeos foi a informalidade. Elas viam que aquilo era de verdade e falava para elas”, explicou Khan em São Paulo, em janeiro passado, onde veio difundir seu método, depois de apresentálo à presidenta Dilma Rousseff, em Brasília. Na capital paulista também aproveitou para lançar a edição brasileira do seu livro Um Mundo, uma Escola (Editora Intrínseca).
Solução familiar
Os esboços do que viria a se tornar um programa fenômeno de ensino online surgiram sem pretensão. Em 2004, Khan ofereceu-se para dar aulas de reforço escolar à prima Nadia. A garota de 12 anos saíra-se mal numa prova final de matemática do sexto ano. Mesmo desmotivada, acabou aceitando a ajuda. O problema era que Nadia morava em Nova Orleans, a 2.450 quilômetros de Boston, onde Sal, como é conhecido, vivia na época. A distância foi contornada por conversas por telefone e duas mesas digitalizadoras, que permitiam aos primos visualizar, pelo computador, os cálculos que faziam.
Deu mais do que certo. Nadia refez a prova e recuperou a nota. Seus irmãos mais novos também começaram a pedir aulas pela internet com Khan e a moda foi pegando. Em dois anos, mais gente da família aderiu ao método, que, àquela altura, passou a utilizar vídeos e um software gerador de exercícios desenvolvido pelo próprio Sal. “Em 2006, eu me peguei dando aula para 10 ou 15 primos”, contou Khan, em São Paulo.
Empolgado com os resultados, seguiu o conselho de um amigo e passou a publicar as videoaulas no YouTube. Mesmo sem publicidade, seu trabalho começou a ser visto por pessoas fora do círculo de convivência. No início de 2009, os acessos já chegavam a milhares e exigiam cada vez mais esforço de Khan, que se desdobrava para conciliar a atividade filantrópica com o ganhapão de analista de fundos de investimento – cada vez menos estimulante.
Embora convencido do potencial da Khan Academy, Sal não tinha a intenção de cobrar pelas aulas. Sua inspiração é do tipo missionária: oferecer educação de qualidade online gratuita para todos em qualquer lugar do mundo. No entanto, precisava de renda para sustentar a mulher, estudante de medicina realizando residência médica, e um fi lho recém-nascido. Resolveu, então, assumir o risco de viver um tempo com suas economias até encontrar um patrocinador. Eventualmente, recebia doações, mas nada expressivas.
Tudo mudou quando, em 2010, o projeto despertou a atenção do Google e de Bill Gates, que se declarou fã das suas aulas no palco em um evento dedicado a discutir ideias inovadoras em Aspen, Colorado. Daí para o estabelecimento de uma parceria que garantiria o aporte necessário para potencializar o crescimento da Khan Academy foi questão de semanas. Como aluno, a contribuição do criador da Microsoft foi modesta, mas como patrono o aporte foi determinante. O US$ 1,5 milhão doado pela Fundação Gates e mais um investimento de US$ 2 milhões do Google permitiram a Khan tentar, à sua maneira, transformar a educação.
Da internet à classe
A efi ciência das videoaulas digitais foi posta à prova em escolas de Los Altos, no Vale do Silício, na Califórnia. Todas as turmas (duas de quinto ano e duas de sétimo) que participaram do projeto piloto de matemática obtiveram resultados excelentes em exames estaduais padronizados de profi ciência. A essa altura, Khan, agora acompanhado por uma equipe, tinha desenvolvido mais um software, capaz de fornecer um monitoramento detalhado do rendimento dos alunos para ajudar os professores a orientar as aulas.
Toda essa tecnologia despertou o interesse de outras instituições, da mídia e também de países como o Brasil. Em 16 de janeiro, na véspera de uma reunião com Khan, o ministro da Educação, Aloizio Mercadante, anunciou a adoção das suas videoaulas nos 600 mil tablets que serão distribuídos pelo Ministério da Educação, a partir deste ano, a professores de ensino médio de escolas públicas no país. O governo também anunciou a criação de um portal online, aberto, contendo vídeos de aulas e palestras em todas as áreas do conhecimento, a ser produzido com conteúdos das universidades federais brasileiras.
“Fiquei impressionado com a energia do governo brasileiro”, disse Khan à PLANETA. “Em apenas doze horas no Brasil me reuni com o ministro da Educação e com a presidente. Eles me pareceram bastante empenhados. Espero que dê resultados.” Em São Paulo e em Santo André, dez escolas públicas do terceiro ao quinto ano do ensino fundamental já participam de um projeto-piloto que usa tecnologia da Khan Academy. O trabalho é resultado de uma parceria com a Fundação Lemann, do empresário Jorge Paulo Lemann, dono da cervejaria belgo-brasileira AB Inbev, que já traduziu 400 vídeos para o português, além de adaptar os softwares à realidade do nosso país. Ao longo de 2013, o plano é traduzir mais 600 vídeos de matemática. Lemann doou R$ 10 milhões ao projeto para implantá-lo em 200 escolas. No Rio de Janeiro, cerca de 1.000 escolas da rede municipal já estão usando vídeos de Khan em sala de aula, segundo a secretária de Educação, Cláudia Costin.
De acordo com a Fundação Lemann ainda não é possível falar em impacto no aprendizado, já que o projeto está sendo desenvolvido há apenas um ano. No entanto, as perspectivas são animadoras. “O que a gente percebe de imediato é o aumento da disposição dos alunos para estudar matemática e um maior engajamento nas aulas. O nosso software, assim como o da Khan, tem um componente de jogo que motiva os estudantes”, diz Daniela Caldeirinha, coordenadora de projetos da Fundação Lemann. O uso dos relatórios dos alunos também ajudou os professores a otimizar o trabalho em sala de aula. “Eles podem identifi car algumas dificuldades e fazer intervenções mais precisas”, afirma Daniela.
Conhecimento
Cada vez mais universidades alinhadas à filosofia de ensino gratuito de qualidade na internet têm produzido conteúdos para cursos abertos, conhecidos em inglês como open courses. Em sites como o coursera (www.coursera.org), universidades americanas de ponta, como Stanford e Princeton, divulgam videoaulas com cursos completos em diferentes áreas do conhecimento. “Esta é uma forma de garantir o acesso ao conteúdo universitário de alta qualidade a uma parcela maior da população que não tem condições de frequentar o ensino superior. Trata-se de um direito fundamental do ser humano”, diz Daphne Koller, professora de Stanford e cofundadora do portal.
Em menor número, universidades brasileiras começam a seguir o exemplo. A Universidade Estadual Paulista lançou em 2012 o Unesp Aberta (www.unesp.br/unespaberta), site feito a partir de conteúdo multimídia utilizado em cursos de ensino a distância. A Fundação Getulio Vargas e a Universidade do Sul de Santa Catarina (Unisul) já integram o Open Course Ware Consortium (www.ocwconsortium.org), organização internacional que estimula o compartilhamento de recursos educacionais online.
“Com a revolução da internet, não tem mais sentido as universidades quererem trancafiar o conhecimento dentro de si mesmas”, afirma Murilo Matos Mendonça, membro da mesa diretora do OCW e professor da Unisul. “Essa barragem transbordou e não é mais capaz de conter o fluxo de conhecimento que está por aí. Uma forma de a universidade continuar a ser relevante é adotar uma postura de compartilhamento e colaboração e mudar suas estratégias dentro da sociedade”, diz o professor.
Mas a questão não é de simples solução. No Brasil, as modalidades de ensino a distância ainda encontram resistência de boa parte da sociedade, seja por ignorância por falta de meios e de acesso à internet, seja por desconfiança com o processo pedagógico a distância ou mesmo pela recusa em compartilhar os direitos autorais dos conteúdos. Há baixa adesão a iniciativas como a OCW, da qual apenas seis instituições nacionais são membros.
“Enquanto no MIT todo o conhecimento científico produzido está disponível online, via Open Course Ware, a PUC-SP ainda vive no sistema de xerox para alunos”, critica Ladislaw Dowbor, professor de economia e administração da PUC-SP. “A gente investe tanto em educação e acaba com o acesso travado por conta do copyright; é preciso facilitar o acesso online, esse é o eixo democrático.”
Para alguns educadores, essa relutância significa atraso. “Não tem mais como separar o modelo de aprendizagem por modalidades, presencial ou a distância. As ferramentas que outrora eram exclusivas do ensino a distância, como o Google, hoje regem o dia a dia”, explica Stavros Xanthopoylos, diretor do FGV online (www5.fgv.br/ fgvonline/). “Os modelos educacionais não podem prescindir das ferramentas que movem a vida pessoal e profissional das pessoas. Ter preconceito do uso desses instrumentos no modelo educacional significa estar fora da realidade”, afirma Xanthopoylos.
Entre os defensores dos recursos educacionais abertos não falta quem critique a falta de aprofundamento no debate pedagógico em torno do uso das novas tecnologias digitais. Mas o valor da democratização do conhecimento pela internet é ponto pacífico. “É muito empolgante pensar que o mesmo conteúdo usado por Bill Gates e filhos está sendo utilizado por crianças em um orfanato na Mongólia”, disse Salman Khan à uma audiência atenta à revitalização da educação em São Paulo.

Chaga histórica


Para historiador, o principal ônus da era Chávez foi o ódio dos microfones do poder contra os que divergiam desse mesmo poder
Enrique Krauze – artigo publicado em O ESTADO DE SÃO PAULO
Chávez magnetiza a massa na Plaza Caracas em fevereiro
de 1998: legado polêmico.
(Foto: Jorge Santo/AP)
Ele tinha uma concepção polarizada do mundo. Via o mundo dividido entre amigos e inimigos, entre chavistas e pitiyanquis (simpatizantes dos americanos), entre patriotas e traidores. Descobri sua vocação social em livros e ensaios. Mas uma coisa é a vocação social, outra a forma na qual essa vocação é praticada. Obcecado por uma admiração anacrônica pelo modelo cubano, Hugo Chávez tumultuou as instituições públicas venezuelanas, corrompeu a companhia estatal Petróleos de Venezuela SA e foi protagonista do que poderá se revelar o maior desperdício de riquezas públicas de toda a história latino-americana. Mas embora os seus erros econômicos sejam de tão grande magnitude, empalidecem diante das chagas políticas e morais que infligiu ao país.
Chávez não só concentrou o poder: ele confundiu, ou melhor, fundiu sua biografia pessoal com a história venezuelana. Nenhuma democracia prospera onde um homem supostamente "necessário", único e providencial reivindica a propriedade privada dos recursos públicos, das instituições públicas, do discurso público, da verdade pública. O povo que tolera ou aplaude essa delegação absoluta de poder numa só pessoa abdica de sua liberdade e condena a si mesmo à adolescência cívica, pois essa delegação supõe a renúncia à responsabilidade sobre seu destino.
O principal prejuízo é a discórdia no interior da família venezuelana. Nada me entristeceu mais nas visitas a Caracas (nem sequer a escalada da criminalidade ou a visível deterioração da cidade) do que o ódio dos microfones do poder contra o amplo setor da população que divergia desse poder. O ódio dos discursos, dos cartazes, dos punhos fechados, dos arrogantes porta-vozes do regime em programas de rádio e TV, das redes sociais infestadas de insultos, mentiras, teorias conspiratórias, desqualificações, preconceitos. O ódio do fanatismo ideológico e do rancor social. O ódio surdo à razão e impermeável à tolerância. Essa é a chaga histórica que o chavismo deixa. Quanto tempo levará para sanar? E poderá sanar? É um milagre que a Venezuela não tenha desembocado na violência partidária e política.
Há algumas semanas, com o agravamento da doença de Chávez, antecipei sua imediata santificação, como ocorreu com Evita Perón na, mas, dada a tradição caudilhista da Venezuela, a sacralização de sua figura será mais profunda e permanente. Hugo Chávez conseguiu a imortalidade com que sempre sonhou. Na alma de muitos dos seus compatriotas (e de não poucos simpatizantes na América Latina), ele compartilhará das glórias do Libertador. Até o comandante Fidel Castro poderia sentir-se relegado, vítima de um suave, porém implacável parricídio.
O que acontecerá agora, depois de sua morte? Tudo pode ocorrer, até a divisão interna do chavismo em uma ala ideológica e uma militar ou a vitória da oposição. Contudo, é provável que o sentimento de pesar, somado à gratidão que um amplo setor da população sente por Chávez, facilitem o triunfo de um candidato oficial nas eventuais eleições. Para isso contribuirão os órgãos eleitorais, fiscais, judiciais e - em parte - os legislativos, que continuarão nas mãos do chavismo. Seu retrato, sua cadeira vazia, sua imagem retransmitida interminavelmente acompanharão por algum tempo o novo presidente. Mas todo sofrimento tem um fim. E, neste momento, chavistas não chavistas deverão enfrentar a gravíssima realidade econômica.
Os indicadores de alarme são de domínio público. O déficit fiscal corresponde a 20% do PIB, cerca de US$ 70 bilhões. O dólar, cotado a pouco mais de 6 bolívares, triplica no mercado negro. A inflação vem sendo há anos, a mais elevada da região. A escassez (decorrente do desmantelamento do parque industrial, do êxodo da classe média profissional e da falta crônica de investimentos) virou quase uma tradição venezuelana. Há uma aguda carestia de divisas. Como explicar que um país, que na era de Chávez auferiu mais de US$ 800 bilhões em receitas petrolíferas, apresente contas tão alarmantes?
Boa parte da explicação está no petróleo. Em 1998, a Venezuela produzia 3,3 milhões de barris diários e exportava (e cobrava) 2,7 milhões. Agora, a produção despencou para 2,4 milhões de barris diários, pelos quais cobra apenas 900 mil (os que vende aos EUA, o império odiado). O restante, que ele não cobra, divide-se assim: 800 mil vão para o consumo interno, praticamente gratuito (e que gera um polpudo negócio de exportação ilegal); 300 mil destinam-se a pagar créditos e produtos adquiridos na China; 100 mil são gastos com a importação de gasolina; e 300 mil vão a países do Caribe que pagam (quando pagam) com descontos e prazos enormes ou simbolicamente, como Cuba, que "paga" seus 100 mil barris com o envio de médicos, professores e policiais (e se beneficia do petróleo venezuelano a ponto de reexportá-lo).
Um presidente chavista deverá enfrentar essa realidade e encarar o público. Mas esse mandatário já não será Chávez o hipnótico, Chávez o taumaturgo, o líder que explicava tudo, justificava tudo, minimizava tudo. As pessoas culparão os chavistas por não estarem à altura do seu legado. Dirão: "Chávez não teria permitido isto", "Chávez teria resolvido isto". Chegado a este ponto, o próprio regime chavista talvez se convencesse da necessidade de um diálogo de conciliação que agora parece utópico. E aí se poderia abrir uma oportunidade concreta para a oposição.
Depois dos longos anos de inconsistências, omissões e erros, a oposição venezuelana mostrou-se unida, escolheu um líder inteligente e determinado (Henrique Capriles) e teve bom desempenho nas eleições: recebeu quase 7 milhões de votos. Durante a agonia de Chávez, sem deixar de levantar a voz de protesto, mostrou uma notável prudência que deve confirmar nestes dias de dor e de comoção. Se a oposição - que esperou tanto - conservar a coesão e a presença de espírito, poderá avançar nas eleições legislativas, regionais e presidenciais e recuperar as posições que perdeu. Uma força latente também deverá despertar: os estudantes. Eles exerceram papel fundamental no referendo de 2007 (que impediu a conversão aberta da Venezuela ao modelo cubano) e talvez voltem a exercê-lo.
Acredito que, com a morte do grande caudilho messiânico ("Redentor", como o chamou abertamente o próprio Maduro), a Venezuela encontrará, cedo ou tarde, o caminho da concórdia: se nos quinze anos de Chávez a violência verbal não transbordou para a violência física, é razoável esperar que não explodirá agora. E a mudança poderá ser contagiosa. Cuba, a Meca do redentorismo histórico, o único Estado totalitário da América, poderá reformar-se como a Rússia e a China. Toda a região poderá oscilar então entre regimes de esquerda social-democrática e governos de economia mais aberta e liberal. E para que o trânsito seja menos acidentado, os EUA também deveriam dar sinais inéditos de sensatez, cancelando o embargo a Cuba e fechando a prisão de Guantánamo.
O século 19 latino-americano foi o século do caudilhismo militarista. O século 20 sofreu o redentorismo iluminado. Ambos os séculos padeceram com os homens "necessários". Talvez no século 21 desponte um novo amanhecer, um amanhecer plenamente democrático. / TRADUÇÃO DE ANNA CAPOVILLA.
ENRIQUE KRAUZE, ESCRITOR E HISTORIADOR MEXICANO, É AUTOR DE OS REDENTORES - IDEIAS E PODER NA AMÉRICA LATINA (BENVIRÁ).

quarta-feira, 6 de março de 2013

¨¨¨Landisvalth Blog: Chorão, vocalista da banda Charlie Brown Jr, pode ...

¨¨¨Landisvalth Blog: Chorão, vocalista da banda Charlie Brown Jr, pode ...: Alexandre Magno Abrão tinha 42 anos e foi encontrado morto na madrugada desta quarta-feira em seu apartamento, na zona oeste de São Paulo....

domingo, 3 de março de 2013

Um Vecinho só em Heliópolis é sucesso


Alaelson e Silvano
Rita de Lula (Vice de Poço Verde)
 e o Padre prestigiaram


Muita gente da região compareceu
O público deu brilho à festa
A segunda homenagem dos músicos e amigos a Helvécio Pereira de Santana, intitulada Um Vecinho Só, ocorreu em pleno clima de harmonia no último sábado (02), na Avenida Sete de Setembro, em Heliópolis. Foi uma noite de gala, onde a ordem era reverenciar o músico heliopolitano que faleceu há dois anos em Salvador. E a missão foi cumprida. Sob a coordenação de Jorge Caldas e Paulinho Jequié, vários músicos cantaram sucessos de Vecinho e de inúmeros nomes regionais e nacionais da MPB e da música de raiz. O público compareceu em peso e participou de forma brilhosa.
Os colaboradores
Paulinho Jequié e Wilson Aragão

Giló
Vários comerciantes, autoridades, e pessoas da sociedade civil de todas as cidades da região deram alguma contribuição para realização do evento. Entretanto, Paulinho Jequié e Jorge Caldas denunciaram a falta de apoio da Heliópolis FM. Os organizadores chegaram a dizer nos microfones do evento que a emissora não ofereceu um minuto sequer de sua programação para divulgar o evento, mesmo sendo a única emissora local. Na contramão, a Buqueirão FM, de Cícero Dantas - a Nação FM, de Fátima e a Poço Verde FM, dentre outras emissoras, dedicaram espaços generosos ao evento. Os organizadores acham que é hora da Associação responsável pela manutenção da emissora repensar sua missão, já que se trata de uma emissora comunitária.
Paulinho Jequié, João Sereno e Casaca de Couro

Ana Dalva marcou presença

Jorge Caldas e Jailton

Não poderia faltar o poeta
Efetivação
Garotas recitaram versos de Calango
Os organizadores solicitaram da Câmara Municipal de Heliópolis uma Lei para que Um Vecinho Só passe a ser parte integrante do rol de festas culturais do município de Heliópolis. Paulinho Jequié e Jorge Caldas agradeceram os apoios recebidos da Prefeitura Municipal de Heliópolis e de alguns vereadores, mas o evento pretende ser oficial para garantir o seu financiamento. Foi a vereadora Ana Dalva que se comprometeu a conversar com todos os vereadores para a formatação de uma Lei coletiva com a finalidade de a homenagem a Vecinho se tornar uma promoção dos amigos, dos músicos e do governo do município.(Dê um clique nas fotos para ampliá-las)

sexta-feira, 1 de março de 2013

¨¨¨Landisvalth Blog: Músicos fazem nova homenagem a Vecinho

¨¨¨Landisvalth Blog: Músicos fazem nova homenagem a Vecinho: Um Vecinho só Jorge Caldas está numa correria santa para deixar tudo sem senão na segunda homenagem que violeiros, músicos, poetas e c...

terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

Entrevista: Desmatamento não é desenvolvimento


Morello: desmatamento não é progresso
Desde o século 17, países como Alemanha, França e Reino Unido passaram a estimular a silvicultura e adotar leis para regular o manejo sustentável das suas florestas. Veja entrevista dada por Thiago Fonseca Morello à revista PLANETA, em Outubro do ano passado.
Por Renata Valério de Mesquita – da revista PLANETA
A velha história de que os países desenvolvidos chegaram aonde estão à custa da perda das suas florestas está incorporada há séculos no imaginário coletivo brasileiro. Mas o economista Thiago Fonseca Morello, especializado em aproveitamento econômico florestal, aponta que já passou da hora de se rever essa ideia. Bolsista do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), Morello desenvolve atualmente uma tese de doutorado sobre a agricultura de corte e queima na Amazônia brasileira, no Instituto de Pesquisas Econômicas da Universidade de São Paulo (IPE-USP). E já defendeu um mestrado sobre o ciclo do carvão vegetal em Minas Gerais.
Como subproduto de suas pesquisas, recentemente publicou o artigo “Desmatamento e Desenvolvimento: O Que o Brasil Tem a Aprender com a História dos Países Desenvolvidos”, demonstrando que a autonomia econômica alcançada por muitos dos países ricos se deu justamente porque souberam entender a importância da conservação da sua cobertura vegetal – mesmo sem contar com tamanha biodiversidade como a brasileira. Eles investiram no reflorestamento e na exploração racional da mata nativa. Morello mostra que o caminho para o sonhado Primeiro Mundo se assemelha mais a uma trilha do que a uma rodovia sobre a floresta.
PLANETA - Por que a opinião pública no Brasil associa desmatamento a progresso?
MORELLO - Esse discurso é uma abordagem distorcida, criada pela classe política. Vem desde o início do país, quando os brasileiros tomaram as rédeas da administração pública. A preocupação era industrializar o Brasil e diversificar a produção. A selva era sinônimo de selvageria e de confusão, portanto, as florestas estavam no meio do caminho do progresso. Mas essa associação é infundada. A literatura mostra que a área florestal (incluindo florestas plantadas) está crescendo desde o século 19 na Escócia, Dinamarca, França e Suíça, e desde o século 20, na Alemanha, Coreia do Sul, Inglaterra e nos Estados Unidos, países que adotaram mecanismos indutores de reflorestamento e regeneração de mata nativa.
O bordão “eles já destruíram tudo e agora querem que preservemos” está equivocado?
Está errado. A Inglaterra conquistou poder bélico graças ao seu poderio naval. Precisou de madeira para construir navios ao mesmo tempo que a agricultura estava em expansão, e que havia guerras em curso e a construção civil crescia. Tudo isso demandavamuito das florestas, o  que fez o preço da madeira subir. O país, então, começou a tomar medidas, criando uma série de leis no século 17 para regulamentar a exploração das florestas. Leis essas que, conceitualmente, não são muito diferentes do nosso Código Florestal.
Existem lições e exemplos que possamos tomar das leis e políticas florestais dessa época?
Sim. Os países pioneiros no aprendizado do manejo de floresta, como Alemanha, Japão e França, cometeram erros mas aprenderam com eles. O Brasil também tem condições de aprender. A história da França é bem interessante. O país cabe dentro de Minas Gerais, mas nunca teve cobertura vegetal e biodiversidade como o Estado brasileiro ainda tem, mesmo depois de tanto desmatamento. Eles também tiveram problema de escassez de madeira. Os franceses não adotaram regras para proibir o uso das florestas, mas já no século 17 começaram a implantar normas para usar as florestas racionalmente, sem destruí-las. As regras surgiram para a sociedade aprender a utilizar e recompor a cobertura arbórea. Desde a metade do século 19, a área florestal francesa não sofreu mais reduções; ao contrário, aumentou. Algumas dessas leis se mantêm até hoje. A França é autossuficiente em madeira e tem, assim como os Estados Unidos, leis muito mais restritivas do que as nossas.
O sr. não mencionou o Japão, que também é um exemplo, não? Apesar da alta densidade demográfica, 69% do território do país está coberto por vegetação.
Sem dúvida se trata de um dos principais exemplos a serem seguidos, pois a industrialização japonesa não veio acompanhada de redução da área nacional de florestas, mas sim da sua expansão, graças ao estabelecimento de plantações florestais com biodiversidade não desprezível no século 18 e, depois, após a Segunda Grande Guerra. O historiador Conrad Totman, especialista em Japão, defende a tese de que a “silvicultura regenerativa” – algo próximo ao que se entende por manejo florestal de baixo impacto – foi desenvolvida no Japão independentemente da Alemanha, país ao qual se atribui a origem da silvicultura.
O que o sr. acha da crítica ao Código Florestal Nacional, de termos leis muito restritivas quanto ao uso de território?
Uma pesquisa realizada pelo Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon), de Belém, sobre legislações internacionais apontou que muitos países desenvolvidos têm leis tão ou mais rígidas do que se diz que o Brasil tem hoje, ou pretende ter com o Novo Código Florestal.
Continuar desmatando significaria seguir a lógica dos séculos antes da primeira Revolução Industrial?
Com certeza. É como se o Brasil estivesse no período medieval. O correto seria dizer que, no aspecto florestal, o Brasil não é um país em desenvolvimento, mas um país em desmatamento. Entre 2005 e 2010, o Brasil ficou no primeiro lugar do ranking da ONU (empatado com Austrália e Indonésia) em perda líquida florestal – ou seja, descontando-se todo o eucalipto plantado. Mas, se olharmos para o ranking de PIB per capita, continuamos no mesmo lugar, não evoluímos  nada. A questão é: será que esse desmatamento realmente está gerando desenvolvimento? Não está. Não nos restam mais do que 7% da Mata Atlântica e já foram embora 20% da Floresta Amazônica. O Cerrado está entre 20% e 30% do que era. Na prática, essa necessidade de desmatar para desenvolver não é verdadeira. Porque, se fosse assim, já estaríamos lá – no Primeiro Mundo.
Chegamos ao ponto em que os países desenvolvidos, lá atrás, começaram a fazer o manejo sustentável das florestas, mas não tomamos a atitude que eles tomaram.
Exato. No Brasil, a tecnologia evoluiu para florestas plantadas, mas quanto às florestas nativas a exploração continua a ser muito atrasada. O cultivo do eucalipto, aqui, nasceu da nossa escassez de madeira. Ainda predomina a exploração de alto impacto nas florestas nativas – aquele tipo de extração que, para obter uma árvore, acaba destruindo um hectare inteiro. Por outro lado, sempre existiu a ideia de que após o corte da madeira bastava deixar que a floresta se regenerasse por um período de cerca de 15 anos, e se obteria um potencial – em volume de madeira por hectare – equivalente ou não abaixo do que a floresta oferecia. Só que nunca se considerou o estrago causado na floresta. Quanto mais uma floresta fica fragmentada, menor é a sua capacidade para se regenerar. Mudar a concepção das pessoas de como explorar florestas demora. Precisa de qualificação e de mão de obra, que não é barata. Precisa de investimento em tecnologia. No início, o custo disso é maior. Produzir de maneira sustentável, hoje, é mais caro. Mas se todos os países passassem a monitorar a madeira que estão comprando esse panorama poderia melhorar.
O sr. é um crítico da ideia de que os países desenvolvidos deveriam “financiar” o desenvolvimento verde dos mais pobres, como foi defendido na Rio+20?
É um equívoco. Não se justifica pedir dinheiro porque queremos crescer sem desmatar. Isso significaria reiterar que precisamos avançar mais sobre a Amazônia e o Cerrado para nos desenvolver, o que é falso. O que precisamos mesmo é produzir melhor, com maior rendimento. E ter melhores práticas de distribuição. O desmatamento não é condição necessária ao desenvolvimento. Não é preciso depredar recursos florestais para ter desenvolvimento. Isso é mito. Primeiramente, temos de analisar se fazemos bom uso do que estamos destruindo. Se estamos destruindo, já existe algo errado, porque não é necessário. É perfeitamente possível explorar as florestas nativas de forma sustentável.
Precisamos mais de tecnologia do que de dinheiro?
Precisamos dos dois. A pesquisa científica é cara. A gente precisa entender a riqueza da Amazônia, e isso requer um esforço global. Precisamos de apoio para modificar a estrutura tecnológica e institucional que temos para que nossa economia possa andar sem precisar derrubar mais nenhuma árvore.
O sr. acredita que a fartura de vegetação e biodiversidade dificulta ao brasileiro entender o valor da preservação?
A dificuldade não é a escassez ou a abundância. A questão é que estamos longe de nos preocupar realmente com a disponibilidade de madeira (exceto a de lei), pelo bem e pelo mal. Países como os Estados Unidos e a Austrália, ricos em recursos, fazem um aproveitamento melhor. É complicado discutir o que está na cabeça das pessoas, mas acho que a diferença social no Brasil pesa muito. Temos, principalmente, dois grupos: o que dirige o trator que vai passar a corrente para derrubar a floresta e o que comanda a passagem do trator. É isso o que acontece na Amazônia, no Cerrado e no Pantanal. Por mais que sejamos a sétima economia do mundo, o nosso nível de desigualdade social é comparável ao de países da África. Enquanto existir o elo maligno entre aquele que aufere o lucro e a pessoa sem opção de trabalho, isso vai continuar a acontecer.

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

Douglas Alves foi contemplado no Programa Cultural do BNB


Douglas Alves é da cidade de Fátima-Ba, aluno do curso de pedagogia da UFS e autor do livro "Humanidade e outros pensamentos", recentemente lançado.
Douglas Alves foi contemplado em programa do BNB
O projeto "LEITURAS DE NOSSA VIDA: AS VOZES DO SERTÃO", de José Douglas Alves dos Santos, da cidade de Fátima-Ba, foi contemplado no Programa de Cultura Banco do Nordeste/BNDES - Edição 2012, e já teve sua primeira reunião de execução realizada com sucesso no último sábado (16/02). O autor em breve criará um grupo no Facebook e uma página na Internet para postar informações semanais sobre o projeto.  
O projeto "LEITURAS DE NOSSA VIDA: AS VOZES DO SERTÃO" tem objetivo geral promover a discussão e reflexão sobre a vida em áreas rurais de Sergipe e Bahia, através da produção e publicação de um livro escrito através das vozes daqueles que vivem a incerteza da vida sertaneja e também apresentar imagens captadas naquele espaço. A ideia é promover a socialização de experiências destacadas no livro, através de palestras, exposições, seminários, entre outros, refletir sobre práticas sociais a partir dos dados recolhidos nas entrevistas, debater temáticas sócio-políticas da contemporaneidade.
A produção e publicação do livro podem vir a ser um marco referencial na vida daqueles que fizerem parte do mesmo e na vida dos leitores que terão a oportunidade de apreciá-lo, por agregar fatos e histórias de uma realidade que não é incomum a todos, principalmente daqueles que moram no sertão nordestino. Quem tiver oportunidade de fazer sua leitura, mesmo não vivenciando essa realidade expressa na obra, estará em contato com uma parte do Brasil que muitos, infelizmente, desconhecem. O livro, através da fala dos personagens; personagens reais, não fictícios, discutirá o ser no sertão para sistematizar informações e conhecimentos populares, de sujeitos que vivem e sobrevivem no e do campo.
O livro terá publicação de 1.500 exemplares e gerará palestras, oficinas, seminários, exposições, com objetivo de atingir um público de 5 mil pessoas nas cidades de Fátima, Cícero Dantas, Heliópolis, Paripiranga, Adustina, Poço Verde, Simão Dias, Lagarto, São Cristóvão e Aracaju.
Humanidade e outros pensamentos
Num ano que começou bem produtivo, Douglas Alves fez também sua estreia na literatura, lançando em fins de janeiro o seu livro "Humanidade e outros pensamentos". A obra leva ao leitor a encontrar muitas histórias, dentre as quais, algumas devem ser familiares. O lançamento foi no Hall de entrada da Didática 5, na Universidade Federal de Sergipe (UFS). O livro estará sendo vendido ao valor promocional de R$ 10.
De acordo com Douglas, a obra inicialmente foi produzida entre janeiro e maio do ano passado. Era um projeto planejado para 2012, porém, devido às dificuldades de encontrar apoio para o financiamento da obra, só conseguiu finalizar o projeto no fim do ano, fato que o levou a transferir o lançamento para 2013.
Douglas Alves explica ainda que a necessidade de escrever o motivou a desenvolver a obra. “Tenho outros seis livros escritos, entre romances e livros de contos e poemas. Sinto essa necessidade de escrever, pois observo muito as coisas ao meu redor, o mundo ao meu redor. Gosto de prestar atenção aos detalhes e isso me fascina, pois percebo que são poucos que dão atenção a isso. É algo que é tão simples de se observar. Basta parar um pouco e ver”, diz.
Questionado sobre o que o leitor vai encontrar nas páginas de seu livro, Douglas garante que o leitor vai encontrar muitas histórias. “O livro é composto de histórias reais e fictícias, a respeito de diversos assuntos que assolam a humanidade. Entre essas histórias, estão aquelas que costumam fazer parte da vida de inúmeras pessoas, que têm um significado peculiar a cada um. Acredito que estarei compartilhando o meu ponto de vista através do olhar de muitas pessoas. Quero aproveitar e fazer um convite ao leitor para um diálogo, através da leitura de meu livro. Não espero que concorde com tudo que digo, peço apenas que mantenhamos um diálogo aberto”, conclui.
Com informações e fotos da página do autor no Facebook e do portal Infonet.

terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

Sob sigilo, Dom Pedro I e suas duas mulheres são exumados pela primeira vez


Restos mortais de Dom Pedro I, o primeiro imperador brasileiro, e de duas imperatrizes foram exumados para estudos; corpos estavam no Parque da Independência, na zona sul da capital, desde 1972
Edison Veiga e Vitor Hugo Brandalise - O Estado de S. Paulo
A arqueóloga Valdirene Ambiel com o crânio de D. Pedro I
Pela primeira vez em quase 180 anos, os restos mortais de Dom Pedro I, o primeiro imperador brasileiro, foram exumados para estudos. Também foram abertas as urnas funerárias das duas mulheres de Dom Pedro I: as imperatrizes Dona Leopoldina e Dona Amélia. Os corpos estavam no Parque da Independência, na zona sul da capital, desde 1972. 
Os exames - realizados em sigilo entre fevereiro e setembro de 2012 pela historiadora e arqueóloga Valdirene do Carmo Ambiel, com o apoio da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP) - revelam fatos desconhecidos sobre a família imperial brasileira, agora comprovados pela ciência, e compõem um retrato jamais visto dos personagens históricos.
Agora se sabe que o imperador tinha quatro costelas fraturadas do lado esquerdo, o que praticamente inutilizou um de seus pulmões - fato que pode ter agravado a tuberculose que o matou, aos 36 anos, em 1834. Os ferimentos constatados foram resultado de dois acidentes a cavalo (queda e quebra de carruagem), ambos no Rio, em 1823 e em 1829.
Ao realizar o inventário do caixão de Dom Pedro, nova surpresa: não havia nenhuma comenda ou insígnia brasileira entre as cinco medalhas encontradas em seu esqueleto. O primeiro imperador do Brasil foi enterrado como general português, vestido com botas de cavalaria, medalha que reproduzia a constituição de Portugal e galões com formato da coroa do país ibérico. A única referência ao período em que governou o Brasil está na tampa de chumbo de um de seus caixões (ele estava dentro de três urnas), na qual foi gravado "Primeiro Imperador do Brasil" ao lado de "Rei de Portugal e Algarves".
Ao longo de três madrugadas, os restos mortais da família imperial brasileira foram transportados da cripta imperial, no Parque da Independência, à Faculdade de Medicina da USP, na Avenida Doutor Arnaldo, em Cerqueira César, onde passaram por sessões de até cinco horas de tomografias e ressonância magnética. Pela primeira vez, o maior complexo hospitalar do País foi utilizado para pesquisas em personagens históricos - na prática, Dom Pedro I, Dona Leopoldina e Dona Amélia foram transformados em ilustres "pacientes", com fichas cadastrais, equipe médica própria e direito a bateria de exames.
No caso da segunda mulher de Dom Pedro I, Dona Amélia de Leuchtenberg, a descoberta mais surpreendente veio antes ainda de que fosse levada ao hospital: ao abrir o caixão, a arqueóloga descobriu que a imperatriz está mumificada, fato que até hoje era desconhecido em sua biografia. O corpo da imperatriz, embora enegrecido, está preservado, inclusive cabelos, unhas e cílios. Entre as mãos de pele intacta, ela segura um crucifixo de madeira e metal.
O estudo também desmente a versão histórica - já próxima da categoria de "lenda" - de que a primeira mulher, Dona Leopoldina, teria caído ou sido derrubada por Dom Pedro de uma escada no palácio da Quinta da Boa Vista, então residência da família real. Segundo a versão, propalada por historiadores como Paulo Setúbal, ela teria fraturado o fêmur. Nas análises no Instituto de Radiologia da USP, porém, não foi constatada nenhuma fratura nos ossos da imperatriz.
"Unimos as ciências humanas, exatas e biomédicas com o objetivo de enriquecer a História do Brasil. A cripta imperial foi transformada em laboratório de especialidades, com profissionais usando os equipamentos mais modernos em prol da pesquisa histórica", disse a pesquisadora, que defendeu hoje pela manhã sua dissertação de Mestrado na USP, após três anos trabalhando sob sigilo acadêmico. "O material coletado será útil para que as pesquisas continuem em diversas áreas ao longo dos próximos anos."
A reportagem do Estado acompanha os estudos de Valdirene desde 2010, quando a historiadora e arqueóloga conseguiu autorização dos descendentes da família imperial para exumar os restos mortais dos personagens históricos. Veja neste especial todos os detalhes de um estudo que reescreve detalhes da história do Brasil - confirmando algumas informações, desmentindo outras e adicionando novas verdades.

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

¨¨¨Landisvalth Blog: Papa anuncia renúncia

¨¨¨Landisvalth Blog: Papa anuncia renúncia: Da Folha de São Paulo O papa Bento 16 anunciou, nesta segunda-feira, que vai renunciar do cargo no próximo dia 28. Esta é a primeira vez...

sábado, 9 de fevereiro de 2013

Morta há 50 anos, poeta Sylvia Plath ainda confunde


MARINA DELLA VALLE – da Folha de São Paulo
Os poetas Ted Hughes e Sylvia Plath, recém-casados em 1956
O suicídio da poeta norte-americana Sylvia Plath, aos 30 anos, em 11 de fevereiro de 1963, deu início a uma questão que acabou por gerar, ao longo dos anos, uma verdadeira indústria de publicações biográficas: quem era, na verdade, Sylvia Plath? Cinquenta anos depois, foram tantas disputas e livros sobre a vida e a morte da poeta que é tempo de mudar a questão ao ler algo sobre ela: Plath era de quem? É o que sugere um dos lançamentos mais interessantes relacionados com a data: "Claiming Sylvia Plath" (reivindicando Sylvia Plath, Cambridge Scholars, 370 págs., US$ 74,99), da norueguesa Marianne Egeland. Professora da Universidade de Oslo, Egeland analisou as publicações sobre Plath escritas entre 1960 e 2010 para traçar a recepção da poeta por diferentes grupos de leitores: feministas, críticos, biógrafos, psicólogos e amigos. Isso porque poucos autores tiveram vida e legado tão debatidos como Plath. As causas de seu suicídio, o papel do marido, o poeta inglês Ted Hughes (1930-1998), em sua morte, e as origens dos poemas vociferantes publicadas em seu livro póstumo, "Ariel", geraram um turbilhão de análises. Mais que isso: tais disputas pintaram diferentes figuras da poeta. "Fiquei surpresa não só com a quantidade de 'Sylvias' contrastantes, mas com o tanto que comentaristas acreditam que suas versões são as únicas corretas", disse Egeland à Folha. Um ponto interessante colocado pela autora é que Plath acabou sendo usada como um argumento pelos diferente segmentos que escreveram sobre ela, moldando sua figura de acordo com os interesses de cada visão. E é possível, afinal, saber quem foi a verdadeira Sylvia Plath? "Essa decisão fica ao encargo de cada leitor. Mas talvez seja prudente lembrar que hoje ela está escondida sob múltiplas camadas de opiniões e interpretações", afirma Egeland. "Claiming Plath" não é necessariamente uma leitura fácil, principalmente para iniciantes no universo da poeta, mas pode ser um bom guia para quem começa, já que situa --e explica-- as diferentes visões alardeadas como a "verdadeira" face de Plath. Para Egeland, há mais um efeito desejado: "Espero que haja um aumento das questões éticas envolvidas na maneira como ela foi reivindicada por seus leitores".
MUITAS VIDAS
Com os 50 anos da morte de Plath, era inevitável que surgissem novas biografias, ainda que o assunto pareça completamente esgotado. A mais completa é "American Isis" (St. Martin's Press, 336 págs., US$ 29,99), de Carl Rollyson, professor de jornalismo do Baruch College, da City University de Nova York. Na introdução, Rollyson compara Plath a outra loura trágica: Marilyn Monroe, também biografada por ele. A comparação inicial pode soar disparatada, mas Rollyson é um biógrafo experiente, que busca mostrar diferentes lados de Plath, como sua sexualidade e o interesse por cultura popular. Assim como Monroe, consagrada como símbolo sexual, ela buscava leituras como James Joyce. "Quis mostrar que Plath não era apenas uma ótima poeta, mas era ótima em vários aspectos", diz Rollyson. Ele é o primeiro biógrafo a utilizar uma série de cartas entre Ted e sua irmã Olwyn Hughes, liberadas anos após a morte do poeta, em 1998. O autor, ao jogar novas luzes em uma história revista tantas vezes, não deixa de avaliar as maneiras como ela foi contada antes. O último capítulo é sobre as biografias de Plath e suas disparidades. "Sem saber como essas biografias foram escritas, o leitor fica sem referência." O afã de publicações (que começou com o relançamento de "Bell Jar", que também completa 50 anos, pela Faber) não se repetiu no Brasil. Os "Diários de Sylvia Plath", editados por Karen V. Kukil, ganharam nova edição (trad. de Celso Nogueira, Globo Livros, 836 págs. R$ 79). "Ariel", em sua versão "restaurada" (da maneira como a poeta o deixou antes de morrer), traduzido por Rodrigo Garcia Lopes e Maria Cristina Glenz de Macedo, será republicado pela Verus neste ano, sem conexão com os 50 anos da morte de Plath. Assim, o leitor brasileiro fica com a opção de ler o que a própria Plath tinha a dizer, tanto para si mesmo, no caso dos diários, como para o mundo, no caso de "Ariel".