Lomadee, uma nova espécie na web. A maior plataforma de afiliados da América Latina.

domingo, 22 de janeiro de 2012

O talento revivido de Noca do Acordeon


Noca do Acordeon

Se de minha mãe veio a orientação para os estudos, de meu pai veio o gosto pela música, em especial o forró. Meu gosto pela música de Luiz Gonzaga, Gérson Filho, Pedro Sertanejo e Jackson do Pandeiro eu devo aos vários discos de vinil e a uma velha radiola a pilha que meu pai colocava para tocar no início dos anos 1970, no Jardim Marilene, na cidade de Diadema, em São Paulo. Mas um artista havia desaparecido e marcou muito minha infância em São Paulo. O nome dele é Adauto Pereira Mattos, compositor e instrumentista de grande importância na historia da música brasileira. Baiano, nascido em 18 de novembro de 1940 na cidade de Jequié, seu nome artístico: NOCA DO ACORDEON. Filho de um veterano sanfoneiro de 8 baixos, Noca nasceu ouvindo o som do fole e com 12 anos já sabia tocar sanfona. Isto ainda na sua cidade natal, em Jequié, na Bahia. Ganhou de seu pai o primeiro acordeon e dois anos depois se aventurava na estrada rumo a Brasília. Lá se apresentou nas primeiras casas de espetáculo ali instaladas na capital federal que nascia. Tinha então apenas 19 anos.
A alma intranquila de Noca e o desejo de conquistar o sucesso levou-o ao Rio de Janeiro. Lá iniciou sua vida no rádio, tocando seu acordeon caipira na já então famosa Hora Sertaneja do Coronel Narcizinho, na Rádio Mayrink Veiga. A convite de Leonel Cruz - que podemos considerar seu descobridor - participou de um LP, executando 2 faixas e logo se destacou. Veio então o seu 1º LP e o sucesso. Noca que se projetou com "Baião da Saudade" e várias composições de sucesso, incluindo baiões, choros, forrós, boleros, tangos, valsas, dobrados, chorinhos e tantos outros ritmos. Lembro-me de ter ouvido “Brasileirinho” sanfonado com Noca do Acordeon. Fiquei abismado com a agilidade, o desembaraço, a personalidade e traquejo do músico baiano. Era, na verdade, um recital de acordeon, ou uma orquestra de foles comandada por um só homem.
Nos idos dos anos 1970 a 1980, Noca chegou a tocar nos vagões de luxo de trens de passageiro no Ceará. Foi provavelmente nessa época que nasceu a composição “De Fortaleza a Sobral”. Na biografia de Jackson do Pandeiro, consta que Noca começou acompanhando o músico paraibano. Jackson logo percebeu o seu talento extraordinário e o aconselhou: “Um sanfoneiro como você não é para tocar acompanhando ninguém. Você tem que gravar sozinho”. Quando Noca do Acordeon faleceu, em 18 de Julho de 1985, no Rio de Janeiro, ainda no melhor da sua fase produtiva, eu já estava morando em Serrinha, projetando ir para Heliópolis. Vim saber de sua morte bem depois. Agora estou tentando, com a ajuda da internet, recuperar a obra deste extraordinário músico. A música dele não pode cair no esquecimento.
Com a colaboração dos portais acervo origens e enciclopédia do nordeste.

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Filme sobre Tom Jobim dispensa depoimentos e foca em parcerias


MARCUS PRETO – da FOLHA DE SÃO PAULO – caderno ILUSTRADA
Tom Jobim
Em "A Música Segundo Tom Jobim", o diretor Nelson Pereira dos Santos quis fugir do padrão "programa de televisão" que norteia a maior parte dos documentários musicais recentes do país.
Fez um filme sem prosa. As palavras surgem em verso, nas canções. Versos de Vinicius de Moraes, Dolores Duran, Newton Teixeira, Chico Buarque e outros parceiros de Jobim -além do próprio, grande letrista, autor de, entre tantas, "Águas de Março". Nelson optou por não colocar legendas indicando quem é quem à medida em que as personagens surgem.
"A presença de qualquer legenda naquela tela pode cortar a relação do espectador com a imagem, com a música", diz. "Não fizemos um filme para informar. Fizemos um filme para ser contemplado, como são os de ficção." Em linhas gerais, resultou em um videoclipe de 86 minutos, montado a partir de interpretações de 43 artistas, nacionais e internacionais, para a obra do compositor.
A lista contempla todas as gerações que, desde os anos 1950, conviveram com esse repertório: Elizeth Cardoso e Ella Fitzgerald, Sammy Davis Jr. e Sylvia Telles, Elis Regina e Sarah Vaughan, Fernanda Takai e Diana Krall. Inclui imagens raras, como Maysa interpretando "Por Causa de Você" e Judy Garland cantando versão em inglês de "Insensatez".
"O fator que mais eliminou artistas na edição foi a qualidade técnica do material", diz Dora Jobim, neta de Tom e codiretora. "Mas o brilho nos olhos do intérprete determinava qual versão da mesma música seria escolhida."
Trata-se, portanto, de um filme de edição. Nelson afirma que o trabalho do diretor é mais organizar o material e amarrá-lo em um conceito. Irmã de Chico Buarque e parceira de Tom em dois álbuns no final dos 1970, a cantora Miúcha assina o roteiro. "A parte de procurar as coisas no YouTube foi a que mais adorei", diz. "De resto, encontrava o Nelson uma ou duas vezes por semana e contava tudo o que lembrasse."
Estopim da criação da bossa nova em 1958, João Gilberto não aparece no filme. Ou quase. O melhor intérprete de Jobim surge de raspão, tocando violão para Elizeth em "Eu Não Existo sem Você". "Mas é João mesmo? Sabe que eu nem tinha reparado", pergunta o diretor, piscando e sorrindo para sua parceira Dora. É que nenhuma imagem de João foi autorizada para o filme. Essa escapou do veto porque o cantor não é o protagonista.
"A Música Segundo Tom Jobim" tem um filme-irmão. Já finalizado, "A Luz de Tom" deve estrear entre o final deste ano e o começo do outro. Para ele, Nelson colheu depoimentos inéditos de três mulheres importantes na vida de Jobim: a irmã Helena e duas mulheres com quem foi casado, Tereza e Ana Lontra. A partir da memória delas, constrói outro Antonio Carlos Jobim. E ainda há muitos a serem descobertos.

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Mostra multimídia marca os 30 anos da morte de Elis Regina


Exposição conta com doações de todo o país e contêm fotos, áudios, vídeos, jornais e revistas
LUIZ FERNANDO VIANNA – de O GLOBO
Elis Regina (Paulo Moreira)
RIO - Allen Guimarães nasceu Alcindo 45 anos atrás e há 30 vive boa parte de seu tempo em nome de Elis Regina. Foi vendo os programas exibidos quando da morte da cantora, ocorrida em 19 de janeiro de 1982, que ele constatou que conhecia, sim, aquela voz, a de sucessos como "Lapinha" e "Madalena". E que precisava ver e ouvir mais essa mulher, desaparecida aos 36 anos em função de uma combinação possivelmente acidental de álcool e cocaína.
O projeto "Viva Elis", maior evento inspirado nas três décadas sem a artista, só começará a rodar o país em março graças a fãs apaixonados como Allen — o nome foi adotado durante uma estada nos EUA, já que um amigo não conseguia pronunciar "Alcindo". O paulistano se transformou no epicentro de uma rede de pessoas que, sem receber ordem ou dinheiro de ninguém, vinham montando acervos dedicados a Elis à espera de uma chance de torná-los públicos. A chegada desse momento permitiu a reunião inédita de, por enquanto, cerca de 500 fotos, mil reportagens de jornais e revistas, 36 horas de vídeos e um tempo ainda não calculado de áudios.
— E toda semana nos ligam oferecendo mais coisas — conta João Marcello Bôscoli, de 41 anos, o mais velho dos três filhos da cantora e principal responsável pelo "Viva Elis", projeto de R$ 6 milhões patrocinado pela Nívea e com programação gratuita cujo carro-chefe é uma exposição multimídia baseada no material reunido. Seu desejo é, após o fim da mostra, manter tudo — inclusive o pouco que a família tem — na sede de um Instituto Elis Regina, a ser criado em São Paulo, Rio ou Porto Alegre (cidade natal da artista).
— Não vamos guardar numa caixa — diz ele.
Documentário de seis horas
Allen está há seis anos na Trama, produtora e gravadora de João Marcello, e trabalha com Maria Rita, que participará de "Viva Elis" cantando o repertório da mãe. Ganhou o emprego graças à fama de obcecado pela cantora firmada entre 2000 e 2005, quando era funcionário da Universidade Federal de Uberlândia. Com o respaldo acadêmico, contatou instituições e emissoras de outros estados e países, formando uma coleção preciosa. Por exemplo: especiais de TV de Portugal, França e Alemanha, matéria-prima de um possível DVD futuro.
Mal resolveu estudar cinema, pôs na cabeça a ideia de um filme sobre Elis. Câmera na mão e mochila nas costas, fez 48 entrevistas. Foi reprovado por faltas. Ouviu em Uberlândia que documentário com mais de 20 minutos é chato. O seu tem seis horas, que foram exibidas em capítulos numa semana dedicada à cantora na universidade. A exposição de "Viva Elis" terá uma versão reduzida. A transcrição das entrevistas responde pela maior parte de um livro de Allen (também batizado de "Viva Elis"), que será enviado a bibliotecas na mesma época da mostra.
Do acervo que está em suas mãos, 90% vieram do Elis em Movimento, grupo criado em 1 de maio de 1982, em São Paulo, com o intuito de coletar o que dissesse respeito à carreira da cantora, não à vida pessoal. Chegaram a ser 700 sócios, enviando de todo o país fitas, fotos, bilhetes, revistas. A busca de um patrocínio foi em vão.
— Havia preconceito. Uma companhia aérea disse que ela era uma "fumeira" (usava drogas) — lembra um dos diretores, o sociólogo e assessor de imprensa Beto Previero, de 69 anos. — Não queríamos parecer um bando de alucinados. Foi preciso que saíssem uns fanáticos que viam Elis em cima da geladeira, em qualquer lugar. E realizamos 29 edições da Semana Elis. Agora, a função está cumprida.
Eles receberam de mães cujos filhos morreram em consequência da Aids coleções deixadas sobre a cantora. Em 2011, temendo que, após morrer, sua família jogasse fora o acervo montado ao longo dos últimos 46 anos (ingressos de todos os espetáculos, 40 discos de vinil, 70 CDs, dez pastas com recortes de jornais, três retratos de Elis que comprou de pintores de rua e 300 fitas de programas de rádio gravados na empresa de peças para relógios em que trabalhava), a paulista Isaura de Oliveira, de 62 anos, doou tudo para Allen.
— Ele me prometeu digitalizar. Não quero ganhar dinheiro, mas que tudo fique preservado — diz ela.
A jornalista carioca Teresa Cavalleiro também nunca vendeu os registros em super-8 que, ao lado do amigo Acyr Fonseca, fez do último show de Elis aberto ao público, em novembro de 1981, no Teatro João Caetano — em dezembro daquele ano, ela realizou um fechado para uma empresa. São imagens sem nitidez, mas históricas, de "Se eu quiser falar com Deus" e "O trem azul".
— Para ver minhas imagens na exposição, vou levar uma caixa de lenços — imagina Teresa, de 53 anos, que tem na sala de trabalho um pôster do show "O trem azul". — Nos dias 19 de janeiro e 17 de março (data de nascimento de Elis), uso a camisa do "Saudade do Brasil" (show de 1980), com o nome dela na bandeira no lugar de "Ordem e progresso".

domingo, 15 de janeiro de 2012

A 5ª Festa do Carro de Boi de Heliópolis





     A 5ª Festa do Carro de Boi do município de Heliópolis foi, mais uma vez, um sucesso. Cerca de 120 caros-de-bois, incluídos aí alguns caros-de-carneiros, carros-de-jegues e carroças. O desfile tradicional saiu da fazenda Vaca Brava, no município de Fátima, passando pelo povoado Angico e adentrando o município de Heliópolis. Além do desfile de carros-de-bois, motoqueiros, cavaleiros, carroceiros, muitos veículos participaram da caminhada promovida todos os anos pelo empresário Zé de Miguel, auxiliado por diversos colaboradores. “A festa cresceu muito e está além das minhas condições.”, disse Zé de Miguel. E cresceu mesmo. Este ano a previsão é de que mais de 15 mil pessoas assistiram ao desfile. Curioso é que são os carreteiros e os bois as atrações principais. Pessoas vindas de São Paulo, que nasceram em Heliópolis ou são parentes de pessoas que vivem no município ou na região fazem questão de fotografar, levar uma lembrança de um parente vestido tipicamente para a ocasião. ‘É uma cultura que não pode ser esquecida! Até os animais parecem gostar de tudo isso!”, falava uma turista orgulhosa, moradora em São Vicente – SP, que nascera em Heliópolis e já vive fora do município há 15 anos. A 5ª Festa do Carro de Boi de Heliópolis quebrou a monotonia e fez o agricultor esquecer um pouco o sofrido verão deste Janeiro. Veja a seguir uma sequência de fotos do evento. Clique na foto para ampliá-la.
































     Veja mais fotos no ANA DALVA NEWS e no LANDISVALTH BLOG

Siba se reinventa em Avante, seu primeiro álbum solo


     Pedro Brandt – do CORREIO BRAZILIENSE
     Siba se inspirou no filho: "Mesmo quando parece que não estou tratando dele, a música ou é para ele ou dialoga com a presença dele na minha vida"
     Quem vê Siba empunhando uma guitarra na capa de Avante, seu novo disco, pode até achar estranho. Afinal, o cantor e compositor pernambucano é mais conhecido pelo uso de outros instrumentos, como a rabeca e a viola. “Quem me acompanha desde a época do Mestre Ambrósio sabe da minha relação com a guitarra. Mas é um instrumento que eu tinha abandonado mesmo”, contextualiza o músico de 42 anos, nascido Sérgio Roberto Veloso de Oliveira. O retorno para a guitarra, ele conta, foi lento e árduo. “Levei um tempo para me resolver com a tarefa. Se eu fosse mais realista, teria declinado, porque foi difícil mesmo”, reconhece. Suas influências guitarrísticas são plurais, passando por tradições locais, anglo-saxãs e africanas. O instrumento está diretamente ligado ao que o cantor queria que fosse seu novo trabalho — o primeiro assinado apenas com seu nome, sem a presença de um grupo (caso da Fuloresta, que o acompanhou nos anos 2000, e do Mestre Ambrósio, sua banda na década de 1990) ou um parceiro (em 2003, com Barachinha, ele lançou No baque solto somente; e em 2009, com Roberto Corrêa, Violas de bronze). “O ponto, antes da guitarra, é a necessidade de um tipo de energia mais ligada à eletricidade”, explica o cantor. “Na Fuloresta, eu fazia a direção musical, os arranjos e, em cima do palco, cantava. Isso foi fundamental, mas eu estava com vontade de ter uma função mais musical ao vivo. E, para mim, a guitarra seria o ideal. A rabeca, nesse caso, não seria tão completa.” Avante, no entanto, não é uma ruptura com o passado musical de Siba. “O ponto em comum em tudo que já fiz como compositor e artista está ligado à poesia e à forma de escrever, a uma estética muito específica que pratico, embora com roupagens musicais diversas. A linha que liga tudo que escrevi é a poesia popular do Nordeste, a minha principal forma de expressão”, analisa Siba. Além da guitarra, um elemento presente na foto da capa de Avante determinou o que seria o álbum. Filho de Siba, Vicente, 5 anos, é a principal inspiração para a obra. “Ele é a ideia central do disco. Mesmo quando parece que não estou tratando dele, a música ou é para ele ou dialoga com a presença dele na minha vida.”
     Entre amigos
Avante, primeiro disco solo de Siba.
Produzido por Fernando Catatau e Siba, 11 faixas.
Lançamento com patrocínio do programa Petrobras Cultural.
Preço médio: R$ 20. Download gratuito em www.mundosiba.com.br.
     Gravado em São Paulo (onde o cantor voltou a residir em 2011), Avante conta com uma formação peculiar. Siba tocou guitarra e viola. Antônio Lourenço ficou responsável pelos teclados e vibrafones; Samuca Fraga, pela bateria (função executada, ao vivo, por Serginho Machado); e Léo Gervázio, integrante da Fuloresta, pela tuba, instrumento de sopro que, por conta do timbre grave, faz o papel do baixo nas canções. Lirinha participa da música Um verso preso, e o flautista Teco Cardoso, de Canoa furada. Vocalista e guitarrista da banda Cidadão Instigado, Fernando Catatau aparece na faixa Qasida e também assina a produção do álbum.  A amizade entre Siba e Catatau é antiga. A escolha do músico cearense para a produção vem também da admiração do pernambucano pelo segundo CD do Cidadão, O método túfo de experiências (2005). “Eu me identifico muito com a capacidade de Catatau em desdobrar a própria vida em uma obra artística que fala para qualquer pessoa — sem que ela tenha de conhecer o contexto no qual surgiu a coisa toda”, comenta.  Avante “vazou” no comecinho de 2012, dias antes de o site do músico — onde o álbum está disponível para download — entrar no ar. “Pensei que o disco ia vazar ainda no ano passado, mas ele apareceu na internet em 1º de janeiro. O timing foi perfeito”, comemora. Para este semestre, também está prevista a estreia de Siba nos balés da tormenta, documentário que registra a produção de Avante.

sábado, 14 de janeiro de 2012

Leitura: Uma história universal da fêmea


Márcia Lobo

     Há certos livros de leitura chata, mesmo que o tema seja interessante. Concluí leitura do livro de Márcia Lobo (foto) – Uma história universal da fêmea (editora: Religare, 2005, 223 páginas, 1ª edição). É diversão garantida com conhecimento. Reunindo curiosidades médicas, históricas e antropológicas sobre o sexo, baseadas em uma extensa e fundamentada bibliografia, a jornalista Marcia Lobo, que assina há mais de trinta anos matérias sobre sexo nas principais revistas femininas do Brasil, usou sua técnica literária para escrever um livro sobre sexo divertido e nada convencional, que vai desde as inúmeras maneiras de os povos explicarem a reprodução no correr dos séculos, as perversões mais bizarras, as crenças e os costumes incríveis, as formas inusitadas de se referir ao sexo e o ato sexual em várias partes do globo. Não há no livro essa coisa de feminismo ressentido ou lamento do sexo eternamente oprimido. A mulher aparece também fazendo das suas, e não são poucas. Ligada ao jornalismo feminino desde que começou na imprensa (como repórter do Jornal do Brasil, em finais de 1966), a carioca Marcia Lobo fazia parte da equipe que lançou a revista NOVA, da qual foi redatora-chefe até o começo de 1991.   É casada com o jornalista e escritor Moacir Japiassu, tem um filho (o também jornalista Daniel Japiassu).  
      Há relatos no livro que beiram a ficção, mesmo que se saiba da pura realidade. É o  caso do dr. J.H. Schultz (psiquiatra pioneiro em Berlim), diz ela, "que só conseguia chegar ao orgasmo quando enfiava o objeto da nossa inveja no cano de descarga de um caminhão". O livro relata desde o séc. XIX uma mercadoria que o homem negociava que era a mulher. São fatos do mundo inteiro desde a Índia, em que enfatizava as viúvas de se atirarem na pira funerária e morrer junto ao seu falecido marido. Os ingleses faziam trocas de animais por mulheres, caso o mesmo não se satisfizesse. Não há como descrever tantos casos insólitos que aconteceram neste mundo afora e o que acontece ainda nos dias de hoje, como por exemplo, na Índia, onde o nascimento de uma criança do sexo feminino é uma infelicidade para os pais. Quando tiver na fase adulta, e a mesma pretender se casar, ela terá que entregar dotes à família do futuro marido, deixando, às vezes, a família da noiva na miséria. Consequência:  muitos abortos quando se descobre que está à espera de um ser do sexo feminino. Leitura imperdível!

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Verba da cultura também na rota do favorecimento político


Pontos de Cultura do Estado estão à míngua há 1 ano enquanto o Ministério da Cultura envia R$ 9 milhões para grupo do interior de SP.
Jotabê Medeiros – de O Estado de S. Paulo
Ministra Ana de Holanda
Aos amigos, tudo. Aos inimigos, o rigor implacável da lei. A frase, atribuída ao presidente Arthur Bernardes (1922-1926), pode aplicar-se à política cultural do primeiro ano da ministra da Cultura, Ana de Hollanda.
Após um ano de penúria nas ações do ministério, a ministra firmou, em setembro, um convênio com um grupo de municípios, dirigido a partir de Monte Alto (cidade de 46 mil habitantes a 350 km da capital), no interior de São Paulo, no valor de R$ 9,17 milhões (o MinC, em seu site oficial, promete que o repasse total será de R$ 20 milhões).
Paradoxalmente, os mais de 300 Pontos de Cultura de todo o Estado (geridos pela Secretaria de Estado da Cultura) ainda esperam pagamento da terceira parcela de 2011. O valor em atraso para todo o Estado de São Paulo (beneficiando 176 municípios nas 15 regiões administrativas do Estado) não chega a 20% do chamado Grupo de Monte Alto. Um dos programas mais elogiados da gestão anterior, os Pontos de Cultura paulistas ainda não têm notícia sobre a continuidade do programa em 2012.
Qual seria a explicação para a notável demanda cultural detectada na região de Monte Alto? Bons contatos políticos ajudam a explicar. A ONG que intermediou o acordo que resultou no convênio (batizado de Consórcio Culturando) é a Associação de Gestão Cultural do Interior Paulista (AGCIP) tem longo relacionamento com o deputado federal Vicente Cândido (PT-SP) - que propôs lei tornando de utilidade pública a associação,
Fachada da AGCP em Monte Alto,
por onde devem passar R$ 20 mi do MinC
(Fatima Affonso Andre Almeida/AE)
O jornalzinho da AGCIP mostra foto recente da ministra Ana de Hollanda, de Antonio Grassi (presidente da Funarte), do deputado estadual João Paulo Rillo (PT-SP, propositor da lei que torna a AGCIP de utilidade pública) e Vicente Cândido "durante reunião sobre o consórcio criado pela AGCIP", segundo diz o texto. No Congresso, Cândido tem se constituído num dos pilares da sustentação da gestão de Ana de Hollanda. O deputado está em férias, e sua assessoria informou que ele só estará disponível para comentar esses temas na semana que vem.
O acordo de Monte Alto foi festejado pelo MinC como "um momento histórico para a cultura do interior paulista". Consultado, o ministério ficou de comentar a acusação de favorecimento político, mas a poucos minutos do fechamento desta edição informou que o setor jurídico iria analisar novamente a resposta.
A ação de Monte Alto incluiria 16 municípios. Edemilson José do Vale, secretário executivo do consórcio, nega que haja um substrato político no repasse de verbas para a região. "Vicente Cândido vem constantemente apoiando as ações da AGCIP; exemplo é a audiência, em 2007, de encontro dos dirigentes da entidade com o então secretário estadual da Cultura, João Sayad", disse. "Talvez por faltarem mais parlamentares a abraçar a pauta da Cultura é que os focos se dirigem aos poucos que fomentam a cultura como política pública de cidadania."
Segundo Edemilson, a iniciativa da ONGs de buscar verbas se deu porque "os recursos não chegam, nunca passam de Campinas" e que a AGCIP surgiu para fazer com que "o Estado e o governo federal" passem a olhar com mais atenção para o interior do Estado.
A AGCIP informou que vem trabalhando em mais de 30 municípios da região para ajudar a criar projetos para as leis de incentivo ("Criamos um know how", informou, em nota), mas ressalta que "não há relação institucional" entre as duas entidades (AGCIP e consórcio), embora admita que "as pessoas que trabalham na AGCIP iniciaram o projeto de criação do consórcio". O dinheiro seria gerido pelo grupo executivo nomeado pelos municípios integrantes do consórcio.
A Lei do Consórcio Público foi regulamentada em 2007. A ONG diz que o consórcio representa mais de 1 milhão de habitantes. "Desde o ano passado, vêm jogando todas as ONGs num saco só e botando no lixo", desabafou Vale.
Não há relação política, diz ONG
"A AGCIP não é uma entidade cultural pública e não foi criada a partir de lei ou de ação de nenhum deputado. Como toda Associação Civil, sem fins lucrativos, políticos ou religiosos, foi criada após reunião envolvendo 6 municípios, organizada em assembleia, seguindo o que prevê o Código Civil. Nesse sentido há uma liberdade de relação para que a AGCIP se relacione, como se relaciona o deputado Vicente Cândido com outros deputados, além de relações institucionais com a Secretaria de Cultura do Estado de São Paulo e o MinC."

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Maranhão terá em abril o maior festival de rock pesado do país


THALES DE MENEZES - da Ilustrada - FOLHA DE SÃO PAULO 
Integrantes do Anthrax (Frank Bello, Joey Belladonna, Scott Ian)
no Sonisphere Festival, na Suécia, em 2010
(
BiblioteKarin/Wikimedia Commons)

O grande evento brasileiro de heavy metal da temporada será fora do eixo Rio-São Paulo. Na verdade, bem longe dele. Em São Luís, no Maranhão, que vai abrigar três dias de rock pesado. O Metal Open Air acontece de 20 a 22 de abril, no gigantesco Parque Independência, próximo ao aeroporto da capital maranhense. Local destinado para grandes feiras agropecuárias, tem capacidade para 80 mil pessoas. Os ingressos estão à venda. O festival terá 20 bandas nacionais e 20 estrangeiras. O line-up completo ainda não foi anunciado --faltam cinco nomes brasileiros e oito estrangeiros--, mas as atrações confirmadas já garantem um evento atraente para os fãs. O maior nome, até agora, é o Anthrax (foto). A banda americana faz parte do Big Four, os principais grupos de thrash metal da história, ao lado de Metallica, Megadeth e Slayer. O guitarrista Scott Ian é um ícone do gênero, como o vocalista Joey Belladonna. Outros americanos na festa maranhense são Exodus e Obituary, com carreiras longas e bom fã-clube por aqui. A brigada alemã que vai a São Luís é da primeira linha do metal: Blind Guardian, Destruction e Grave Digger. Confirmado na última segunda-feira, o inglês Venom também atrai fãs de várias gerações. O canadense Anvil é outro veterano. Entre os nomes nacionais, André Matos, Krisiun e Shaman devem concentrar as maiores atenções. Segundo Luiz Felipe Negri de Mello, proprietário de uma das empresas responsáveis pelo evento, a escolha de São Luís foi respaldada por bons parceiros locais e um histórico de sucesso em 2011. "Fizemos quatro shows do gênero na cidade, com ótimo retorno de público: Blind Guardian, Primal Fear, U.D.O. e Doro", conta o empresário. Ele acredita que muita gente chegará de outros Estados. "Claro que o público de São Paulo e Rio, já acostumado com uma boa agenda de atrações, não deve vir, mas há uma grande massa de interessados no resto do país." O Metal Open Air anuncia mais atrações do festival nas próximas semanas.

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

"A Pele que Habito", de Almodóvar, lidera indicações ao prêmio Goya


Banderas e Elena Anaya em A Pele que Habito

"A Pele que Habito", de Pedro Almodóvar, recebeu 16 indicações aos prêmios Goya, o principal do cinema espanhol, seguido de perto por "No Habrá Paz para los Malvados", de Enrique Urbizu, com 14. "Blackthorn", de Mateo Gil, concorre em 10 categorias e "La Voz Dormida", de Benito Zambrano, em nove. Os quatro longas-metragens disputam a categoria principal, melhor filme, na 26ª edição do Goya, considerado o Oscar do cinema espanhol. Os quatro cineastas também disputarão a categoria de melhor diretor. Entre os atores, os indicados são José Coronado, Antonio Banderas, Daniel Bruhl e Luis Tosar. Entre as mulheres estão na disputa Verónica Echegui, Salma Hayek, Elena Anaya e Inma Cuesta.