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quarta-feira, 4 de abril de 2012

Quem matou este homem?


A expressão serena do morto intriga os cientistas até hoje.

Texto e fotos de Johnny Mazzilli – Revista PLANETA – edição 474
No ano 350 a.C., o homem de Tollund foi enforcado e enterrado num pântano da Jutlândia, na Dinamarca. Em 1950, seu corpo foi encontrado incrivelmente preservado, graças ao solo ácido e à falta de oxigênio da água. Depois de muito estudá-lo, cientistas, agindo como detetives, fizeram descobertas intrigantes.
Os Homens de Tollund, de Grauballe, de Barremose e de Raevemosen. Mulheres de Elling, de Haraldskær e de Yde. Cada um desses corpos é um testemunho silencioso de histórias de vida e morte intrigantes ainda não desvendadas. Dezenas de cientistas se debruçaram sobre eles em busca de respostas que surgem precárias e fragmentadas, como retalhos da colcha do passado. Mas, pouco a pouco, um vislumbre de como se vivia e morria em tempos heroicos, na Dinamarca, aparece.
Nas planícies da Península da Jutlândia abundam solos de turfa resultante da decomposição de musgo, junco e arbustos, geralmente em áreas saturadas de água. Dois tipos de musgo, o Sphagnum e o Hypnum, crescem em ecossistemas ácidos e encharcados, como os pântanos. No passado, a turfa seca era usada como combustível. Cortada nos pântanos, era queimada em lareiras e fogões, aquecendo as casas e cozinhando os alimentos.
Em 6 de maio de 1950, os irmãos agricultores Emil e Viggo Hojgard (pronuncia-se Rôigord), após semearem uma lavoura, foram ao Pântano Bjaeldskov, localizado a 6 km da pequena cidade de Silkeborg, para cortar turfa para suas casas. Ao cavar o terreno arenoso e macio, a pá de Viggo bateu em algo duro. Removida a turfa, descobriu-se o corpo de um homem estrangulado por uma corda, cuja preservação induziu os irmãos a imaginar um assassinato recente. A polícia, entretanto, já tinha conhecimento do aparecimento de vários corpos semelhantes na área, no passado, e levou um arqueólogo ao local.
À direita, o cadáver nu, com gorro, corda no pescoço e cinto de couro.
À esquerda, um pântano de turfa.
 
Assim, foi descoberto o corpo pré-histórico mais preservado que existe. Os exames da datação do carbono-14 revelaram que ele vivera por volta do ano 350 a.C. e morrera com aproximadamente 40 anos, durante a Idade do Ferro das tribos celtas da Europa Central. Tinha 1,61 metro de altura, cabelos ruivos e estava nu, apesar de vestir um gorro e ter um cinto de couro de 77 centímetros de comprimento em volta da cintura.
O homem de Tollund ganhou esse nome em homenagem à vila onde os irmãos Hojgard viviam. Em torno de seu pescoço havia um sulco profundo e uma corda de couro trançado – usada no enforcamento. Na cabeça usava um gorro de couro de ovelha em ótimas condições, forrado de lã no interior. A serenidade da face e o excepcional estado de conservação tornaram-no uma celebridade instantânea no jet set dos corpos da turfa.
Sob o corpo havia uma fina camada de musgo. Pela sua posição, concluiu-se que fora cuidadosamente depositado na turfeira, há dois mil anos. A autópsia e os exames realizados no Hospital Bispebjerg e no Museu Nacional da Dinamarca mostraram que a cabeça e os órgãos internos encontravam-se intactos. O estômago e os intestinos revelaram uma última refeição: sopa de legumes, com grãos de cevada, 30 tipos de semente de espécies cultivadas e selvagens e várias ervas daninhas. A presença do alimento no intestino grosso indica que foi consumido entre 12 e 24 horas antes da morte. De posse da lista de ingredientes, os arqueólogos chegaram a reproduzir a sopa, mas o gosto não agradou.
Em 1938, 12 anos antes, outro corpo fora descoberto a apenas 80 metros de distância – a mulher de Elling. Sua preservação, entretanto, resultara precária; apenas o cabelo e o penteado estavam intactos. Assim como o homem de Tollund e quase todos os corpos encontrados nas turfeiras, a mulher de Elling tinha cabelos avermelhados, não por ser ruiva, mas porque a acidez do pântano descoloriu-os. Exames realizados em 1976 revelaram que a moça tinha cerca de 25 anos e apresentava um sulco visível ao redor do pescoço. Ao lado do corpo, havia uma corda curta de couro trançado. Tal como o homem de Tollund, morrera por enforcamento.
Chegaram a pensar que o crime tinha sido recente
As condições físico-químicas da turfa preservam a pele e os órgãos internos graças à água altamente ácida, fria e pobre em oxigênio, quase anaeróbica – hostil ao desenvolvimento de bactérias. No entanto, os ossos resistem menos, pois a acidez dissolve o fosfato de cálcio da estrutura. Ao longo dos séculos essas condições também enegreceram os corpos. A prolongada imersão ainda eliminou a possibilidade de um exame de DNA. Diversos estudos continuam sendo realizados nos corpos da turfa, mas nunca foi feito um teste de DNA nos cadáveres que já foram descobertos na Irlanda, no Reino Unido, na Holanda, na Alemanha e na Suécia.
Até 1965, nada menos do que 1,8 mil corpos já haviam sido descobertos em pântanos da Europa Setentrional. Na época, muitos recursos de pesquisa de hoje estavam longe de existir. Parte dos corpos era formada por apenas fragmentos, muitos dos quais, uma vez retirados dos pântanos, rapidamente se deterioraram. Parte do material foi catalogada, muita coisa se perdeu e poucos cadáveres – só os mais bem preservados – se tornaram objetos de interesse e ganharam notoriedade.
Nos pântanos da Jutlândia, os corpos mostram sinais de terem sido executados por enforcamento e depositados na turfa, e sua datação é parecida. Os arqueólogos acreditam que se trata de vítimas de sacrifícios humanos na época do paganismo germânico politeísta, durante a Idade do Ferro, que durou de 500 a.C. até o ano 800 d.C. As turfeiras eram lugares de contato e de sacrifício aos deuses.
Depois de executado, o homem de Tollund não foi abandonado ao ar livre ou atirado em uma vala, tratamento dado a criminosos e a inimigos, mas, sim, colocado no lugar onde foi enterrado, junto com a corda arrumada em espiral. Os olhos e a boca foram cerrados como se dormisse. A língua, entretanto, estava distendida – sinal de enforcamento. Aparentemente, foi morto no fim do inverno ou no começo da primavera, sugerem os ingredientes encontrados em seu estômago. Nessa época os sacrifícios eram associados à deusa da primavera, Ostera, no paganismo germânico. Só os melhores homens eram destinados aos deuses.
Anos de investigação permitiram aos cientistas
reconstituir a história do homem de Tollund.
 
Não há registros escritos desse tempo. Mas quatro séculos depois, o escritor romano Cornélio Tácito coletou relatos de mercadores que viajaram pelo norte e contaram que as tribos escandinavas costumavam “enforcar em árvores traidores e renegados, que eram afundados no pântano e cobertos de gravetos”. Outras, “como a tribo dos semnonanos, do norte da Alemanha, sacrificavam homens aos deuses por enforcamento”. Um bracelete de prata encontrado com o corpo do homem de Raevemosen – o famoso Gundestrupkarret – retrata uma cena de sacrifício, ocorrida na mesma época do homem de Tollund, em que uma vítima é jogada em um tonel. O gorro pontudo de couro de ovelha parece ser o mesmo.
Após os exames, o homem de Tollund, que ficara dois milênios imerso em ambiente anaeróbico, foi trazido a um ambiente aeróbico povoado por bactérias e logo começou a se decompor. Como a cabeça e os pés eram as partes mais preservadas, os cientistas decidiram se concentrar na sua conservação. O restante do corpo foi desidratado e armazenado em uma câmara fria do Museu Nacional, em Copenhague. Uma réplica do corpo foi montada com as partes verdadeiras – a cabeça, a corda do enforcamento, o gorro e os pés – e pode ser vista no Museu de Silkeborg, na cidade homônima. Já o homem de Grauballe, outra celebridade oriunda dos pântanos bem preservada pela turfeira do norte da Jutlândia, teve sua garganta cortada no século 3 a.C. Ao contrário da serenidade facial do homem de Tollund, que parece dormir o sono tranquilo dos justos, um enorme talho na garganta e uma expressão atormentada na face parecem revelar a agonia de seus momentos finais. Sobre ele o poeta irlandês Seamus Heaney escreveu um poema que diz: “Como se tivesse sido derramado/ Em alcatrão ele jaz/ Em um travesseiro de turfa/ Parece chorar/ O rio negro de si próprio.”

terça-feira, 3 de abril de 2012

¨¨¨Landisvalth Blog: Há 43,4 mil vagas em concursos no Brasil

¨¨¨Landisvalth Blog: Há 43,4 mil vagas em concursos no Brasil:    Cargos são de todos os níveis de escolaridade. Salários chegam a R$ 21.766,15 no TRT de Sergipe       Da redação do CORREIO. Pelo...

segunda-feira, 2 de abril de 2012

Paulo Coelho nunca foi amigo do meu pai, diz filha de Raul Seixas


     AMON BORGES – para a FOLHA DE SÃO PAULO
Filha caçula do cantor Raul Seixas, Vivi Seixas (foto) segue os 
passos do pai na música, mas atua como DJ de house music
Vivi Seixas tinha oito anos quando seu pai, Raul Seixas, morreu vítima do consumo excessivo de álcool em agosto de 1989. "Tenho lembranças lindas dele me ensinando sobre Elvis Presley e tocando para eu cantar", conta em entrevista ao "Guia". Sobre Paulo Coelho, a filha caçula do "maluco beleza" diz que, "diferentemente do que as pessoas pensam, ele nunca foi amigo do meu pai, e, sim, parceiro musical" (leia abaixo a entrevista).
Prestes a completar 31 anos, Vivi é uma das mais de 50 personagens que deram seus depoimentos para compor o documentário "Raul, O Início, O Fim e o Meio", dirigido por Walter Carvalho. "O filme é bom, porém, assim como meu pai, tem defeitos. A decadência e a morte dele ganharam um tom pesado e que resvala no 'pieguismo'", diz a atual DJ, que segue os passos do pai na música, influenciada pela forma com que ele mesclava vários estilos. "Gosto de misturar as vertentes da house music, sem ficar presa em uma só. Preparei um set com algumas músicas como 'Mosca na Sopa', 'Carimbador Maluco' e 'Rock das Aranhas'. Todas com uma pegada mais moderna".
Além de Vivi e das outras duas filhas de Raul, amigos e parceiros --como Caetano Veloso, Marcelo Nova, Tom Zé e Paulo Coelho-- e quatro grandes companheiras também participam do filme, com declarações que ajudam a apresentar uma imagem da lenda do rock nacional.
Lenda do rock Raul Seixas e sua filha caçula Vivi Seixas (foto),
que adorava a barba do pai quando criança
ABAIXO, LEIA O BATE-PAPO COM VIVI SEIXAS:
Guia Folha - Qual sua avaliação sobre o documentário?
Vivi Seixas - O filme é bom, porém, assim como meu pai, tem defeitos. Com mais de duas horas de duração, o documentário ficou excessivamente longo. A decadência e morte dele ganharam um tom pesado e que resvala no "pieguismo" --o diretor leva a empregada Dalva a revisitar o apartamento onde ele faleceu. Na verdade, ele priorizou diversas cenas com esse caráter mais subjetivo, como a dança de Elvis Presley feita por um amigo de infância de Raul ou quando vemos, por exemplo, o ator Daniel de Oliveira revelando que seu filho se chama Raul, ou até quando o jornalista Pedro Bial canta uma das músicas do ídolo.
Abordou fielmente a vida do seu pai?
A obra de Raul é maior do que caberia em apenas um filme. Há mais a ser falado, mostrado... Principalmente, em relação à criação musical.
Qual a parte que mais te emociona ou te marca no filme?
A parte final me fez lembrar quando eu estive em São Paulo no apartamento da rua Frei Caneca, três meses antes da morte dele. Fomos juntos a uma padaria pela manhã, juntos, e chorei quando ele pediu um chope. Mesmo sem saber exatamente da sua doença, eu pressenti que alguma coisa estava muito errada.
Ainda tem contato com amigos e parceiros de seu pai, como Paulo Coelho?
Paulo Coelho, diferentemente do que as pessoas pensam, nunca foi amigo do meu pai, e, sim, parceiro musical. Como o próprio Paulo já declarou, eram "inimigos íntimos". Mantenho contato, sim, com os amigos Rick Ferreira, Claudio Roberto, Sylvio Passos e Marcelo Nova.
Qual a música de seu pai que você mais gosta?
"Ângela" e "Lua Cheia": duas músicas que ele compôs pra Kika, minha mãe. Ela foi realmente a grande paixão do meu pai e a única que trabalhou sua obra durante todos esses anos. Pena que ela não suportou as crises de alcoolismo dele. Eu tinha 5 anos, e ele ficava constantemente internado.
O Raul tem essa fama de doido, maluco beleza. Mas como ele era em casa? Como era seu relacionamento com ele?
Diferente da fama era uma pessoa extremamente educada, caseira e amorosa. Tenho lembranças lindas dele me ensinando sobre Elvis Presley e tocando para eu cantar.
Quando ele morreu você era pequena. Como foi assimilar a perda?
Como para qualquer criança, foi difícil para mim, mas o que me ajudou muito --e ajuda até hoje-- é ter a voz dele para eu escutar quando quiser. Isso ameniza muito a saudade.
Em relação à sua profissão: como começou? Vai tocar em alguma casa em SP? Quais os planos?
Depois de muitos anos me questionando, em 2004, resolvi assumir o meu lado musical, completamente diferente do meu pai. A house music é a minha forma de expressão. Mas nenhuma festa marcada em São Paulo. Mas adoraria tocar no D- Edge [clube da zona oeste de São Paulo].
A música de seu pai influencia no seu trabalho de DJ?
Como homenagem a Raul, preparei um set com algumas músicas como "Mosca na Sopa", "Carimbador Maluco" e "Rock das Aranhas". Todas com uma pegada mais moderna. O que me influencia é a forma que meu pai tinha de misturar vários estilos. Do baião ao tango, do rap ao forró. Gosto de misturar as vertentes da house music, sem ficar presa em uma só.
Ouça o trabalho de Vivi Seixas e as versões "metamorfoseadas" no MySpace.
ASSISTA AO TRAILER DE "RAUL, O INÍCIO, O FIM E O MEIO":

sábado, 31 de março de 2012

Cerca de 75% dos brasileiros jamais pisaram em uma biblioteca


Pesquisa do Instituto Pró-Livro mostra que 71% da população têm fácil acesso a uma biblioteca
Edison Veiga e Paulo Saldaña - O Estado de S.Paulo
O desempregado gaúcho Rodrigo Soares tem 31 anos e nunca foi a uma biblioteca. Na tarde desta terça-feira, ele lia uma revista na porta da Biblioteca São Paulo, zona norte da cidade. "A correria acaba nos forçando a esquecer essas coisas." E Soares não está sozinho. Cerca de 75% da população brasileira jamais pisou numa biblioteca - apesar de quase o mesmo porcentual (71%) afirmar saber da existência de uma biblioteca pública em sua cidade e ter fácil acesso a ela.
Vão à biblioteca frequentemente apenas 8% dos brasileiros, enquanto 17% o fazem de vez em quando. Além disso, o uso frequente desse espaço caiu de 11% para 7% entre 2007 e 2011. A maioria (55%) dos frequentadores é do sexo masculino.
Os dados fazem parte da pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, do Instituto Pró-Livro (IPL), o mais completo estudo sobre comportamento leitor. O Estado teve acesso com exclusividade a parte do levantamento, cuja íntegra será divulgada nesta quarta-feira em Brasília.
Para a presidente do IPL, Karine Pansa, os dados colhidos pelo Ibope Inteligência mostram que o desafio, em geral, não é mais possibilitar o acesso ao equipamento, mas fazer com que as pessoas o utilizem. "O maior desafio é transformar as bibliotecas em locais agradáveis, onde as pessoas gostam de estar, com prazer. Não só para estudar."
A preocupação de Karine faz todo sentido quando se joga uma luz sobre os dados. Ao serem questionados sobre o que a biblioteca representa, 71% dos participantes responderam que o local é "para estudar". Em segundo lugar aparece "um lugar para pesquisa", seguido de "lugar para estudantes". Só 16% disseram que a biblioteca existe "para emprestar livros de literatura". "Um lugar para lazer" aparece com 12% de respostas.
Perfil. A maioria das pessoas que frequentam uma biblioteca está na vida escolar - 64% dos entrevistados usam bibliotecas de escolas ou faculdades. Dados sobre a faixa etária (mais informações nesta página) mostram que, em geral, as pessoas as utilizam nessa fase e vão abandonando esse costume ao longo da vida.
A gestora ambiental Andrea Marin, de 39 anos, gosta de livros e lê com frequência. Mas não vai a uma biblioteca desde que saiu dos bancos escolares. "A imagem que tenho é de que se trata de um lugar de pesquisa. E para pesquisar eu sempre recorro à internet", disse Andrea.
Enquanto folheava uma obra na Livraria Cultura do Shopping Bourbon, na Pompeia, zona oeste, diz que prefere as livrarias. Interessada em moda, ela procurava livros que pudessem ajudá-la com o assunto. "Nem pensei em procurar uma biblioteca. Nas livrarias há muita coisa, café, facilidades. E a biblioteca, onde ela está?", questiona. Dez minutos depois, passa no caixa e paga R$ 150 por dois livros.
O estudante universitário Eduardo Vieira, de 23 anos, também não se lembra da última vez que foi a uma biblioteca. "Moro em Diadema e lá tem muita biblioteca. A livraria acaba mais atualizada", diz ele, que revela ler só obras cristãs. "Acho que nem tem esse tipo de livro nas bibliotecas."

Goeth! O filme de Stölzl que narra um pouco da vida do criador do Romantismo


Por : Marcos Rosa 
(http://algunsfilmes.blogspot.com.br)
“Apenas o amor mantém o mundo unido em sua essência” Goeth
Goeth
“ Enquanto ela falava, como eu me deletei em fitar os seus olhos negros! Como toda minha alma era atraída pelos seus lábios cheios de vida, suas faces frescas e animadas! Quantas vezes, absorvido em minha admiração pelo sentido das suas frases, sequer cheguei a ouvir as palavras de que ela se servia!” Não, este trecho não foi extraído do filme, mas sim do livro “Os Sofrimentos do Jovem Werther” que tem profunda relação com a película.
Uma das inúmeras vantagens de assistir filmes sobre escritores ou filósofos é que sempre recorremos aquele livro empoeirado na estante ou aos books perdidos na rede. No caso deste filme a leitura do livro citado acima só tem a contribuir para amplificar o sentimento do personagem, um sentimento muito fácil de adivinhar: a paixão, é claro!
Johann Goeth (Alexander Fehling) é um jovem aspirante a escritor, porém existem duas pequenas barreiras que o impedem: a falta de habilidade para o ofício e o espírito protetor do pai que, já sabendo da sua inabilidade com as letras, o convence a desistir da idéia de escrever, ainda mais sem rima! É assim que Johann Goeth vai parar em Wetzlar, uma cidadezinha do interior da Alemanha aonde deveria aprender o ofício do Direito.
Na pequena vila o ex-aspirante a escritor logo faz amizade com Wilhelm Jerusalem (Volker Bruch), outro romântico inveterado. Goeth percebe também que deverá trabalhar muito para satisfazer seu chefe Albert Kestner (Moritz Bleibtreu). Porém, aquela vila guardava mais que trabalho burocrático, funcionários puxa-saco e chefes exigentes, foi o que descobriu aquele que mais tarde escreveria o celebre Fausto, ao conhecer a bela Charlotte Buff (Miriam Stein). Mas uma história de amor não é uma história de amor se não tiver seus obstáculos, barreiras, sofrimentos, fantasias, paixão, abdicação...
E a barreira desta história de amor é a mais comum de todas, como disse o amigo de Goeth: “rapaz se apaixona por garota que está prometida a outro rapaz rico”. Desta trama não lhes resta apenas saber seu desfecho, mas sim o meio, afinal, quem sabe não tenha nascido daí aquilo que conhecemos hoje por romantismo.

Título original: (Goeth!)
Lançamento: 2010 (Alemanha)
Direção: Philipp Stölzl
Atores: Alexander Fehling, Miriam Stein, Moritz Bleibtreu, Volker Bruch, Burghart Klaußner, Henry Hübchen
Duração: 100 min
Gênero: Drama

quinta-feira, 29 de março de 2012

"Avenida Brasil", ou Branca de Neve no lixão


Veja o que diz Tony Goes, do F5 do FOLHA.COM, sobre a nova novela da Globo.

Rita (Mel Maia) tenta fugir de Carminha (Adriana Esteves) em "Avenida Brasil"
(foto: João Miguel Junior/Divulgação/TV Globo)

Era uma vez uma linda menininha que vivia com seu pai e sua madrasta. Um dia o pai morreu e a madrasta resolveu se livrar da garota. Chamou um capanga e mandou ele a levasse para um lugar ermo e perigoso, para que ela nunca mais voltasse.
Existem inúmeras variações da história de "Branca de Neve", mas o ponto de partida é sempre o mesmo: a madrasta que quer matar a enteada. Agora mesmo existem dois novos filmes americanos prestes a estrear nos cinemas, "Espelho, Espelho Meu" e "Branca de Neve e o Caçador", e também uma série de TV, "Once Upon a Time", que chega em breve ao canal Sony.
É um arquétipo tão forte que também serviu de premissa para "Avenida Brasil", a novela que estreou segunda passada na Globo. A floresta do conto original virou um lixão e a rainha má agora se chama Carmen Lúcia. Que não está interessada em ser a mais bela do reino: só a mais rica.
Rita (Mel Maia) tenta fugir de Carminha (Adriana Esteves) em "Avenida Brasil"
"Avenida Brasil" estreou com aplausos unânimes, inclusive dos críticos mais implacáveis de hoje: os tuiteiros. Até Aguinaldo Silva, autor da antecessora "Fina Estampa", admitiu a qualidade da nova novela. Mas claro que ele não se conteve e apontou que a audiência caiu, olha só que danadjiiinho.
É cedo para saber se "Avenida Brasil" vai mesmo emplacar, além do mais porque ainda estamos na primeira fase. Por enquanto a ação se passa em 1999 --mas que ação, hein? Os três primeiros capítulos foram eletrizantes e com um cuidado de produção que lembra o cinema. Nem se demoraram a apresentar os personagens, que, aliás, ainda são poucos.
Mas primeiras fases costumam enganar. "Renascer", novela de Benedito Ruy Barbosa exibida em 1993, teve uma primeira fase gloriosa, que durou apenas cinco capítulos. Depois a trama deu um pulo de uns vinte anos, e o nível nunca mais foi o mesmo. Muita gente ainda reclama de Mariana, um personagem desagradável feito pela então novata Adriana Esteves.
A mesma Adriana agora se redime com o melhor papel de toda sua carreira. Ela está sensacional como Carmen Lúcia: vulgar, egoísta e totalmente crível, coisa que a "falecida" Tereza Cristina nem tentava ser. Mas será que Débora Falabella será uma antagonista à sua altura?
Implico um pouco com Débora Falabella. Para começar, ela já tinha 20 anos em 1999, enquanto que Mel Maia --a menina-prodígio que interpreta Rita nesta primeira fase da novela-- tem apenas sete. Até aí, tudo bem: é mais do que comum atores interpretarem personagens mais jovens do que eles mesmos.
Acontece que eu simplesmente não vou com a cara de Débora. Coitada, ela nunca me fez nada. Nutro-lhe uma antipatia completamente gratuita, e quero só ver se ela vai ser capaz de segurar essa peteca.
O desafio não é só dela. Branca de Neve era uma figura totalmente passiva, que caía em sono profundo enquanto os anões e o príncipe cuidavam da bruxa. A Rita/Nina de "Avenida Brasil" não será: o autor João Emanuel Carneiro já avisou que ela é uma espécie de Flora, a vilã de "A Favorita", mas "do bem". Vai ser interessante ver como ele consegue resolver esta contradição. Ou melhor, se consegue.

Tony Goes tem 50 anos. Nasceu no Rio de Janeiro mas vive em São Paulo desde pequeno. É publicitário em período integral e blogueiro, roteirista e colunista nas horas vagas. Escreveu para vários programas de TV e alguns longas-metragens, e assina a coluna "Pergunte ao Amigo Gay" na revista "Women's Health". Colaborador frequente da revista "Junior" e da Folha Ilustrada, foi um dos colunistas a comentar o "Big Brother 11" na Folha.com.

terça-feira, 27 de março de 2012

¨¨¨Landisvalth Blog: Só os eleitores nos salvarão das trevas

¨¨¨Landisvalth Blog: Só os eleitores nos salvarão das trevas:                       Landisvalth Lima Os leitores deste blogue, alunos, amigos e partidários vivem a me perguntar em que pé estão a...

segunda-feira, 26 de março de 2012

Educadores questionam nova base do ensino médio


     Especialistas se dividem quanto à utilidade das diretrizes do MEC homologadas neste ano
     MARIANA MANDELLI - O Estado de S.Paulo
Dar identidade à etapa mais problemática da educação básica em 23 artigos de uma resolução e em 50 páginas de um parecer, permitindo que as escolas permeiem seus currículos com os conteúdos de quatro dimensões: trabalho, ciência, tecnologia e cultura. É esse o objetivo das novas diretrizes curriculares para o ensino médio, homologadas pelo Ministério da Educação (MEC) no início do ano, que tem recebido críticas de especialistas quanto à sua utilidade. As novas diretrizes tentam inserir "procedimentos que guardem maior relação com o projeto de vida dos estudantes como forma de ampliação da permanência e do sucesso dos mesmos na escola". Ou seja, tentam deixar a escola mais atraente com a ideia de inserir conteúdos relacionados às quatro dimensões na base curricular.
Na prática, as escolas são obrigadas a discutir o documento - que é mais doutrinário que mandatório -, mas sem desobedecer à Lei de Diretrizes e Bases da Educação, onde estão fixadas as disciplinas obrigatórias. Os críticos afirmam que o documento apenas legitima o que já existe: uma enxurrada de disciplinas que são voltadas para o vestibular. "O Brasil não diversifica e mantém a ideia que todo mundo tem de fazer a mesma coisa. É um 'pau de sebo', um sistema que mais expulsa que inclui", diz João Batista, do Instituto Alfa e Beto. Para ele, o texto das diretrizes tem uma "erudição boba". "Não vai mudar nada. Isso das quatro dimensões é só envelope. As escolas não vão deixar de dar o que cai na Fuvest. "
O economista Cláudio Moura e Castro tem opinião semelhante. "O vestibular é coisa para gênio. É uma montoeira de matéria que rebate no ensino médio. Resultado: ninguém aprende, só decora", afirma. "No resto do mundo há segmentação. Só a Alemanha tem quatro alternativas. Os Estados Unidos têm um programa muito aberto e dificilmente um aluno faz os mesmos cursos que o outro." Para especialistas em educação básica, as novas diretrizes não resolvem o problema, mas apresentam pontos positivos. "São mais verborrágicas que práticas", diz Wanda Engel, do Instituto Unibanco. Ela elogia a possibilidade de flexibilização da grade em regimes semestrais e as matrículas por disciplina. Priscila Cruz, do Todos pela Educação, afirma que o ensino médio precisa de um projeto muito mais estruturante. "Acredito em soluções mais individualizadas e segmentadas, porque há muitas diferenças. E a escola tem de fazer sentido para todos os estudantes."
Currículo. O CNE defende que as diretrizes, que revogam as até então vigentes, datadas de 1998, são um documento norteador, uma vez que ele não pode ser encarado como o currículo em si. O MEC discute hoje uma nova base curricular nacional, que vai contemplar também o ensino médio, denominada direitos de aprendizagem. "Demos uma definição para o ensino médio. Todo mundo tem direito a uma quantidade de informações e então escolher o que quer fazer. Não é receita de bolo", diz o relator José Fernandes de Lima. Ele admite que há dificuldade de implantação e que o projeto é de médio prazo. Clélia Brandão, também do CNE, afirma que o documento é um "resultado de opções". "Nem todo mundo pensa a escola do mesmo jeito. Não tem como ser unanimidade nacional. Fruto de discussão do Conselho Nacional de Educação (CNE) com educadores e entidades, o documento tenta aproximar a escola da realidade dos jovens, sem retirar a importância das disciplinas tradicionais. No entanto, o cenário que ela encontra é desastroso e apresenta uma equação problemática cujo resultado não fecha há décadas. Alguns números mostram a gravidade: 50,9% dos jovens de 15 a 17 anos ainda não estão matriculados nessa etapa e as taxas de reprovação e de abandono são, respectivamente, de 13,1% e de 14,3%. Apenas 11% aprenderam o ensinado em matemática ao final do 3.º ano.

¨¨¨Landisvalth Blog: Renato Rocha, ex Legião Urbana, é morador de rua

¨¨¨Landisvalth Blog: Renato Rocha, ex Legião Urbana, é morador de rua: O sucesso não melhorou a vida de Negrete (Foto: Record)      O ex-baixista da Legião Urbana, Renato Rocha, é morador de rua há cinco a...

sábado, 24 de março de 2012

Tabua na Trilha d`Os Sertões


Prof. Marcos José, idealizador do projeto
O professor Marcos José de Souza, da cidade de Fátima, com o claro objetivo de difundir conhecimentos sobre a obra de Euclides da Cunha, inicia o ano de 2012 com a segunda edição do Projeto Na Trilha d´Os Sertões. O professor Marcos, um entusiasmado da literatura, promove com o projeto palestras, leituras, debates sobre a obra Os Sertões, de Euclides da Cunha. O cenário dos encontros este ano é o povoado Tabua, berço da civilização fatimense.
Ao todo já aconteceram quatro encontros, todos no povoado Tabua, na escola Santa Teresa. O 1º Encontro tratou de uma exposição sobre Os Sertões. Nos dois encontros seguintes aconteceram debates sobre a obra, notadamente a 1ª parte: A Terra. Também o professor Marcos colocou em discussão a leitura do texto “Geologia e Metáforas Geológicas em Os Sertões”, de autoria de José Carlos Barreto Santana.
Dê um clique nas fotos para ampliá-las
O 4º encontro ocorreu no último sábado com a presença do professor Landisvalth Lima, que fez uma palestra sobre a vida do escritor e deu orientações sobre o procedimento de leitura da obra. Também o professor Landisvalth fez uma rápida explanação sobre a Canudos pós-guerra e o fracasso do governo de tentar apagar a comunidade para sempre. No mesmo encontro, também foram recitados poemas de Carlos Drummond de Andrade.

Os próximos encontros de Na Trilha d´Os Sertões serão dedicados a debater a segunda parte da obra: O Homem. A data do 5º encontro está marcada para dia 31 de março, também na escola Santa Teresa, no povoado Tabua, integrante do Núcleo Educacional Nossa Senhora das Graças, com sede no povoado Bonfim. Além dos encontros que serão realizados, o professor Marcos José já programou uma viagem a Canudos prevista para o mês de agosto. A boa notícia é que parece que o projeto está só começando. A terceira edição, em 2013, poderá ser realizada na cidade de Poço Verde, no estado de Sergipe.