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sábado, 4 de maio de 2013

Karnak: A banda eterna


A banda ultrapassou duas décadas de difusão rítmica e parece estar eternamente jovem para jamais desaparecer.
Karnak decretou o fim de sua morte!
A banda Karnak completou 21 anos de existência. Ela surgiu em 1992, em São Paulo, com a liderança de André Abujamra. Entre vinda e quase idas, Karnak tonou-se a banda da difusão. Do folclore ao rock, eles usaram, e ainda usam, e abusam das expressões artísticas. Assisti a um show completo da banda na SESC TV e não consegui sair da cadeira para beber água, embora estivesse com muita sede. Ao final fiquei revoltado. Estas coisas nunca aparecem por aqui pelas bandas do nosso Nordeste com certa frequência. Tive a impressão de estar 20 anos atrasado em versatilidade musical. A variedade de ritmos e estilos da banda ao longo dos anos somaram-se ao grande número de pessoas no palco, algo bastante incomum. O recorde foi com 15 homens, dois atores, uma bailarina e um cachorro — nada estranho para eles. André Abujamra conta que Karnak durou oficialmente 10 anos, e após esse período uma tentativa de parar foi frustrada. “Quando chegamos em 10 anos eu disse: acabou, não aguento mais. Os fãs ficaram muito bravos e falam que tinha que ter o Karnak”.  No entanto, a banda decidiu fazer um show por ano, que seria o de aniversário, mas foram tantas apresentações que não conseguiram acabar com o Karnak. Depois disso: “fizemos até um manifesto para que a banda se tornasse eterna. Um dia nós vamos morrer, mas o meu filho vai tocar, os filhos dos outros integrantes também, e a banda vai continuar”. Ainda bem! Karnak vai ser eterna. Desfrute então duas letras de música da banda e um vídeo do You Tube.


Alma Não Tem Cor
                    Karnak

Alma não tem cor
Porque eu sou branco
Alma não tem cor
Porque eu sou negro
Branquinho, neguinho
Branco, negon
Alma não tem cor
Porque eu sou branco
Alma não tem cor
Porque eu sou jorge mautner
Percebam que a alma não tem cor
Ela é colorida
Ela é multicolor
Azul, amarelo, verde, verdinho, marrom
Cê conhece tudo, cê conhece o reggae
Cê conhece tudo né, cê só não se conhece

Oxalá meu Pai
                      Karnak

Oxalá meu Pai tenha pena de nós, tenha dó
Se a volta do mundo é grande Seus poder é bem maior
Oh, meu São Sebastião, fostes preso e amarrado
Nos livrai dos inimigo que nos traz atropelado
Oh! Deus do céu
Oh! Grande Deus
Reforçai estes trabalhos para sempre glorioso
Tem cinco filho, quatro neto, um cunhado , uma mulher
Um cachorro desdentado uma galinha garninzé
E essa galinha foi comida por Emengarda Joaquina
Na cantina da colina da cidade de Igapó
Severino ficou puto e contratou um pistoleiro
Prá matar Emengarda que pulou lá do puleiro,
Prá roubar sua galinha que lhe dava muita sorte
E ele quer a sua morte, da Joaquina que roubou
Emengarda foi embora da cidade de Igapó
E levou tudo o que podia só não levou sua vó
Tinha medo de Jacó um famoso pistoleiro
Que queria lhe matar por muito pouco dinheiro
Emengarda morreu foi Jacó quem matou
Severino não chora, Severino chorou

Com informações complementares do portal Metrópolis.

domingo, 14 de abril de 2013

Uma Clarice acessível


                          Clarice Cardoso – de CARTA NA ESCOLA
Para pesquisadora Olga de Sá, popularidade na internet pode ajudar a trazer
jovem leitor para perto da autora de A Hora da Estrela.
Foto: Claudia Andujar
Sobre o amor ou a amizade. Sobre perdas, animais ou o luto. Todos os dias, em páginas na internet e em redes sociais como o Facebook, incontáveis frases sobre esses e diversos outros temas são compartilhadas e atribuídas a Clarice Lispector. Muitas fora de contexto, outras apócrifas, é verdade, mas que ainda assim podem se converter numa oportunidade para atrair para sua obra leitores abertos a isso, afirma Olga de Sá, reconhecida pesquisadora da obra da autora, diretora-geral das Faculdades Integradas Teresa D’Ávila e do Instituto Santa Teresa, de Lorena, São Paulo, e professora-assistente da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo.
“Só não podemos ficar nisso. É preciso levar o leitor ao texto, porque é lá que vai encontrar a verdadeira Clarice, a escritora que mudou a literatura brasileira de alguma forma, assim como de outra forma Guimarães Rosa também mudou. O importante é não ficar na redução, mas levar ao texto completo”, afirma.
Na esteira da fama virtual, a Editora Rocco vem nos últimos anos republicando e lançando volumes temáticos, caso de De Bichos e Pessoas – Crônicas para jovens, De Escrita e Vida – Crônicas para jovens e De Amor e Amizade – Crônicas para jovens. Presente há anos em listas de leituras obrigatórias em vestibulares, Clarice Lispector torna-se, assim, ainda mais presente na vida do jovem leitor.
“Os livros de Clarice abrem um universo de diálogo com os jovens e com qualquer pessoa, que é muito amplo e significativo. O professor que conseguir tocar essa tecla, de ser capaz de fazer o texto falar, terá resultados muito gratificantes.”
Carta na Escola: Clarice tem ganhado muita fama na internet, em redes sociais, com trechos retirados de seus textos e frases que, muitas vezes, nem mesmo são dela. Esses são leitores de Clarice em potencial?
Olga de Sá: Alguns jovens gostam de frases de efeito retiradas do contexto. Essas pessoas são movidas por esse tipo de leitura, mas, certamente, quando você tira uma frase do contexto, há de ter cuidado, porque, na verdade, o contexto dá sentido à frase. Eu tenho lido algumas coisas dessas e acho que, às vezes, até se altera o sentido do que ela estava dizendo. Existem sim leitores que gostam disso, contudo, é preciso cuidado, porque, na verdade, quando você lê uma obra, pode levantar muitas significações, o que é próprio da obra. Porém, há significações coerentes e incoerentes. Não é tudo que se pode ler, tem de ter certa coerência de leitura e isso, às vezes, escapa a esse tipo de leitor que faz a leitura subjetiva, que lhe agrada.
CE: Isso de alguma forma reduz o peso da obra da autora?
OS: Ela se defende. Não adianta fazer essa redução, porque você volta ao texto e vê que ele não condiz com o que foi dito. Na verdade, autores menores podem ser mais passíveis de certa redução, mas Clarice não se deixa reduzir.
CE: Um educador, de olho nessa tendência, pode aproveitar essa fama virtual para levar o jovem para a obra?
OS: Tudo é válido, desde que você vá até a obra. Eu mesma tenho vários cartões que mando com frases de Clarice, elas são lindas. Por exemplo: “Todas as manhãs, quando me levanto, vou tirar a poeira da palavra amor”. Então você pode, a partir daí, levar o leitor para a obra de Clarice. O que não se pode é ficar nisso. É preciso levar o leitor à leitura do texto, porque é lá que ele vai encontrar a verdadeira Clarice, vai encontrar aquela escritora que mudou a literatura brasileira de alguma forma, assim como de outra forma Guimarães Rosa também mudou. O importante é não ficar na redução, mas levar ao texto completo.
CE: Que características na obra de Clarice podem ser bem trabalhadas com esse jovem leitor?
OS: Quando o leitor já tem certo conhecimento de literatura, pode-se ir pelas figuras, como os paradoxos, as antíteses, as repetições, que chegam e causam surpresa. Pode ser também pela leitura de contos que ficam realmente em aberto, até contos infantis. Por exemplo, O Mistério do Coelho Pensante fica em aberto. Já trabalhei ele com crianças e elas dão um final para o conto. Alguns procuram um final feliz, mas há aqueles como uma menina que me disse: “O coelhinho fugia da gaiola pelo pensamento”. A criança foi na direção daquilo que a própria Clarice poderia querer dizer. Acho que o importante é apelar para esses tipos de abordagem, de não fechar o texto… Porque o adulto é muito apressadinho. Ele já quer saber o que foi, qual a interpretação, o que o autor quis dizer e, na verdade, a gente não sabe, o texto é aberto.
CE: Que obras a senhora indicaria para um professor que está começando a trabalhar Clarice Lispector em turma, pensando na formação de leitores e não apenas em exames vestibulares?
OS: Acho que os contos são maravilhosos para isso. Não se deve começar nunca pela A Maçã no Escuro, que é uma floresta de signos de difícil abordagem. Começar ou pelo Uma Aprendizagem ou o Livro dos Prazeres ou pelos contos, como eu já disse. Depois de certo tempo, A Paixão Segundo GH, mas esse apenas para certo tipo de leitor. A própria Clarice disse que encontrou um professor no Rio de Janeiro que deixou o livro de lado, não gostou, e que uma mocinha, ainda estudante, fez da obra seu livro de cabeceira. Então você vê que não é questão de idade, mas de afinidade. Perto do Coração Selvagem não é um livro difícil hoje em dia. Então é isso, deve-se começar ou pelos contos, Uma Aprendizagem ou o Livro dos Prazeres e não começar pela A Maçã no Escuro, O Lustre, A Cidade Sitiada… A Hora da Estrela também é ótimo para começar.
CE: Uma separação por temas, como a que vem sendo feita pela Editora Rocco, facilita o trabalho de um formador de leitores dentro da sala de aula?
OS: Sim e não. Na verdade, com isso você começa a dar um sentido à obra, e a obra é mais rica e apela mais ao leitor quando é aberta, com várias significações. Então vai depender muito do tipo de professor e de alunado. Pode, sim, ter uma faixa que seja atingida por esse tipo de leitura, mas a crítica realmente é muito mais aberta do que isso e a leitura também. Assim, um leitor mais inteligente, mais apurado, provavelmente preferirá outro tipo de abordagem. Essa história também de fazer histórias em cima de contos de Clarice é um tipo de leitura que pode agradar a muitos que gostam de histórias com começo, meio e fim, mas certamente não foi avisada dos contos de Clarice, pois ela sempre deixou tudo muito aberto. Então depende do leitor, do professor, da escola e do tipo de cultura.
CE: Em questões temáticas, o que pode ser trabalhado na obra da Clarice?
OS: A morte, o significado do ser, a possibilidade da linguagem de ver o ser, o silêncio. Tenho dois armários só de obras com críticas de Clarice e você vê muitos livros que abordam esses temas, como o Mal também, por exemplo. São temas infinitos. Depende muito da capacidade do leitor em colher o tema. Por exemplo, em A Hora da Estrela, não há dúvida de que a morte, a gente poderia dizer, é a protagonista. Mas muitos não captam isso, não se interessam. Por isso eu acho que a temática na obra da Clarice varia na medida da percepção do leitor.
CE: A propósito, A Hora da Estrela está há anos em listas de vestibular. É uma boa obra para se colocar como leitura obrigatória? Que tipo de leitura essas provas exigem? A senhora concorda com o que costuma se cobrar nesses exames?
OS: Eu não conheço esse mundo de vestibular, o que conheço pelo contato com os jovens, é que a leitura que é feita é um pouco pobre. Por outro lado, o que você vai perguntar no vestibular? São perguntas que têm de ser objetivas, hoje em dias as redações já se abriram mais, mas, de qualquer maneira, você não tem muito por onde andar no vestibular. E A Hora da Estrela é um livro que pode ter uma leitura linear. Aliás, trabalhei um pouco com a (cineasta) Susana Amaral quando ela estava fazendo o filme (em 1986), e ela me disse que iria fazer um filme que o povo entendesse, portanto, com começo, meio e fim, e que não daria para colocar os aspectos metalinguísticos da obra. Nos filmes que têm narrador, ele começa a contar a história, você esquece que tem um narrador, porque você vê a história, e assim vai até o fim. O narrador, no filme, não resolve nada. A Hora da Estrela presta-se a esse tipo de abordagem porque, se você quiser, como acontece no filme, ele fica linear. Todo aspecto metalinguístico não precisa aparecer. É claro que reduz, mas não há outra maneira de fazer para ser objetivo.
CE: Pensando que você vai trabalhar o livro com um jovem para o vestibular, é possível trabalhar essa metalinguagem em outro momento? Como driblar esse viés para que a leitura seja mais completa?
OS: A gente, como professor, quando passa o filme faz a observação: olha, aqui vocês veem a história linear da Macabea. Porém, lendo o livro, vocês vão ver que através ou por trás dessa história linear existe toda uma reflexão sobre a criação, sobre o tempo na narrativa, sobre a morte. São temas significativos que aparecem na obra inteira e que podem não aparecer num resumo. Acho que a questão é só de abordagem.
CE: É necessária alguma formação especial para o professor trabalhar com Clarice?
OS: Penso que o professor, para qualquer leitura de uma obra significativa da literatura, precisa ter sensibilidade, percepção e didática. A formação hoje está prejudicada e ninguém mais quer ser professor. É preciso ter esse gosto para ser professor, é preciso saber ensinar e dialogar, porque o ensino hoje não é só ficar falando e o aluno escutando, é um diálogo. É preciso tirar deles tudo o que for possível e aí construir. Às vezes, eles fazem encenações muito boas, até mesmo as crianças. Isso faz parte da flexibilidade que o professor precisa ter para ir ao encontro do gosto dos alunos sem deixar que a coisa caia no plano.
CE: As traduções recentes para outras línguas mudam o local que Clarice ocupa na literatura?
OS: Acredito que a tradução significa que a leitura está se ampliando, é um esforço de compreender outras culturas. O português é uma língua difícil de ser encarada. Se Machado de Assis tivesse escrito em inglês, ele seria o maior escritor da época. Ele foi, mas não era reconhecido por não escrever em uma língua palatável, coisa que o português não é. Acho que as traduções revelam a influência do autor, como ele está influindo em outras culturas, são um reflexo da influência do autor e do reconhecimento que ele tem.
CE: Entre todos os autores brasileiros, porque Clarice tem ganhado tanto destaque nessa cultura digital?
OS: Penso que é pela significação da sua obra. Uma autora que trata esses temas, que vai ao fundo do que é o ser, que vai a fundo nos problemas de linguagem, que coloca propriamente toda a sua vida em escrever. Tem um livro dela que fala assim: “Agora vou morrer um pouco”. O que é isso de morrer um pouco? É quando ela parava de escrever. Quando ela interrompia para fazer alguma coisa. Por outro lado, ela também se questionava: “Será que escrevendo eu também não perco a vida?” Então esse tipo de interrogação é universal. Os temas de Clarice são universais e por isso interessam a qualquer homem em qualquer lugar do planeta. Os livros de Clarice abrem um universo de diálogo com os jovens, com os alunos ou com qualquer pessoa, que é muito amplo e significativo. O professor que conseguir tocar essa tecla, de ser capaz de fazer o texto falar, terá resultados muito gratificantes. Agora, é claro que aquele professor que fica muito rígido, não tem abertura, esse não vai colher grandes frutos. Há muita margem, como há com outros escritores como Machado de Assis, Guimarães Rosa, Cecília Meireles, que dependem muito da capacidade de diálogo do professor.

domingo, 7 de abril de 2013

O Romantismo e suas marcas

O ambiente de idealismo marcou toda a arte romântica

                                                    Landisvalth Lima

  Dois foram os fatos importantes que marcaram o Romantismo a nível mundial: A Revolução Industrial, na Inglaterra , e a Revolução Francesa. No Brasil , pode-se acrescentar a chegada da família real e as lutas pela independência.
Na segunda metade do século XVIII, surgiu, na Inglaterra, a burguesia industrial. O crescimento dessa classe fez com que surgisse uma outra: o operariado. Nasce, daí, a sociedade de classes.
Na França, a Revolução desencadeada em l789 destruiu o absolutismo, levando a burguesia ao poder. Os ideais revolucionários de Liberdade, Igualdade e Fraternidade, na verdade, nunca saíram do papel. Eram mais idealização que prática, criando assim uma certa frustração na população .
A Revolução Industrial e a Revolução Francesa provocaram, pois:
- o fim do absolutismo na Europa;
- incentivaram a livre iniciativa, forjando o liberalismo político e o individualismo econômico;
- estimularam o nacionalismo;
- estimularam a geração moderna, urbano-industrial;
- contribuíram para o fim do trabalho artesanal.
No Brasil, os ideais da Revolução Francesa contaminaram nosso estudantes, poetas e pensadores. Entretanto, não se pode dizer que houve uma revolução já que foi o único país da América Latina a não adotar a República após sua independência, preferindo a monarquia.
O Romantismo, aqui, foi , verdadeiramente, nossa primeira escola literária. Cortamos relações de dependência com Portugal e criamos uma literatura independente, nacionalista e lusófoba. Por questões didáticas, l836 é o ano de nascimento do Romantismo no Brasil. A obra inaugural ,  Suspiros Poéticos e Saudades, de Gonçalves de Magalhães, inicia nosso liberalismo literário. No mesmo ano, foi fundada em Paris a revista Niterói, porta-voz das idéias românticas. Quem participa da publicação? Gonçalves Dias, Araújo Porto-Alegre e Pereira da Silva.
 As marcas do Romantismo:
1 - Liberdade de criação - abolição de todos os tipos de formas poéticas preestabelecidas. O escritor estava livre para adotar o melhor padrão possível ao conteúdo da obra.
2 - Sentimentalismo (egocentrismo) - a obra resulta da imaginação, da fantasia, da idealização provocada pelo impulso da não aceitação do real.
3 - Supervalorização do amor - o amor é cultuado como o sentimento dos sentimentos, mas, quase que paralelamente, também é valorizado o sonho, a virgindade, a nostalgia, o saudosismo e a melancolia.
4 - Idealização da mulher, do herói e da paisagem -  é prática romântica adotar heróis grandiosos - históricos , marginais ou trágicos. A mulher é perfeita, exuberante, inatingível e bem distante da realidade. A paisagem não é natural, mas protetora, dócil, exuberante, poderosa e muda de acordo com o estado emocional do poeta.
O trágico e o misterioso marcam os românticos do ultrarromantismo
5 - Mal-do-Século - é uma coletânea de desprazeres: 1 - pessimismo em relação à vida, à sociedade e a si mesmo - 2 - prazer em sentir-se melancólico e sofrido - 3 - busca do isolamento e da solidão.
6 - Evasão - desiludido com a vida, o romântico pratica o escapismo, indo em busca de um tempo, de um espaço e de uma natureza  jamais perceptíveis no mundo real.
7 - Nacionalismo - a literatura romântica cantava o homem voltado para sua pátria. No Brasil, o nacionalismo  foi representado na figura do índio, do herói regional e no historicismo.
8 - Medievalismo - na Europa era representado na figura do cavaleiro medieval. No Brasil não tivemos tal figura, mas o nosso índio tem comportamento idêntico ao cavaleiro de As Cruzadas.
9 - Religiosidade - basicamente com a valorização do cristianismo e do misticismo.
10- Supervalorização da infância - para o romântico, criança é sinônimo de pureza, inocência, amor.
11- Supervalorização do Homem em Estado Selvagem - é a ideia rousseana de que o homem, desprovido dos vícios da civilização citadina, em seu estado natural, é um ser bom.
l2- Historicismo - indo em busca dos fatos históricos, num processo de idealização, os românticos tentavam glorificar Os heróis de um  dado acontecimento. Era uma forma de nacionalismo ufanista.
l3- Supervalorização do Herói -  é o processo de endeusamento do herói, mesmo aquele marginalizado.
14- Aceitação do Trágico - quanto mais lágrimas e sofrimento causar, melhor.
15- Aceitação do Mistério - é a exploração do inusitado, do místico.
l6- Destaque para a “cor local” - valorização de tudo o que é brasileiro. Está implícito no nacionalismo.
l7- Indianismo - afirmação do índio como herói nacional, por ser puro, nobre e nunca ter sido cooptado por outras culturas.
l8- Regionalismo - é a valorização do homem do interior ou de regiões fora do perímetro cultural urbano onde se desenvolve mais quantitativamente o processo artístico. É também uma forma de nacionalismo.
19- Lusofobia - é o desejo de libertar-se cultural e economicamente de Portugal. Exclusividade brasileira.

A miséria familiar


Livro da escritora norte-americana Mary Gabriel revela o sofrimento da esposa e filhas de Karl Marx
Rosane Pavam – de CARTA CAPITAL
Capa do livro de Mary Gabriel
Sentado à única mesa de seu apartamento na Dean Street, em Londres, sobre a qual havia papéis, poeira e toda sorte de utensílios, Karl Marx pôs-se a escrever para mudar a consciência do mundo. Mas, enquanto trabalhava, ele nunca estava só. Um dia seus filhos criaram uma brincadeira na qual o cavalo seria Marx. Atrelado a uma fila de cadeiras de pés quebrados, o pai deveria obedecer a um chicote imaginário acionado pelas crianças atrás dele. A diligência ora aceleraria, ora interromperia o curso segundo o desejo de seus cocheiros nutridos a pães e batatas. Enquanto as ideias para o livro em torno do golpe de Luís Napoleão, O 18 de Brumário de -Luís Bonaparte, ferviam na cabeça de Marx, ele obedecia ao ruidoso comando infantil sem perder a ternura. Pelo contrário, convencera-se de que seria possível perdoar à cristandade muita coisa, porque ela nos ensinara a adoração da criança. Os filhos, ele dizia, é que deveriam ensinar os pais.
Talvez por isso, naquele mesmo ano, ele que tinha por hábito distribuir as poucas moedas do bolso aos meninos de rua no Natal, tenha se sentido uma irremediável vítima da orfandade. Franzisca, que estivera entre aqueles delicados cocheiros, sofrera um grave ataque de bronquite e morrera logo após o aniversário de 1 ano, como era de uso entre os 15% das crianças inglesas de então. Estatísticas, segundo Marx, contribuíam para situar a exploração capitalista e compreender o pensamento de uma sociedade a partir de sua estrutura econômica, mas não seriam capazes de lhe fazer aceitar a perda. A família não tinha dinheiro para comprar o caixão de Franzisca.
Marx, Engels e suas esposas.
A esposa Jenny colocou o corpo da menina no quarto dos fundos do apartamento e deslocou todas as camas para a frente, onde a família dormiria até que conseguisse os recursos necessários. Esses não vieram do amigo de toda a vida Friedrich Engels, provedor de sua subsistência, outro pai e outra mãe para seus filhos, porque até o General, como eles o chamavam, não tinha um tostão em 1852. Um exilado francês deu 2 libras para que eles comprassem um caixão, então postado ao lado daquele do irmão de Franzisca, -Fawksy, no cemitério a poucos quarteirões de casa. Contudo, por seus dois meninos, e até por um de seus bebês, morto com 1 mês de idade, eles não chorariam tanto como o fariam por Musch. Aos 8 anos, o rosto, a inteligência e o humor do pai, o menino evitara mostrar os braços finos a Jenny durante sua agonia final. Ele não suportaria vê-la sofrer, e foi Marx quem esteve à sua cabeceira até o fim.
Um dos maiores pensadores do século XIX nada seria sem sua família, diz-nos a pesquisadora dessas histórias, a norte-americana Mary Gabriel, em Amor & Capital – A saga familiar de Karl Marx e a história de uma revolução (Zahar, 968 -págs., R$ 89,90 o livro impresso, R$ 49,90 o e-book). Escrito com clareza e acuidade informativa, munido da pena da humanista e do -requinte da literatura realista, o livro também inova ao centrar a ação em uma intimidade feminina sem a qual, para Marx, a vida seria impossível. “Inicialmente considerei fazer uma biografia de Jenny”, conta Gabriel em entrevista a -CartaCapital, “mas depois que li sobre -suas filhas pensei que seria mais enriquecedor se eu me -ocupasse de todas as mulheres de Marx. Essa -história, porém, deveria ser centrada no homem da vida delas, o que ele de fato foi, para o bem ou para o mal”.
Como fontes para seu trabalho, entre as centenas de estudos e biografias envolvendo um pensador que parece ter tido a obra esquadrinhada linha a linha mesmo antes de sua morte, há 130 anos, haveria as bem escritas cartas de Jenny e suas memórias inconclusas. “Minha grande frustração foi não ter podido encontrar o manuscrito original de sua autobiografia”, conta a pesquisadora, por duas décadas editora da agência de notícias Reuters em Washington e Londres. “A versão publicada tem elipses em lugares-chave nos quais a informação parece ter sido omitida.” A supressão que ela mais lamenta envolve o nascimento do filho da babá Helene Demuth, batizado Freddy em homenagem a seu alegado pai, Engels. Mas o pai verdadeiro era Marx, revelou o próprio Engels a uma incrédula Eleanor. Emudecido em razão de doença, o General, inquirido por ela sobre quem seria o pai de Freddy, escreveu-lhe o nome do amigo sobre uma lousa, com giz. Mas, do rumoroso fato, o que Jenny teria sabido?
A escritora norte-americana Mary Gabriel. 
Foto: Mike Habermann, IISG
“Inesquecível parceira amada”, dizia Marx sobre a aristocrata, bela e aguerrida revolucionária cujo irmão, ministro do governo prussiano, Jenny tratava com carinhosa gratidão. Embora seguidamente Marx precisasse sair pela porta dos fundos de seu lar em dívidas, deslocado a Bruxelas, à Trier natal, a Paris ou à Holanda em busca de saldar dívidas, reunir-se com os companheiros ou fugir dos perseguidores políticos, viver sem Jenny lhe pesava a um ponto insuportável. “O meu amor por você, assim que você se afastou de mim, mostrou sua verdadeira face, um gigante, e nele todo o vigor da minha mente e todo o ardor do meu coração estão comprimidos”, escreveu-lhe Marx, a quem os íntimos chamavam Mohr.
Para Jenny, restavam a paciência e o envolvimento ao revisar pela noite as provas dos textos do marido. Ela recebia pobres como reis em sua casa sempre aberta, mas julgava impossível viver o cotidiano sem o modelo familiar conhecido. Embora seus ideais tinissem de novos, agia à moda antiga, submissa a um homem a quem reputava genialidade. E às três filhas que lhe restaram, Jennychen, Laura e Eleanor, insinuaria que idêntico fervor lhes seria inescapável.
Jennychen almejava uma vida como atriz, enquanto se dedicava aos múltiplos talentos como escritora, ensaísta e tradutora. Eleanor ardia pela militância e pelos palcos e Laura não parecia empolgada ao se casar com o revolucionário francês Paul Lafargue, ao lado do qual foi encontrada morta, ele também envenenado em aparente suicídio. Para elas Marx imaginara uma vida em que as finanças estariam estáveis por conta do casamento. Lafargue, em especial, fora aceito na família não pela militância marxista (“Se existe uma coisa certa é o fato de que eu não sou marxista”, assegurou Marx ao genro), antes por ser um médico de solidez familiar. Mas o autor de O Direito à Preguiça, reverenciado anos depois pelo líder russo Lenin, revelou-se errático como os maridos das outras irmãs, todos franceses, indiferentes à sorte de suas esposas.
“Marx era um homem tipicamente do século XIX, no sentido de que não reconhecia a situação das mulheres”, acredita Mary Gabriel. “Ele nem mesmo conseguia ver que condenava as filhas a vidas miseráveis ao não encorajá-las a dedicar seus maravilhosos talentos e mentes a uma existência distante do casamento. Eis um dos maiores enganos de Marx. Creio que ele foi diretamente responsável pelo fim trágico das filhas.” Antes de morrer, e logo depois de perder a esposa, ele viu Jennychen sucumbir a uma infecção generalizada, cercada por quatro filhos pequenos, vítima da solidão, encargos físicos e dívidas acumuladas pelo marido. Eleanor, enganada pelo insensível companheiro de jornada, suicidou-se após a morte de Marx.
Ao jornalista americano John Swinton, que lhe perguntou sobre o que ele imaginava constituir “a lei definitiva do ser”, o pensador respondera: “A luta!” No seu caso, ela fora também íntima e mental. Marx demorava para concluir seus livros, talvez porque julgasse constante a necessidade de atualizá-los e considerasse urgente lançar-se à ação. Mal conseguira concluir o Manifesto Comunista para a revolução de 1848. O Capital, “épico sobre conquistadores e conquistas”, como o define Mary Gabriel, levou quase duas décadas para ficar pronto, enquanto o General Engels precisou estar a postos para concluí-lo a partir das anotações hieroglíficas do companheiro morto. “Marx não conseguia parar de pesquisar”, diz Gabriel, cujo próprio trabalho durou dez anos para ser terminado. A autora estará na Bienal do Livro do Rio em agosto. Nesse momento, de sua residência italiana na costa adriática, ela escreve sobre cinco pintoras expressionistas abstratas americanas dos anos 1940 e 1950.
“Marx era um perfeccionista, e sua vida e de sua família foram duramente atingidas por isso”, afirma. “Ele jamais viveu de seus escritos, a não ser no período em que trabalhou como jornalista para um periódico nova-iorquino. Apesar de necessitar desesperadamente dele, o dinheiro seria a menor de suas preocupações.” Por seu lado, Jenny viveu com o que lhe coube. Mas, depois da morte do quarto filho, esmoreceu. “Não foi fácil perder a coragem”, escreveu em uma de suas belas cartas. “Tudo o que fazemos pelos outros é tirado de nossas crianças.” O marido, contudo, teve a oportunidade de lhe mostrar que não trabalhara em vão. Em 30 de novembro de 1881, uma década e meia depois de a primeira edição de O Capital ter sido publicada sem repercussão crítica, ele leu a Jenny o que escrevera Belfort Bax em um periódico: “O livro encarna o funcionamento de uma doutrina em economia comparável, por seu caráter revolucionário e importância abrangente, ao sistema de Copérnico em astronomia ou à lei da gravitação e da mecânica”. Marx viu os olhos dela nesse momento “maiores, mais adoráveis e mais luminosos do que nunca”. Jenny, que sofria de câncer, morreu dois dias depois, aos 67 anos.

terça-feira, 12 de março de 2013

domingo, 10 de março de 2013

O Professor do Futuro


Na dianteira da evolução digital que move o mundo do conhecimento na internet, o norte-americano Salman Khan propõe uma revolução: ensinar a todos, gratuitamente e em qualquer lugar.
Por Camilo Gomide – da revista PLANETA
Salman Khan - o desafio de levar educação para todos
Em 2012, o site da Khan Academy, do norte-americano de ascendência indiana Salman Khan, batia recordes. Além de crescer 400% ao ano, mais de seis milhões de pessoas o acessavam por mês, não em busca de entretenimento, mas de aulas, em sua maioria, de ciências exatas. Seus vídeos tiveram mais de 140 milhões de visualizações. Mais de meio bilhão de exercícios escolares foram feitos. Nessa audiênca cativa estão os computadores da família de Bill Gates, o dono da Microsoft, que assiste, entusiasmado, às aulas com os fi lhos.
O modelo de ensino digital do professor Khan não difere muito de outras iniciativas encontradas na internet. Cursos e plataformas de ensino digitais coexistem com a Khan Academy há certo tempo e estão em crescente expansão. Um bom exemplo são os vídeos de aulas de universidades internacionais de renome como o Massachusetts Institute of Technology (MIT) – na qual o próprio Khan se graduou em matemática e engenharia elétrica – e a Universidade Stanford, na Califórnia. Mas, apesar da tradição, as duas instituições juntas jamais somaram tantas visitas quanto o site tocado apenas por Khan antes de se profi ssionalizar, em 2010.
Suas aulas são simples. Na tela, imagens, desenhos e rascunhos de próprio punho vão surgindo para ilustrar o raciocínio do professor de 36 anos. Os vídeos são curtos, com duração média de 15 minutos, para evitar a dispersão do aluno. O criador do método parte da tese de que a capacidade de concentração de um aluno num mesmo assunto não passa de 18 minutos. Por motivos similares, Khan também nunca aparece nos vídeos, pois acredita que a figura do professor é fonte de distração. Mestre em ciência da computação, o professor indiano-americano, na verdade, criou um software simples com exercícios e respostas para os problemas escolares.
O que poderia, então, justificar tamanho sucesso? “O que eu acho que realmente cativou as pessoas nos vídeos foi a informalidade. Elas viam que aquilo era de verdade e falava para elas”, explicou Khan em São Paulo, em janeiro passado, onde veio difundir seu método, depois de apresentálo à presidenta Dilma Rousseff, em Brasília. Na capital paulista também aproveitou para lançar a edição brasileira do seu livro Um Mundo, uma Escola (Editora Intrínseca).
Solução familiar
Os esboços do que viria a se tornar um programa fenômeno de ensino online surgiram sem pretensão. Em 2004, Khan ofereceu-se para dar aulas de reforço escolar à prima Nadia. A garota de 12 anos saíra-se mal numa prova final de matemática do sexto ano. Mesmo desmotivada, acabou aceitando a ajuda. O problema era que Nadia morava em Nova Orleans, a 2.450 quilômetros de Boston, onde Sal, como é conhecido, vivia na época. A distância foi contornada por conversas por telefone e duas mesas digitalizadoras, que permitiam aos primos visualizar, pelo computador, os cálculos que faziam.
Deu mais do que certo. Nadia refez a prova e recuperou a nota. Seus irmãos mais novos também começaram a pedir aulas pela internet com Khan e a moda foi pegando. Em dois anos, mais gente da família aderiu ao método, que, àquela altura, passou a utilizar vídeos e um software gerador de exercícios desenvolvido pelo próprio Sal. “Em 2006, eu me peguei dando aula para 10 ou 15 primos”, contou Khan, em São Paulo.
Empolgado com os resultados, seguiu o conselho de um amigo e passou a publicar as videoaulas no YouTube. Mesmo sem publicidade, seu trabalho começou a ser visto por pessoas fora do círculo de convivência. No início de 2009, os acessos já chegavam a milhares e exigiam cada vez mais esforço de Khan, que se desdobrava para conciliar a atividade filantrópica com o ganhapão de analista de fundos de investimento – cada vez menos estimulante.
Embora convencido do potencial da Khan Academy, Sal não tinha a intenção de cobrar pelas aulas. Sua inspiração é do tipo missionária: oferecer educação de qualidade online gratuita para todos em qualquer lugar do mundo. No entanto, precisava de renda para sustentar a mulher, estudante de medicina realizando residência médica, e um fi lho recém-nascido. Resolveu, então, assumir o risco de viver um tempo com suas economias até encontrar um patrocinador. Eventualmente, recebia doações, mas nada expressivas.
Tudo mudou quando, em 2010, o projeto despertou a atenção do Google e de Bill Gates, que se declarou fã das suas aulas no palco em um evento dedicado a discutir ideias inovadoras em Aspen, Colorado. Daí para o estabelecimento de uma parceria que garantiria o aporte necessário para potencializar o crescimento da Khan Academy foi questão de semanas. Como aluno, a contribuição do criador da Microsoft foi modesta, mas como patrono o aporte foi determinante. O US$ 1,5 milhão doado pela Fundação Gates e mais um investimento de US$ 2 milhões do Google permitiram a Khan tentar, à sua maneira, transformar a educação.
Da internet à classe
A efi ciência das videoaulas digitais foi posta à prova em escolas de Los Altos, no Vale do Silício, na Califórnia. Todas as turmas (duas de quinto ano e duas de sétimo) que participaram do projeto piloto de matemática obtiveram resultados excelentes em exames estaduais padronizados de profi ciência. A essa altura, Khan, agora acompanhado por uma equipe, tinha desenvolvido mais um software, capaz de fornecer um monitoramento detalhado do rendimento dos alunos para ajudar os professores a orientar as aulas.
Toda essa tecnologia despertou o interesse de outras instituições, da mídia e também de países como o Brasil. Em 16 de janeiro, na véspera de uma reunião com Khan, o ministro da Educação, Aloizio Mercadante, anunciou a adoção das suas videoaulas nos 600 mil tablets que serão distribuídos pelo Ministério da Educação, a partir deste ano, a professores de ensino médio de escolas públicas no país. O governo também anunciou a criação de um portal online, aberto, contendo vídeos de aulas e palestras em todas as áreas do conhecimento, a ser produzido com conteúdos das universidades federais brasileiras.
“Fiquei impressionado com a energia do governo brasileiro”, disse Khan à PLANETA. “Em apenas doze horas no Brasil me reuni com o ministro da Educação e com a presidente. Eles me pareceram bastante empenhados. Espero que dê resultados.” Em São Paulo e em Santo André, dez escolas públicas do terceiro ao quinto ano do ensino fundamental já participam de um projeto-piloto que usa tecnologia da Khan Academy. O trabalho é resultado de uma parceria com a Fundação Lemann, do empresário Jorge Paulo Lemann, dono da cervejaria belgo-brasileira AB Inbev, que já traduziu 400 vídeos para o português, além de adaptar os softwares à realidade do nosso país. Ao longo de 2013, o plano é traduzir mais 600 vídeos de matemática. Lemann doou R$ 10 milhões ao projeto para implantá-lo em 200 escolas. No Rio de Janeiro, cerca de 1.000 escolas da rede municipal já estão usando vídeos de Khan em sala de aula, segundo a secretária de Educação, Cláudia Costin.
De acordo com a Fundação Lemann ainda não é possível falar em impacto no aprendizado, já que o projeto está sendo desenvolvido há apenas um ano. No entanto, as perspectivas são animadoras. “O que a gente percebe de imediato é o aumento da disposição dos alunos para estudar matemática e um maior engajamento nas aulas. O nosso software, assim como o da Khan, tem um componente de jogo que motiva os estudantes”, diz Daniela Caldeirinha, coordenadora de projetos da Fundação Lemann. O uso dos relatórios dos alunos também ajudou os professores a otimizar o trabalho em sala de aula. “Eles podem identifi car algumas dificuldades e fazer intervenções mais precisas”, afirma Daniela.
Conhecimento
Cada vez mais universidades alinhadas à filosofia de ensino gratuito de qualidade na internet têm produzido conteúdos para cursos abertos, conhecidos em inglês como open courses. Em sites como o coursera (www.coursera.org), universidades americanas de ponta, como Stanford e Princeton, divulgam videoaulas com cursos completos em diferentes áreas do conhecimento. “Esta é uma forma de garantir o acesso ao conteúdo universitário de alta qualidade a uma parcela maior da população que não tem condições de frequentar o ensino superior. Trata-se de um direito fundamental do ser humano”, diz Daphne Koller, professora de Stanford e cofundadora do portal.
Em menor número, universidades brasileiras começam a seguir o exemplo. A Universidade Estadual Paulista lançou em 2012 o Unesp Aberta (www.unesp.br/unespaberta), site feito a partir de conteúdo multimídia utilizado em cursos de ensino a distância. A Fundação Getulio Vargas e a Universidade do Sul de Santa Catarina (Unisul) já integram o Open Course Ware Consortium (www.ocwconsortium.org), organização internacional que estimula o compartilhamento de recursos educacionais online.
“Com a revolução da internet, não tem mais sentido as universidades quererem trancafiar o conhecimento dentro de si mesmas”, afirma Murilo Matos Mendonça, membro da mesa diretora do OCW e professor da Unisul. “Essa barragem transbordou e não é mais capaz de conter o fluxo de conhecimento que está por aí. Uma forma de a universidade continuar a ser relevante é adotar uma postura de compartilhamento e colaboração e mudar suas estratégias dentro da sociedade”, diz o professor.
Mas a questão não é de simples solução. No Brasil, as modalidades de ensino a distância ainda encontram resistência de boa parte da sociedade, seja por ignorância por falta de meios e de acesso à internet, seja por desconfiança com o processo pedagógico a distância ou mesmo pela recusa em compartilhar os direitos autorais dos conteúdos. Há baixa adesão a iniciativas como a OCW, da qual apenas seis instituições nacionais são membros.
“Enquanto no MIT todo o conhecimento científico produzido está disponível online, via Open Course Ware, a PUC-SP ainda vive no sistema de xerox para alunos”, critica Ladislaw Dowbor, professor de economia e administração da PUC-SP. “A gente investe tanto em educação e acaba com o acesso travado por conta do copyright; é preciso facilitar o acesso online, esse é o eixo democrático.”
Para alguns educadores, essa relutância significa atraso. “Não tem mais como separar o modelo de aprendizagem por modalidades, presencial ou a distância. As ferramentas que outrora eram exclusivas do ensino a distância, como o Google, hoje regem o dia a dia”, explica Stavros Xanthopoylos, diretor do FGV online (www5.fgv.br/ fgvonline/). “Os modelos educacionais não podem prescindir das ferramentas que movem a vida pessoal e profissional das pessoas. Ter preconceito do uso desses instrumentos no modelo educacional significa estar fora da realidade”, afirma Xanthopoylos.
Entre os defensores dos recursos educacionais abertos não falta quem critique a falta de aprofundamento no debate pedagógico em torno do uso das novas tecnologias digitais. Mas o valor da democratização do conhecimento pela internet é ponto pacífico. “É muito empolgante pensar que o mesmo conteúdo usado por Bill Gates e filhos está sendo utilizado por crianças em um orfanato na Mongólia”, disse Salman Khan à uma audiência atenta à revitalização da educação em São Paulo.

Chaga histórica


Para historiador, o principal ônus da era Chávez foi o ódio dos microfones do poder contra os que divergiam desse mesmo poder
Enrique Krauze – artigo publicado em O ESTADO DE SÃO PAULO
Chávez magnetiza a massa na Plaza Caracas em fevereiro
de 1998: legado polêmico.
(Foto: Jorge Santo/AP)
Ele tinha uma concepção polarizada do mundo. Via o mundo dividido entre amigos e inimigos, entre chavistas e pitiyanquis (simpatizantes dos americanos), entre patriotas e traidores. Descobri sua vocação social em livros e ensaios. Mas uma coisa é a vocação social, outra a forma na qual essa vocação é praticada. Obcecado por uma admiração anacrônica pelo modelo cubano, Hugo Chávez tumultuou as instituições públicas venezuelanas, corrompeu a companhia estatal Petróleos de Venezuela SA e foi protagonista do que poderá se revelar o maior desperdício de riquezas públicas de toda a história latino-americana. Mas embora os seus erros econômicos sejam de tão grande magnitude, empalidecem diante das chagas políticas e morais que infligiu ao país.
Chávez não só concentrou o poder: ele confundiu, ou melhor, fundiu sua biografia pessoal com a história venezuelana. Nenhuma democracia prospera onde um homem supostamente "necessário", único e providencial reivindica a propriedade privada dos recursos públicos, das instituições públicas, do discurso público, da verdade pública. O povo que tolera ou aplaude essa delegação absoluta de poder numa só pessoa abdica de sua liberdade e condena a si mesmo à adolescência cívica, pois essa delegação supõe a renúncia à responsabilidade sobre seu destino.
O principal prejuízo é a discórdia no interior da família venezuelana. Nada me entristeceu mais nas visitas a Caracas (nem sequer a escalada da criminalidade ou a visível deterioração da cidade) do que o ódio dos microfones do poder contra o amplo setor da população que divergia desse poder. O ódio dos discursos, dos cartazes, dos punhos fechados, dos arrogantes porta-vozes do regime em programas de rádio e TV, das redes sociais infestadas de insultos, mentiras, teorias conspiratórias, desqualificações, preconceitos. O ódio do fanatismo ideológico e do rancor social. O ódio surdo à razão e impermeável à tolerância. Essa é a chaga histórica que o chavismo deixa. Quanto tempo levará para sanar? E poderá sanar? É um milagre que a Venezuela não tenha desembocado na violência partidária e política.
Há algumas semanas, com o agravamento da doença de Chávez, antecipei sua imediata santificação, como ocorreu com Evita Perón na, mas, dada a tradição caudilhista da Venezuela, a sacralização de sua figura será mais profunda e permanente. Hugo Chávez conseguiu a imortalidade com que sempre sonhou. Na alma de muitos dos seus compatriotas (e de não poucos simpatizantes na América Latina), ele compartilhará das glórias do Libertador. Até o comandante Fidel Castro poderia sentir-se relegado, vítima de um suave, porém implacável parricídio.
O que acontecerá agora, depois de sua morte? Tudo pode ocorrer, até a divisão interna do chavismo em uma ala ideológica e uma militar ou a vitória da oposição. Contudo, é provável que o sentimento de pesar, somado à gratidão que um amplo setor da população sente por Chávez, facilitem o triunfo de um candidato oficial nas eventuais eleições. Para isso contribuirão os órgãos eleitorais, fiscais, judiciais e - em parte - os legislativos, que continuarão nas mãos do chavismo. Seu retrato, sua cadeira vazia, sua imagem retransmitida interminavelmente acompanharão por algum tempo o novo presidente. Mas todo sofrimento tem um fim. E, neste momento, chavistas não chavistas deverão enfrentar a gravíssima realidade econômica.
Os indicadores de alarme são de domínio público. O déficit fiscal corresponde a 20% do PIB, cerca de US$ 70 bilhões. O dólar, cotado a pouco mais de 6 bolívares, triplica no mercado negro. A inflação vem sendo há anos, a mais elevada da região. A escassez (decorrente do desmantelamento do parque industrial, do êxodo da classe média profissional e da falta crônica de investimentos) virou quase uma tradição venezuelana. Há uma aguda carestia de divisas. Como explicar que um país, que na era de Chávez auferiu mais de US$ 800 bilhões em receitas petrolíferas, apresente contas tão alarmantes?
Boa parte da explicação está no petróleo. Em 1998, a Venezuela produzia 3,3 milhões de barris diários e exportava (e cobrava) 2,7 milhões. Agora, a produção despencou para 2,4 milhões de barris diários, pelos quais cobra apenas 900 mil (os que vende aos EUA, o império odiado). O restante, que ele não cobra, divide-se assim: 800 mil vão para o consumo interno, praticamente gratuito (e que gera um polpudo negócio de exportação ilegal); 300 mil destinam-se a pagar créditos e produtos adquiridos na China; 100 mil são gastos com a importação de gasolina; e 300 mil vão a países do Caribe que pagam (quando pagam) com descontos e prazos enormes ou simbolicamente, como Cuba, que "paga" seus 100 mil barris com o envio de médicos, professores e policiais (e se beneficia do petróleo venezuelano a ponto de reexportá-lo).
Um presidente chavista deverá enfrentar essa realidade e encarar o público. Mas esse mandatário já não será Chávez o hipnótico, Chávez o taumaturgo, o líder que explicava tudo, justificava tudo, minimizava tudo. As pessoas culparão os chavistas por não estarem à altura do seu legado. Dirão: "Chávez não teria permitido isto", "Chávez teria resolvido isto". Chegado a este ponto, o próprio regime chavista talvez se convencesse da necessidade de um diálogo de conciliação que agora parece utópico. E aí se poderia abrir uma oportunidade concreta para a oposição.
Depois dos longos anos de inconsistências, omissões e erros, a oposição venezuelana mostrou-se unida, escolheu um líder inteligente e determinado (Henrique Capriles) e teve bom desempenho nas eleições: recebeu quase 7 milhões de votos. Durante a agonia de Chávez, sem deixar de levantar a voz de protesto, mostrou uma notável prudência que deve confirmar nestes dias de dor e de comoção. Se a oposição - que esperou tanto - conservar a coesão e a presença de espírito, poderá avançar nas eleições legislativas, regionais e presidenciais e recuperar as posições que perdeu. Uma força latente também deverá despertar: os estudantes. Eles exerceram papel fundamental no referendo de 2007 (que impediu a conversão aberta da Venezuela ao modelo cubano) e talvez voltem a exercê-lo.
Acredito que, com a morte do grande caudilho messiânico ("Redentor", como o chamou abertamente o próprio Maduro), a Venezuela encontrará, cedo ou tarde, o caminho da concórdia: se nos quinze anos de Chávez a violência verbal não transbordou para a violência física, é razoável esperar que não explodirá agora. E a mudança poderá ser contagiosa. Cuba, a Meca do redentorismo histórico, o único Estado totalitário da América, poderá reformar-se como a Rússia e a China. Toda a região poderá oscilar então entre regimes de esquerda social-democrática e governos de economia mais aberta e liberal. E para que o trânsito seja menos acidentado, os EUA também deveriam dar sinais inéditos de sensatez, cancelando o embargo a Cuba e fechando a prisão de Guantánamo.
O século 19 latino-americano foi o século do caudilhismo militarista. O século 20 sofreu o redentorismo iluminado. Ambos os séculos padeceram com os homens "necessários". Talvez no século 21 desponte um novo amanhecer, um amanhecer plenamente democrático. / TRADUÇÃO DE ANNA CAPOVILLA.
ENRIQUE KRAUZE, ESCRITOR E HISTORIADOR MEXICANO, É AUTOR DE OS REDENTORES - IDEIAS E PODER NA AMÉRICA LATINA (BENVIRÁ).

quarta-feira, 6 de março de 2013

¨¨¨Landisvalth Blog: Chorão, vocalista da banda Charlie Brown Jr, pode ...

¨¨¨Landisvalth Blog: Chorão, vocalista da banda Charlie Brown Jr, pode ...: Alexandre Magno Abrão tinha 42 anos e foi encontrado morto na madrugada desta quarta-feira em seu apartamento, na zona oeste de São Paulo....

domingo, 3 de março de 2013

Um Vecinho só em Heliópolis é sucesso


Alaelson e Silvano
Rita de Lula (Vice de Poço Verde)
 e o Padre prestigiaram


Muita gente da região compareceu
O público deu brilho à festa
A segunda homenagem dos músicos e amigos a Helvécio Pereira de Santana, intitulada Um Vecinho Só, ocorreu em pleno clima de harmonia no último sábado (02), na Avenida Sete de Setembro, em Heliópolis. Foi uma noite de gala, onde a ordem era reverenciar o músico heliopolitano que faleceu há dois anos em Salvador. E a missão foi cumprida. Sob a coordenação de Jorge Caldas e Paulinho Jequié, vários músicos cantaram sucessos de Vecinho e de inúmeros nomes regionais e nacionais da MPB e da música de raiz. O público compareceu em peso e participou de forma brilhosa.
Os colaboradores
Paulinho Jequié e Wilson Aragão

Giló
Vários comerciantes, autoridades, e pessoas da sociedade civil de todas as cidades da região deram alguma contribuição para realização do evento. Entretanto, Paulinho Jequié e Jorge Caldas denunciaram a falta de apoio da Heliópolis FM. Os organizadores chegaram a dizer nos microfones do evento que a emissora não ofereceu um minuto sequer de sua programação para divulgar o evento, mesmo sendo a única emissora local. Na contramão, a Buqueirão FM, de Cícero Dantas - a Nação FM, de Fátima e a Poço Verde FM, dentre outras emissoras, dedicaram espaços generosos ao evento. Os organizadores acham que é hora da Associação responsável pela manutenção da emissora repensar sua missão, já que se trata de uma emissora comunitária.
Paulinho Jequié, João Sereno e Casaca de Couro

Ana Dalva marcou presença

Jorge Caldas e Jailton

Não poderia faltar o poeta
Efetivação
Garotas recitaram versos de Calango
Os organizadores solicitaram da Câmara Municipal de Heliópolis uma Lei para que Um Vecinho Só passe a ser parte integrante do rol de festas culturais do município de Heliópolis. Paulinho Jequié e Jorge Caldas agradeceram os apoios recebidos da Prefeitura Municipal de Heliópolis e de alguns vereadores, mas o evento pretende ser oficial para garantir o seu financiamento. Foi a vereadora Ana Dalva que se comprometeu a conversar com todos os vereadores para a formatação de uma Lei coletiva com a finalidade de a homenagem a Vecinho se tornar uma promoção dos amigos, dos músicos e do governo do município.(Dê um clique nas fotos para ampliá-las)

sexta-feira, 1 de março de 2013

¨¨¨Landisvalth Blog: Músicos fazem nova homenagem a Vecinho

¨¨¨Landisvalth Blog: Músicos fazem nova homenagem a Vecinho: Um Vecinho só Jorge Caldas está numa correria santa para deixar tudo sem senão na segunda homenagem que violeiros, músicos, poetas e c...